Presidente Lula se mostra totalmente contra o plano proposto pelo senador Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, a proposta de “tesouraço” defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para reduzir despesas do governo federal. Durante uma conversa com jornalistas, Lula classificou a ideia como uma “aberração” e afirmou que a população precisa ficar atenta aos possíveis efeitos de cortes no orçamento. A declaração ocorreu em meio à disputa entre os dois candidatos pela Presidência da República no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Ao comentar a proposta do adversário, Lula relacionou a discussão sobre redução de gastos públicos a cortes previstos no orçamento elaborado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o presidente, quando assumiu o Palácio do Planalto, em 2023, encontrou restrições orçamentárias em áreas como saúde, educação, infraestrutura e assistência social. Ele utilizou esses exemplos para sustentar sua crítica à possibilidade de novos cortes em despesas governamentais.
Lula afirmou que a discussão sobre o “tesouraço” precisa considerar os serviços e programas que dependem de recursos públicos para funcionar. Entre as áreas mencionadas pelo presidente estavam o Farmácia Popular, o Mais Médicos, a prevenção e o controle do câncer e a infraestrutura escolar. Na avaliação apresentada por ele durante a entrevista, reduções expressivas nessas verbas podem afetar diretamente a população que utiliza os serviços oferecidos pelo governo.
Lula cita cortes no orçamento e programas sociais
Ao detalhar sua crítica, Lula afirmou que o orçamento que encontrou no início do mandato previa uma redução de 59% nos recursos do Farmácia Popular. O presidente também citou cortes de 50,7% para o Mais Médicos, de 45% para ações de prevenção e controle do câncer e de 97% na verba destinada à infraestrutura escolar. Os números foram apresentados por ele como exemplos das dificuldades orçamentárias enfrentadas no começo de sua gestão.
O presidente também mencionou a situação de obras habitacionais e programas voltados ao atendimento de famílias de baixa renda. Segundo Lula, havia 87 mil casas paralisadas, iniciadas durante administrações anteriores, e a retomada dessas construções exigiu atenção do governo. Ele ainda destacou a oferta de medicamentos pelo Farmácia Popular, afirmando que o programa disponibiliza 41 medicamentos de uso contínuo para pessoas que necessitam de tratamento.
Durante a declaração, Lula argumentou que medidas de ajuste fiscal não deveriam concentrar seus efeitos sobre a população mais pobre. O presidente afirmou que, em sua avaliação, propostas de redução de despesas frequentemente acabam atingindo benefícios e serviços utilizados por pessoas de menor renda. Por isso, pediu atenção ao debate sobre o plano apresentado por Flávio e defendeu que os eleitores observem quais áreas poderão ser afetadas pelas medidas anunciadas.
Disputa eleitoral também envolve jornada de trabalho
Além de criticar o “tesouraço”, Lula falou sobre a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 e pediu que os parlamentares aliados atuem para que a votação avance no Senado. O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e estava em tramitação na Casa, com possibilidade de análise em plenário na semana seguinte. O presidente afirmou que pretende manter o tema em discussão durante a campanha eleitoral.
Lula defendeu uma mudança que permita ao trabalhador ter dois dias de descanso e trabalhar cinco dias por semana. Durante a conversa com jornalistas, ele declarou que a jornada atual deixa pouco tempo para o descanso dos trabalhadores e das trabalhadoras. O presidente também afirmou que deseja aprovar a medida antes do segundo turno, colocando a pauta trabalhista entre os assuntos centrais de sua campanha.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, não havia declarado publicamente um voto favorável à redução da jornada de trabalho, segundo a reportagem do UOL. Seu plano de governo defende que acordos entre empresas e funcionários tenham prevalência sobre a legislação trabalhista atual em determinadas situações. A diferença entre as posições dos candidatos sobre a jornada e os gastos públicos passou a integrar o debate eleitoral nas semanas que antecedem a votação decisiva.
Lula comenta cenário eleitoral e mantém foco na campanha
Questionado sobre a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, Lula evitou fazer uma avaliação detalhada dos números e afirmou que sua prioridade era trabalhar para conquistar votos. O levantamento citado na reportagem indicava uma disputa apertada entre ele e Flávio Bolsonaro, com resultados dentro da margem de erro informada pelo instituto. O presidente declarou que ainda tinha dias de campanha pela frente e que sua obrigação era buscar apoio dos eleitores.
A crítica ao “tesouraço” ocorreu, portanto, em um momento no qual os candidatos apresentam propostas distintas para a economia e procuram destacar os possíveis efeitos de suas políticas. Lula associou a redução de despesas aos riscos para programas sociais, enquanto Flávio defende cortes expressivos como parte de uma estratégia de ajuste fiscal e redução do endividamento público. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as propostas econômicas e suas consequências para os serviços públicos devem continuar no centro das discussões entre as duas campanhas.





