Paes reconheceu derrota para Ruas no Rio de Janeiro, mesmo assim criticou a Justiça Eleitoral

Eduardo Paes (PSD) reconheceu a derrota na disputa pelo governo do Rio de Janeiro para Douglas Ruas (PL), mas criticou a decisão da Justiça Eleitoral que retirou os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) da contagem oficial. Em manifestação publicada nas redes sociais na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, o ex-prefeito afirmou que a maioria dos eleitores fluminenses havia votado para que a escolha do governador fosse decidida no segundo turno. Apesar de contestar o entendimento judicial, Paes declarou que respeitaria a decisão, reconhecendo que a disputa eleitoral havia tomado outro rumo após a intervenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A declaração ocorreu depois que o TSE decidiu anular os votos recebidos por Garotinho, cuja candidatura havia sido indeferida pela Justiça Eleitoral. Com a retirada desses votos da contagem dos votos válidos, Douglas Ruas passou a superar a marca de 50% necessária para ser eleito governador no primeiro turno, sem a realização de uma nova votação. Paes questionou a consequência da decisão para a escolha dos eleitores, mas afirmou que respeitar decisões judiciais é parte do funcionamento da democracia.
O caso provocou uma mudança significativa no desfecho da eleição fluminense, pois a primeira totalização indicava que nenhum candidato havia alcançado mais da metade dos votos válidos. Na apuração inicial, Ruas tinha 49,27%, enquanto Paes somava 42,76%, e Garotinho havia recebido 274.411 votos, equivalentes a 3,71% dos votos válidos. A anulação desses votos modificou a base de cálculo utilizada para definir se seria necessário realizar o segundo turno.
Decisão do TSE muda o resultado da disputa no Rio
Ao comentar o resultado, Paes afirmou que o estado enfrenta uma das maiores crises de sua história, especialmente na área da segurança pública, e prometeu continuar acompanhando a administração estadual. O ex-prefeito declarou que seu grupo político permanecerá vigilante e cobrará resultados do governo de Douglas Ruas, que considera representar a continuidade do grupo político que está no poder há oito anos. A manifestação também indicou que, embora reconheça a derrota, Paes pretende continuar atuando politicamente no estado.
Antes de reconhecer o resultado, a equipe do ex-prefeito tentou reverter a decisão do TSE por meio de um recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido foi negado pelo ministro Cristiano Zanin, que entendeu que ainda cabia recurso dentro da própria Justiça Eleitoral e que não seria o caso de intervenção imediata do Supremo. Com isso, permaneceu válida a decisão que determina a retirada dos votos de Garotinho e a realização de uma nova totalização.
A retotalização dos votos estava prevista para sábado, 10 de outubro, conforme as informações divulgadas pela Justiça Eleitoral. Com a exclusão dos votos de Garotinho, Douglas Ruas ultrapassa o percentual necessário para a vitória no primeiro turno, dispensando uma segunda votação entre os dois candidatos mais bem colocados na contagem original. O procedimento oficial é necessário para atualizar os números e formalizar o resultado de acordo com a decisão judicial.
Paes promete fiscalizar o governo eleito
Na mensagem em que reconheceu a derrota, Paes afirmou que o fim da eleição não altera seu compromisso com a população fluminense. Ele declarou que continuará defendendo mudanças para o estado e que seu grupo político acompanhará as ações da futura administração, cobrando resultados nas áreas que considera prioritárias. A segurança pública foi um dos temas destacados pelo ex-prefeito, que apontou a gravidade da situação enfrentada pelo Rio de Janeiro.
Paes também agradeceu aos eleitores que apoiaram sua candidatura, à vice Jane Reis (MDB), aos partidos que integraram sua aliança e aos familiares. O político fez uma menção especial aos eleitores da cidade do Rio de Janeiro, onde afirmou ter recebido reconhecimento por seu trabalho durante os quatro mandatos como prefeito. A declaração marcou o encerramento público de sua tentativa de disputar o segundo turno, embora ele tenha mantido as críticas à decisão judicial que alterou a contagem dos votos.
A manifestação reúne duas posições distintas: o reconhecimento do resultado eleitoral e a discordância em relação ao caminho jurídico que levou à definição da disputa. Paes sustentou que a decisão contrariou a expectativa dos eleitores que votaram para que houvesse uma segunda etapa, mas não defendeu o descumprimento da determinação judicial. A diferença entre contestar uma decisão e reconhecer sua validade prática foi central no pronunciamento do ex-prefeito.
Anulação dos votos de Garotinho esteve no centro do impasse
A situação teve origem na candidatura de Anthony Garotinho, que participou da eleição enquanto enfrentava questionamentos jurídicos sobre sua elegibilidade. Após o TSE decidir pela anulação dos votos recebidos por ele, a Justiça Eleitoral determinou que esses números fossem excluídos do cálculo dos votos válidos. A medida alterou a proporção obtida pelos demais candidatos e abriu caminho para a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno.
A controvérsia envolveu a consequência de retirar da totalização votos que haviam sido registrados durante a votação, quando a disputa ainda era apresentada com possibilidade de segundo turno. Paes argumentou que a decisão contrariou a vontade dos eleitores que esperavam uma nova votação, enquanto a Justiça Eleitoral determinou a aplicação das regras referentes à candidatura indeferida. A definição do caso passou, assim, a depender da interpretação jurídica sobre a validade dos votos e os critérios para declarar um candidato eleito no primeiro turno.
Ao reconhecer a derrota, Eduardo Paes encerrou a disputa política pelo governo estadual sem abandonar as críticas à decisão que modificou o resultado inicial. Douglas Ruas, por sua vez, passou a reunir as condições para ser declarado vencedor no primeiro turno após a exclusão dos votos de Garotinho, conforme a determinação do TSE. O episódio destaca como decisões sobre candidaturas e totalização de votos podem alterar o desfecho de uma eleição, mesmo depois de encerrada a votação nas urnas.





