Flávio Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes para ter acesso a investigação

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, solicitou nesta terça-feira, 20 de outubro, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso aos autos de uma investigação relacionada à sua ligação com o advogado Willer Tomaz. O pedido ocorre a cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, em um momento no qual o andamento do caso passou a preocupar integrantes da campanha do parlamentar. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, o procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz, enquanto a presença do nome de Flávio em mensagens com o advogado levou o caso ao Supremo.
A investigação provocou preocupação entre aliados do candidato porque, segundo relatos apresentados à CNN Brasil, a tramitação teria avançado rapidamente em um intervalo curto. De acordo com as informações acompanhadas pela campanha, o procedimento foi remetido ao STF em 8 de outubro e distribuído a Moraes no dia 16, quando o ministro passou a responder pela relatoria do caso. Entretanto, como os autos tramitam sob sigilo, não é possível verificar publicamente todos os atos processuais, confirmar a sequência das diligências mencionadas ou avaliar integralmente os fundamentos das decisões tomadas durante a apuração.
O pedido de acesso busca permitir que Flávio e sua defesa conheçam os elementos que motivaram a investigação e possam avaliar as medidas jurídicas cabíveis. Conforme a reportagem da CNN Brasil, a campanha teme que uma eventual decisão judicial nos dias anteriores à votação produza repercussões políticas sobre a candidatura, embora não exista confirmação de que Moraes pretenda adotar alguma providência específica antes do segundo turno. Ao mesmo tempo, a apuração precisa ser distinguida das interpretações políticas feitas pelos aliados do senador, pois a existência de uma investigação não comprova, por si só, que o candidato tenha cometido irregularidades.
Flávio pede a Moraes acesso a inquérito sobre suspeita de lavagem
O caso envolve o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, que obteve autorização para operar uma empresa de apostas esportivas durante a gestão de Cláudio Castro à frente do governo do Rio de Janeiro. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado, mas os detalhes dos fatos investigados permanecem protegidos pelo sigilo judicial. Segundo a CNN Brasil, mensagens trocadas entre Tomaz e Flávio teriam levado o caso ao Supremo Tribunal Federal, circunstância que passou a ser acompanhada de perto pela equipe do candidato na reta final da disputa presidencial.
A relação pessoal entre o senador e o advogado tornou-se um dos pontos centrais das explicações apresentadas pelos aliados do parlamentar. Integrantes da campanha afirmam que a troca de mensagens é compatível com a amizade entre os dois e negam que Flávio esteja envolvido em qualquer atividade ilegal relacionada à investigação. Essa versão, contudo, precisa ser diferenciada dos elementos que ainda serão examinados pelas autoridades, uma vez que a apuração permanece em andamento e as informações disponíveis publicamente não permitem concluir qual será o seu desfecho.
Em manifestação divulgada à imprensa, Willer Tomaz negou irregularidades e informou que também havia solicitado acesso aos autos para conhecer o conteúdo da investigação. O advogado declarou que pretende prestar esclarecimentos às autoridades responsáveis e ressaltou que sua relação de amizade com Flávio Bolsonaro não constitui crime. Dessa forma, tanto o pedido do candidato quanto a manifestação de Tomaz estão relacionados ao interesse da defesa em conhecer os elementos da apuração, sem que essas iniciativas representem uma decisão definitiva sobre a existência ou inexistência de responsabilidades.
Alexandre de Moraes assume relatoria e aumenta atenção da campanha
A distribuição do procedimento a Alexandre de Moraes ampliou a atenção política em torno do caso, especialmente porque o ministro integra o Supremo Tribunal Federal e também atua em processos de grande repercussão envolvendo integrantes do campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a apuração da CNN Brasil, integrantes da campanha consideram que o intervalo entre a chegada do procedimento ao tribunal e sua distribuição ao relator foi curto quando comparado à tramitação de outros casos. Essa avaliação, porém, parte do entorno do candidato e não permite afirmar, sem acesso aos autos, que tenha ocorrido irregularidade processual ou tratamento excepcional por parte do Supremo.
A poucos dias da votação de 25 de outubro, o andamento do inquérito acrescenta um componente jurídico à disputa entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aliados do senador também discutem a possibilidade de que uma eventual decisão contra o candidato produza repercussões políticas diferentes das esperadas, enquanto outros consideram que a investigação poderia permanecer sem medidas imediatas. Essas interpretações foram atribuídas pela CNN Brasil a integrantes da campanha e não constituem evidências de que o ministro pretenda utilizar o caso para negociar politicamente ou interferir no resultado eleitoral.
O desenvolvimento da investigação dependerá dos elementos reunidos pelas autoridades, das decisões judiciais cabíveis e das manifestações das pessoas envolvidas, respeitando-se o sigilo estabelecido para o procedimento. Enquanto Flávio Bolsonaro busca acesso aos autos, Willer Tomaz também afirma querer conhecer os documentos e se dispõe a prestar esclarecimentos, ao passo que as suspeitas ainda precisam ser examinadas no curso da apuração. O pedido encaminhado a Alexandre de Moraes nesta terça-feira, 20 de outubro, ocorre, portanto, em meio à reta final da campanha presidencial e mantém o caso sob atenção política e jurídica antes do segundo turno.





