Campanha de Lula postou um vídeo nas redes sociais dizendo que Flávio Bolsonaro seria candidato de Donald Trump

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, na quinta-feira (24), um vídeo em que aborda uma suposta tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. Na peça publicitária, o PT associa o presidente norte-americano Donald Trump à candidatura do senador Flávio Bolsonaro e afirma que o republicano pretende “colonizar” o Brasil. A mensagem eleitoral foi divulgada nas redes sociais em meio a uma discussão sobre possíveis ações estrangeiras relacionadas ao processo eleitoral brasileiro.
O vídeo tem 59 segundos e afirma que aliados de Trump estariam financiando a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A peça cita a Rockbridge Network e afirma que um representante da organização teria participado da montagem do comitê de Flávio em São Paulo. A campanha petista também relaciona a organização ao vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, que é apontado no vídeo como um dos fundadores da rede.
Durante a gravação, a campanha de Lula declara que “Flávio Bolsonaro é o candidato do Trump” e atribui ao presidente norte-americano o objetivo de “colonizar” o Brasil. A propaganda também menciona interesses sobre riquezas brasileiras e apresenta a relação entre Trump e Flávio como parte de sua argumentação sobre soberania nacional. As afirmações são apresentadas pela campanha de Lula como parte de uma peça eleitoral e não representam, por si só, uma comprovação judicial de financiamento estrangeiro da candidatura de Flávio.
Vídeo do PT cita possíveis ações estrangeiras
A divulgação da propaganda ocorreu um dia depois de o PT apresentar ao Supremo Tribunal Federal um pedido de investigação sobre possíveis episódios de interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A manifestação foi encaminhada ao ministro Flávio Dino, relator da ADPF 1.178, e inclui a solicitação para que a Polícia Federal apure eventuais recursos, serviços ou ações digitais de origem estrangeira que possam ter beneficiado a candidatura de Flávio Bolsonaro. O partido também pediu a preservação de possíveis provas e a identificação de eventuais financiadores e beneficiários.
Na manifestação apresentada ao STF, o PT citou diferentes situações que, segundo a legenda, justificariam a abertura de uma apuração. Entre os casos mencionados estão suspeitas envolvendo a Rockbridge Network, a disponibilização de conteúdos do Brasil Paralelo e do Estúdio Quinto Elemento para a Academia da Direita, plataforma ligada ao PL, e anúncios pagos no exterior publicados em perfis do X favoráveis a Flávio. A petição também mencionou uma reportagem do Metrópoles sobre contas registradas fora do Brasil que impulsionaram conteúdos favoráveis ao candidato.
O pedido encaminhado ao Supremo também faz referência a publicações que apresentavam resultados da plataforma Polymarket como indicativo do desempenho de Flávio na disputa presidencial. Segundo o Metrópoles, o X identificou os conteúdos como “parceria paga”, mas não era possível determinar, nas publicações citadas, quem havia financiado os anúncios. A legislação eleitoral proíbe doações estrangeiras, inclusive por meio de publicidade, mas a existência de anúncios patrocinados não demonstra isoladamente que uma candidatura tenha recebido financiamento irregular do exterior.
Soberania e relação entre Trump e Flávio entram na campanha
A campanha de Lula passou a explorar a relação entre Trump e Flávio dentro do debate eleitoral sobre soberania e política externa. O tema ganhou espaço depois de encontros entre o senador brasileiro e integrantes do governo norte-americano, além de declarações sobre cooperação entre Brasil e Estados Unidos em áreas como segurança e combate ao crime organizado. A associação feita pela propaganda petista procura apresentar a aproximação entre Flávio e Trump como um dos elementos da disputa presidencial de 2026.
O próprio PT afirma que a investigação solicitada ao STF deve esclarecer a origem de eventuais recursos, serviços ou estruturas estrangeiras relacionadas às ações mencionadas na petição. A legenda pediu que sejam preservados registros digitais e financeiros, identificados possíveis responsáveis e analisados contratos e comprovantes de pagamentos. O partido sustenta que a proximidade do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, aumenta a necessidade de esclarecimento sobre eventuais ações estrangeiras no processo eleitoral.
O debate ocorre também depois de Lula abordar a questão da soberania e da interferência estrangeira durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York. Na ocasião, o presidente afirmou que o Brasil não permitiria ingerência externa no processo eleitoral e declarou que o país não caberia “no quintal de ninguém”. As declarações ocorreram poucos dias antes da divulgação da propaganda eleitoral que associou Trump à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Investigação sobre interferência estrangeira passa a integrar disputa eleitoral
Até o momento, o pedido apresentado pelo PT ao STF representa uma solicitação de investigação e não uma decisão judicial que tenha confirmado a existência de financiamento estrangeiro ou de interferência ilegal na campanha de Flávio Bolsonaro. A própria manifestação da legenda pede que os fatos sejam apurados, que documentos sejam preservados e que sejam identificados os responsáveis por eventuais operações consideradas irregulares. Dessa forma, a origem dos recursos e a eventual existência de vínculos entre as ações citadas permanecem como pontos a serem esclarecidos pelas autoridades competentes.
A propaganda divulgada pelo PT transformou essas suspeitas em um dos temas da comunicação eleitoral de Lula, estabelecendo uma associação direta entre Trump e Flávio Bolsonaro. A campanha avalia inclusive ajustes na peça de 59 segundos para uma eventual exibição na televisão, enquanto o pedido apresentado ao STF segue com o objetivo de apurar possíveis ações de origem estrangeira relacionadas à eleição. O andamento da investigação, caso seja autorizado, poderá esclarecer a origem dos recursos e das estruturas mencionadas pelo partido e determinar se houve alguma irregularidade no processo eleitoral.





