A Polícia Federal já vinha monitorando uma possível fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

A Polícia Federal já monitorava uma possível fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antes da divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo informações publicadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira, 28 de outubro. De acordo com relatos obtidos pelo jornalista Gustavo Uribe, indícios de um plano para deixar o Brasil em caso de derrota eleitoral chegaram aos agentes da corporação em meados de outubro. As informações apontavam que a saída do país poderia contar com apoio de integrantes da família Bolsonaro e de pessoas que já estavam nos Estados Unidos.
O planejamento teria envolvido, conforme relatos ouvidos pela CNN, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o advogado e empresário Willer Tomaz. Eduardo e Willer já se encontravam em território norte-americano quando as informações sobre a possível saída de Flávio começaram a ganhar destaque. A hipótese investigada pela Polícia Federal era de que uma derrota na disputa presidencial poderia desencadear uma estratégia para permanecer no exterior diante do avanço de investigações e do receio de novas medidas judiciais.
A preocupação com uma possível saída do país antecedeu o resultado de domingo, 25 de outubro, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Após a confirmação do resultado, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou medidas relacionadas aos passaportes do senador, diante do risco de que ele deixasse o território brasileiro. Apesar da determinação, Flávio conseguiu viajar utilizando, segundo a publicação, um passaporte italiano, e passou a ser apontado como alguém que buscaria permanecer nos Estados Unidos com apoio de integrantes do governo de Donald Trump.
Plano de saída do Brasil teria sido discutido antes da derrota
As informações recebidas pela Polícia Federal em meados de outubro indicavam que a possibilidade de deixar o Brasil não teria surgido apenas depois da derrota eleitoral. Segundo os relatos publicados pela CNN, a corporação já acompanhava indícios de uma preparação para uma eventual saída caso Flávio não conseguisse vencer a disputa presidencial. A existência dessas informações ajuda a explicar por que a possibilidade de fuga passou a integrar as preocupações das autoridades durante os dias que antecederam a votação decisiva.
O plano teria contado com o aval de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Willer Tomaz, conforme fontes ouvidas pela emissora, embora os detalhes sobre a participação de cada um não tenham sido apresentados publicamente de forma completa. Eduardo, que ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados, já estava nos Estados Unidos, assim como Willer, advogado e empresário mencionado nas investigações envolvendo o senador. A publicação também relatou que outros dirigentes ligados ao bolsonarismo cogitavam deixar o país caso Lula fosse eleito, diante do temor de prisões ou de outras decisões judiciais relacionadas a investigações em andamento.
A derrota de Flávio tornou a hipótese de saída do Brasil mais concreta para os investigadores, que passaram a acompanhar o risco de o senador não permanecer à disposição das autoridades brasileiras. A preocupação envolvia o contexto de apurações conduzidas pela Polícia Federal e de procedimentos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. A eventual permanência no exterior poderia dificultar o andamento de medidas investigativas, embora a saída do país, por si só, não signifique automaticamente que uma pessoa seja considerada foragida ou que exista contra ela um mandado de prisão.
Decisão de Alexandre de Moraes e viagem aos Estados Unidos
Horas depois do resultado eleitoral de domingo, Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, segundo a reportagem da CNN Brasil. A medida ocorreu em meio às informações sobre o risco de o senador deixar o Brasil após a derrota e diante das preocupações relacionadas às investigações em curso. Mesmo com a decisão judicial, Flávio conseguiu sair do território brasileiro utilizando um passaporte italiano, conforme relatado pela publicação.
A reportagem informou que o senador deveria se refugiar nos Estados Unidos e que a viagem teria apoio de integrantes do governo de Donald Trump. A possibilidade de acolhimento em território norte-americano passou a fazer parte do contexto político e judicial relacionado à saída do parlamentar, enquanto autoridades brasileiras acompanhavam os desdobramentos. A situação também envolveu a presença de Eduardo Bolsonaro e Willer Tomaz nos Estados Unidos, dois nomes citados nos relatos sobre a preparação de uma possível saída do país.
A Polícia Federal também considera que a transferência de recursos para fundos no exterior pode estar relacionada a uma estratégia de permanência fora do Brasil. Segundo a CNN, os valores teriam origem na arrecadação vinculada ao filme Dark Horse, produção relacionada à trajetória de Jair Bolsonaro, e esse fluxo financeiro integra as suspeitas examinadas pelos investigadores. Flávio é investigado em dois inquéritos por suspeita de evasão de divisas, sendo que um deles também envolve operações financeiras relacionadas a negócios com Willer Tomaz, enquanto o caso segue sujeito à apuração das autoridades competentes.
Investigação financeira amplia preocupações da Polícia Federal
A investigação sobre possíveis movimentações financeiras no exterior representa uma frente distinta, mas relacionada ao cenário descrito pela Polícia Federal sobre a eventual permanência de Flávio fora do Brasil. A corporação examina recursos associados à arrecadação do filme Dark Horse e operações que teriam envolvido o senador e Willer Tomaz. A existência dos inquéritos não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas, e a responsabilidade por eventuais crimes depende da apuração e das decisões das instâncias judiciais competentes.
A reportagem de Gustavo Uribe destacou, portanto, que a Polícia Federal já reunia informações sobre uma possível saída de Flávio Bolsonaro antes do segundo turno, e não apenas depois da derrota para Lula. O cenário envolvia relatos sobre um plano prévio, a atuação de pessoas próximas ao senador, a decisão judicial relativa aos passaportes e investigações financeiras em andamento. Os desdobramentos passaram a concentrar a atenção das autoridades brasileiras diante da viagem aos Estados Unidos e das questões jurídicas que permanecem sob análise.





