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Cúpula do PL está preocupada com as declarações que Flávio Bolsonaro tem dado no segundo turno

A cúpula do PL passou a pedir que Flávio Bolsonaro tenha mais cuidado com suas declarações na reta final da campanha presidencial de 2026. O alerta ocorreu depois que o candidato falou sobre uma possível mudança na Constituição durante um evento em Goiânia, na terça-feira, 6 de outubro. Segundo reportagem do Estado de Minas, aliados avaliam que declarações desse tipo podem ser utilizadas pela campanha de Lula durante o segundo turno.

A fala sobre a Constituição provocou críticas e abriu espaço para questionamentos sobre quais mudanças Flávio pretendia realizar caso fosse eleito presidente. No dia seguinte, o candidato precisou explicar que estava se referindo à aprovação de emendas à Constituição, incluindo propostas relacionadas à reforma do Judiciário e à redução da maioridade penal. A repercussão fez com que integrantes da direção do PL reforçassem a necessidade de maior cautela nos discursos.

Para integrantes da cúpula do partido, a declaração acabou oferecendo material para a campanha adversária explorar durante a disputa. Um dirigente do PL ouvido sob reserva pelo PlatôBR afirmou que Flávio teria dado “arma para o inimigo” ao abordar o assunto naquele momento da eleição. A orientação transmitida ao candidato é que a prioridade, nesta etapa, seja administrar a vantagem obtida no primeiro turno, sem abrir novas frentes de discussão.

PL quer evitar novos deslizes de Flávio

A recomendação do comando do PL é que nenhuma nova proposta seja apresentada por Flávio até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A avaliação de aliados é que, nesta fase, declarações sobre mudanças importantes podem gerar interpretações diferentes e alimentar discursos da campanha de Lula. Por isso, o partido quer que o candidato concentre sua comunicação na disputa já estabelecida e evite apresentar novos temas capazes de provocar controvérsia.

Outro ponto destacado pela cúpula do PL é a necessidade de conter a euforia dentro da campanha. Segundo a reportagem, aliados avaliam que um clima de “já ganhou” apareceu no discurso de Flávio durante o evento em que recebeu o apoio de Ronaldo Caiado e esteve ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Embora o partido tenha conquistado as maiores bancadas na Câmara e no Senado, integrantes da direção lembram que ainda haverá uma segunda votação para definir o presidente.

A orientação, portanto, envolve tanto o conteúdo das declarações quanto a forma como Flávio deverá conduzir sua campanha nas próximas semanas. A preocupação dos dirigentes é evitar que uma declaração seja retirada do contexto e transformada em um novo assunto central da disputa eleitoral. A recomendação também acompanha a avaliação de que a eleição somente estará definida depois da apuração dos votos do segundo turno.

Declaração sobre Constituição provocou reação

A fala que motivou o alerta ocorreu em Goiânia, durante um evento no qual Flávio recebeu o apoio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Na ocasião, o candidato falou genericamente sobre modificar a Constituição e relacionou a iniciativa à composição do Congresso Nacional após as eleições. A declaração foi interpretada de diferentes maneiras e, diante da repercussão, precisou ser esclarecida posteriormente pelo próprio candidato.

Na explicação apresentada no dia seguinte, Flávio afirmou que pretendia utilizar emendas à Constituição para defender mudanças específicas. Entre os temas citados estavam uma reforma do Judiciário e a redução da maioridade penal, propostas que dependeriam da tramitação e aprovação pelo Congresso Nacional. Dessa forma, o candidato procurou delimitar o significado da declaração anterior e afastar a interpretação de que estaria propondo uma substituição integral da Constituição.

Mesmo com o esclarecimento, a declaração já havia provocado repercussão política e passou a ser considerada um exemplo do tipo de assunto que a cúpula do PL quer evitar na reta final. A reportagem aponta que aliados de Flávio consideram importante preservar a vantagem construída no primeiro turno e reduzir situações que possam ser exploradas pela campanha adversária. Nesse contexto, a orientação por discursos mais cuidadosos passou a fazer parte da estratégia do partido para o segundo turno.

Flávio amplia apoios antes do segundo turno

Enquanto o PL pede mais cautela nas declarações, Flávio Bolsonaro continua avançando na busca por apoios políticos para o segundo turno. O candidato já recebeu o endosso de Ronaldo Caiado e do ex-presidente Michel Temer, além de ter obtido adesões do Novo, do Podemos e da federação formada por União Brasil e PP. Na quarta-feira, 7 de outubro, também foi anunciado o apoio do Republicanos, que havia permanecido neutro durante o primeiro turno.

O apoio do Republicanos foi articulado com a participação de Tarcísio de Freitas e envolve também uma negociação relacionada ao comando da Câmara dos Deputados. Segundo a reportagem, o partido busca o apoio de Flávio para a recondução de Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, à presidência da Casa. A negociação ocorre apesar de o PL ter conquistado a maior bancada da Câmara no primeiro turno.

Com a ampliação das alianças, a campanha de Flávio chega à reta final tentando consolidar os apoios conquistados sem provocar novos episódios que possam deslocar o foco da disputa. É nesse cenário que a cúpula do PL defende uma postura mais cuidadosa do candidato, especialmente depois da repercussão provocada pela fala sobre a Constituição. A estratégia indicada pelos aliados é manter o foco na eleição e evitar que declarações novas sejam transformadas em temas dominantes da campanha.

Cúpula do PL quer campanha mais controlada

A orientação interna do PL representa uma tentativa de reduzir riscos na comunicação de Flávio durante as semanas que antecedem o segundo turno. Depois da repercussão envolvendo a Constituição, os dirigentes passaram a defender que o candidato não apresente novas propostas e também evite demonstrar excesso de confiança. O objetivo apontado pelos aliados é administrar a vantagem conquistada no primeiro turno até a votação marcada para 25 de outubro.

Ao mesmo tempo, Flávio continua recebendo apoio de partidos e lideranças políticas, ampliando a composição que deverá acompanhá-lo na segunda etapa da eleição. A cúpula do PL, entretanto, avalia que essa vantagem precisa ser administrada com cautela e que a campanha não pode tratar o resultado como definido antes da apuração. Assim, o pedido para que o candidato tenha mais cuidado com o que fala passou a integrar a estratégia do partido para a reta final da disputa.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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