Daniel Vorcaro disse que pagou R$ 20 milhões em espécie para a campanha de um político em 2024

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter entregado R$ 20 milhões em dinheiro vivo ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante as eleições municipais de 2024. Segundo o relato, os recursos teriam sido repassados como caixa dois para financiar campanhas de candidatos a prefeito em Minas Gerais apoiados pelo PSD, partido que tem Silveira como um de seus principais articuladores políticos no estado. O ministro nega ter recebido dinheiro não declarado e classificou as acusações como “maledicência”.
As declarações foram apresentadas por Vorcaro durante uma tentativa de negociar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. O valor mencionado se soma a outros R$ 20 milhões que o ex-banqueiro afirma ter repassado a Silveira em 2022, quando o ministro disputou uma vaga no Senado por Minas Gerais. Caso os dois relatos fossem comprovados, os pagamentos atribuídos ao ex-banqueiro somariam R$ 40 milhões em recursos que, segundo ele, não foram declarados à Justiça Eleitoral.
De acordo com Vorcaro, o dinheiro relacionado às eleições municipais de 2024 teria sido entregue de forma fracionada nas semanas anteriores à votação. O ex-banqueiro apontou o pastor Fabiano Zettel, seu cunhado, como responsável por disponibilizar os valores em espécie. Como elemento para sustentar sua versão, Vorcaro apresentou mensagens trocadas com Zettel nas quais os dois conversariam sobre a retirada e o transporte do dinheiro.
Vorcaro relata repasses de R$ 20 milhões para campanhas em Minas
O relato de Daniel Vorcaro envolve supostos pagamentos destinados a campanhas de prefeitos mineiros apoiados pelo PSD nas eleições municipais de 2024. Segundo o ex-banqueiro, Alexandre Silveira teria atuado como articulador político desse apoio, e os recursos teriam sido disponibilizados em dinheiro vivo antes da votação. A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a eventual utilização dos valores mencionados nas declarações.
Vorcaro afirmou que os repasses foram realizados em parcelas, em vez de uma única entrega, durante as semanas que antecederam a eleição. Segundo sua versão, Fabiano Zettel teria sido responsável por organizar a disponibilização do dinheiro, e as conversas entre os dois seriam parte dos elementos apresentados para corroborar o relato. Em uma das mensagens citadas na reportagem, Zettel teria perguntado se os valores deveriam ser levados para Belo Horizonte ou encaminhados a outro destino.
As contribuições eleitorais de 2022 e 2024 não teriam sido declaradas à Justiça Eleitoral, conforme a versão apresentada pelo ex-banqueiro aos investigadores. A acusação, contudo, é contestada por Alexandre Silveira, que afirma que as doações recebidas em sua campanha ao Senado em 2022 seguiram a legislação. Até o momento descrito na reportagem, as declarações atribuídas a Vorcaro não representam uma comprovação definitiva dos supostos pagamentos.
Alexandre Silveira nega caixa dois e contesta as acusações
Alexandre Silveira negou ter recebido recursos de caixa dois de Daniel Vorcaro e criticou a divulgação das informações sobre a tentativa de colaboração premiada. Em nota, o ministro declarou que todas as doações recebidas durante sua campanha ao Senado, em 2022, foram realizadas conforme a legislação eleitoral, declaradas regularmente e aprovadas pela Justiça. A manifestação, entretanto, não esclareceu especificamente os supostos repasses relacionados às campanhas municipais de 2024.
Ao ser questionado sobre as declarações atribuídas ao ex-banqueiro, Silveira afirmou: “Publicar um suposto conteúdo daquilo que sequer existe — PGR e PF repudiaram propostas de delação — não é jornalismo; é manipulação deliberada”. O ministro também classificou o assunto como “maledicência” e contestou a forma como as informações foram divulgadas. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República já haviam rejeitado três propostas de delação apresentadas por Vorcaro, apontando omissões sobre fatos que, segundo os órgãos, já tinham sido identificados nas investigações.
A reportagem também questionou Silveira sobre quando conheceu Vorcaro e por que participou de uma reunião entre o empresário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do governo federal. O ministro não respondeu a essas perguntas. A ausência de manifestação sobre esses pontos não comprova as acusações, que continuam dependendo da análise dos elementos disponíveis e de eventuais apurações pelas autoridades competentes.
Reunião de Lula com Vorcaro também teve participação do ministro
Em dezembro de 2024, Lula recebeu Daniel Vorcaro no gabinete presidencial, no Palácio do Planalto, para uma reunião sobre a situação do Banco Master, conforme relato do próprio presidente. Alexandre Silveira participou do encontro, que não constou na agenda oficial da Presidência. Também estiveram presentes o ministro da Casa Civil, Rui Costa, Gabriel Galípolo, então recém-indicado para a presidência do Banco Central, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, apontado como articulador da reunião.
O encontro ocorreu no mesmo ano das eleições municipais às quais Vorcaro atribui os supostos repasses de R$ 20 milhões. Entretanto, as informações divulgadas não demonstram que a reunião tenha sido utilizada para tratar de pagamentos eleitorais ou que exista uma relação comprovada entre os dois episódios. O caso ganhou relevância por envolver um empresário investigado, um ministro do governo federal e alegações sobre recursos supostamente não declarados.
Vorcaro tenta acordo de delação enquanto permanece preso
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Ele permanece na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília, enquanto as investigações relacionadas ao Banco Master prosseguem. As declarações sobre Alexandre Silveira foram apresentadas durante uma tentativa de viabilizar um acordo de colaboração premiada.
As três propostas anteriores de delação de Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que apontaram omissões em relação a fatos já conhecidos pelos investigadores. Nesse contexto, o relato sobre os supostos pagamentos eleitorais integra uma tentativa de apresentar informações que possam sustentar uma nova negociação com as autoridades. As acusações contra Alexandre Silveira permanecem contestadas pelo ministro, e a eventual responsabilização de qualquer envolvido depende da verificação das provas e das decisões das instâncias competentes.





