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Em agosto, Flávio Bolsonaro prometeu decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo caso seja eleito

Flávio Bolsonaro afirmou que defende todas as religiões após a repercussão envolvendo Nossa Senhora Aparecida e passou a reforçar sua comunicação com diferentes segmentos religiosos na reta final da campanha presidencial. A declaração ocorreu depois de o candidato do PL aparecer ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, segurando uma imagem da padroeira do Brasil durante um ato realizado na capital paulista. O episódio ocorreu em meio à circulação de uma informação falsa que associava Flávio a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

A informação que circulou nas redes sociais relacionava uma declaração feita por Flávio em agosto, quando ele afirmou que, caso fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. A partir dessa fala, publicações passaram a vinculá-lo a um projeto de lei de 2007 que tratava da denominação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira, embora a proposta não tenha sido apresentada pelo candidato. O projeto foi apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli e acabou arquivado na Câmara dos Deputados.

Diante da repercussão, Flávio passou a negar publicamente qualquer intenção de retirar o título da santa ou alterar sua condição de padroeira. Além disso, o candidato afirmou que respeita todas as religiões e também as pessoas que não possuem religião, procurando responder às críticas que surgiram entre setores do eleitorado católico. Paralelamente, o episódio levou sua campanha a ampliar manifestações relacionadas à liberdade religiosa e à convivência entre diferentes tradições de fé.

Flávio Bolsonaro reforça discurso sobre todas as religiões

A reação de Flávio ocorreu depois de a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhar grande repercussão nas redes sociais e alcançar diferentes grupos religiosos. Um levantamento da Vox Radar apontou que o assunto chegou a aproximadamente 180 mil comentários analisados entre os dias 24 e 25 de setembro, com participação significativa de usuários católicos e de pessoas sem identificação política. Segundo o estudo, a base de apoio do candidato permaneceu majoritariamente favorável a ele, enquanto a discussão também alcançou eleitores que não apresentavam posicionamento político identificado.

Nesse contexto, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi utilizada publicamente por Flávio durante uma agenda em São Paulo, em um gesto que ocorreu ao lado de Tarcísio de Freitas. O candidato recebeu a imagem de uma apoiadora e a levantou diante do público, enquanto a campanha enfrentava a repercussão da informação falsa sobre a padroeira. A cena ganhou destaque justamente porque ocorreu poucos dias depois de o tema religioso ter passado a ocupar espaço relevante na disputa presidencial.

Ao mesmo tempo, Flávio manteve o diálogo com lideranças evangélicas, segmento que também integra sua estratégia de campanha. Pastores e entidades religiosas se manifestaram publicamente em defesa do candidato e criticaram o uso da informação falsa na disputa eleitoral, enquanto Flávio participou de conteúdos voltados ao público católico. Dessa forma, sua comunicação passou a combinar referências aos dois principais grupos cristãos presentes no debate político brasileiro.

Caso Nossa Senhora Aparecida amplia debate religioso na eleição

A polêmica teve origem na associação entre Flávio Bolsonaro e o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, mas não foi apresentada por Flávio e posteriormente foi arquivada. Por isso, as publicações que atribuíam diretamente ao candidato uma iniciativa para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida foram contestadas por ele e classificadas como falsas nas apurações jornalísticas.

A controvérsia, entretanto, ultrapassou a disputa entre publicações nas redes e passou a envolver instituições religiosas e órgãos da Justiça Eleitoral. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao caso, enquanto Flávio declarou que considerava a manifestação da entidade esclarecedora sobre a falsidade da informação. Paralelamente, decisões judiciais determinaram a retirada de determinados conteúdos publicados nas redes sociais, ampliando a discussão sobre liberdade de expressão e desinformação durante a campanha.

O episódio também foi acompanhado por manifestações de lideranças evangélicas favoráveis ao candidato. O Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil divulgou um comunicado no qual afirmou que não existe iniciativa de líderes evangélicos para cancelar feriados ou cultos de outras religiões e criticou o que classificou como tentativa de provocar uma disputa religiosa entre católicos e evangélicos. A manifestação foi feita a poucos dias do primeiro turno e reforçou a presença do tema religioso na comunicação eleitoral.

Flávio amplia aceno a católicos e evangélicos

A estratégia adotada por Flávio ocorre em uma campanha na qual a religião passou a receber atenção crescente nas últimas semanas. De um lado, o candidato procura dialogar com o eleitorado evangélico por meio de referências a valores cristãos e encontros com lideranças religiosas; de outro, passou a enfatizar o respeito à tradição católica depois da repercussão envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Esse movimento é realizado em um cenário no qual diferentes candidaturas buscam estabelecer comunicação direta com grupos religiosos durante a reta final da eleição.

A reação também mostra como uma informação falsa pode produzir consequências políticas mesmo depois de ser contestada publicamente. O caso passou a ser discutido por candidatos, religiosos, influenciadores, partidos e usuários das redes sociais, além de ter provocado medidas judiciais envolvendo publicações relacionadas ao assunto. Assim, a imagem de Nossa Senhora Aparecida acabou incorporada ao debate eleitoral de 2026, enquanto Flávio passou a utilizar o episódio para reforçar sua defesa da liberdade religiosa e negar qualquer intenção de alterar o título da padroeira.

A partir desse contexto, a campanha de Flávio passou a apresentar uma mensagem de respeito a diferentes religiões enquanto mantinha o diálogo com lideranças evangélicas e buscava reduzir os efeitos da controvérsia entre o público católico. O candidato também responsabilizou adversários políticos pela disseminação do conteúdo, enquanto seus opositores contestaram essa interpretação e mantiveram o tema no debate eleitoral. O que está documentado é que o projeto citado nas redes não foi apresentado por Flávio e que a proposta original acabou arquivada, enquanto a associação entre o candidato e uma suposta iniciativa atual foi negada por ele.

A discussão sobre religião, portanto, permanece presente na campanha presidencial a poucos dias do primeiro turno, com diferentes grupos buscando apresentar suas posições ao eleitorado. Flávio reforçou publicamente que defende todas as religiões e, ao mesmo tempo, manteve sua aproximação com lideranças evangélicas após o episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O caso demonstra como religião, redes sociais, desinformação e comunicação eleitoral passaram a se cruzar de maneira direta na reta final da disputa de 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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