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Flávio Bolsonaro foi autorizado a ficar até um ano nos Estados Unidos juntamente com sua esposa e filhas

O governo de Donald Trump deverá acelerar o processo para que Flávio Bolsonaro obtenha residência permanente nos Estados Unidos, segundo informações publicadas pelo The New York Times e divulgadas pela CNN Brasil. O senador brasileiro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, está atualmente na Flórida com a mulher e as filhas, depois de deixar o Brasil em uma viagem que provocou questionamentos políticos, diplomáticos e judiciais. De acordo com autoridades americanas ouvidas pelo jornal, a expectativa é que o parlamentar solicite o chamado green card, documento que permite morar e trabalhar legalmente nos Estados Unidos por tempo indeterminado.

A possibilidade de aceleração do procedimento chama atenção porque a obtenção da residência permanente normalmente envolve etapas administrativas, análise documental e cumprimento de requisitos estabelecidos pela legislação migratória americana. Entretanto, uma autoridade do governo Trump afirmou que o pedido de Flávio deverá receber tratamento rápido, semelhante ao concedido anteriormente ao irmão dele, Eduardo Bolsonaro, que conseguiu o documento em julho de 2026. A informação foi divulgada em meio à repercussão da viagem do senador, que deixou o território brasileiro depois de receber uma determinação judicial para entregar seus passaportes às autoridades.

Antes da eventual solicitação do green card, Flávio e seus familiares receberam uma autorização temporária concedida pelo governo americano, conhecida como parole. O mecanismo permite a permanência nos Estados Unidos por um período determinado em situações específicas, incluindo razões humanitárias urgentes ou quando existe um benefício público considerado relevante pelas autoridades. No caso do senador, a autorização tem validade prevista até outubro de 2027, mas não representa concessão automática de residência permanente nem garante que o futuro pedido será aprovado.

Governo Trump deve acelerar residência permanente de Flávio

Segundo a reportagem do The New York Times, a expectativa dentro do governo americano é que Flávio Bolsonaro apresente futuramente um pedido de residência permanente, conhecido como green card, depois de sua entrada no país. Uma autoridade americana afirmou que o procedimento deverá ser processado rapidamente, seguindo um modelo semelhante ao utilizado no caso de Eduardo Bolsonaro, que recebeu autorização para residir permanentemente nos Estados Unidos em julho deste ano. A informação indica que integrantes da administração Trump consideram a possibilidade de conceder ao senador um caminho migratório mais rápido do que aquele normalmente enfrentado por outros estrangeiros.

O green card permite que um estrangeiro estabeleça residência permanente nos Estados Unidos e exerça atividades profissionais legalmente, desde que respeite as condições previstas na legislação do país. Diferentemente da autorização temporária recebida por Flávio, a residência permanente não possui um prazo inicial de validade de apenas um ano, embora o documento esteja sujeito a regras de manutenção e renovação. Além disso, a obtenção desse status migratório depende de uma categoria de elegibilidade e de procedimentos específicos, motivo pelo qual a possibilidade de uma análise acelerada não significa que todos os requisitos legais possam ser dispensados.

No caso de Eduardo Bolsonaro, o irmão mais novo de Flávio, o processo de residência permanente foi concluído em julho de 2026, depois de um período de espera superior a um ano, conforme as informações divulgadas pelo jornal americano. O ex-deputado federal mantém residência no Texas e possui relações políticas próximas com integrantes do governo Trump, circunstância que também aparece no contexto das articulações envolvendo a chegada de Flávio à Flórida. Agora, a possibilidade de repetição desse procedimento para o senador brasileiro passou a integrar as discussões sobre a assistência oferecida pela administração republicana à família Bolsonaro.

Autorização temporária nos EUA antecede pedido de green card

A permanência atual de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos está amparada pelo chamado Discretionary Parole, uma autorização migratória temporária concedida pelo Departamento de Segurança Interna americano. Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, o senador, sua mulher e as filhas receberam permissão para permanecer no território americano por até um ano, com vencimento previsto para outubro de 2027. Esse mecanismo pode ser utilizado em situações consideradas excepcionais, mas não equivale a um visto de imigrante e tampouco representa uma aprovação antecipada de residência permanente.

A legislação americana prevê que o parole seja concedido individualmente, mediante avaliação das circunstâncias apresentadas pelo solicitante e dos critérios estabelecidos pelas autoridades migratórias. Entre os fatores considerados estão possíveis razões humanitárias urgentes, benefícios públicos relevantes, antecedentes dos interessados e eventuais questões relacionadas à segurança nacional. Portanto, a autorização concedida à família Bolsonaro permite a permanência temporária, mas o futuro pedido de green card precisará passar por uma análise própria, com documentação e enquadramento em uma das categorias previstas nas regras de imigração.

A concessão da autorização também provocou questionamentos porque ocorreu depois de uma viagem marcada por controvérsias sobre o cumprimento de decisões judiciais brasileiras. Flávio deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes, medida relacionada às investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo informações publicadas pelo The New York Times, a viagem foi organizada com a participação de Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca, que teria providenciado a aeronave utilizada pelo senador e seus familiares.

Participação de aliados de Trump na viagem aumenta repercussão

O deslocamento de Flávio Bolsonaro começou na Argentina, de onde o senador seguiu para o Equador, onde ocorreu uma parada para reabastecimento da aeronave, antes de chegar a Miami, na Flórida. A viagem foi realizada em um jato particular e, conforme a reportagem americana, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Jason Miller durante a organização do trajeto. O envolvimento de integrantes próximos à administração republicana passou a ser questionado por parlamentares democratas, que solicitaram esclarecimentos ao secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a possível utilização de recursos governamentais para facilitar a entrada do brasileiro.

Outro aspecto que ampliou a repercussão foi a confirmação de Donald Trump de que havia autorizado a entrada de Flávio nos Estados Unidos, embora o presidente americano tenha evitado comentar detalhadamente as circunstâncias da viagem. A possível aceleração do green card acrescenta uma nova dimensão ao episódio, pois indica que a permanência do senador no país poderá deixar de depender exclusivamente da autorização temporária atualmente concedida. Enquanto isso, o caso continua provocando questionamentos sobre os critérios utilizados pelo governo americano e os efeitos que uma eventual residência permanente poderá produzir nas relações entre Washington e Brasília.

A situação também envolve o futuro político de Flávio Bolsonaro, que afirmou pretender continuar atuando na oposição brasileira mesmo depois de deixar o país. Entretanto, a possibilidade de estabelecer residência permanente nos Estados Unidos poderá representar uma mudança importante em sua situação pessoal e migratória, especialmente diante das investigações que continuam em andamento no Brasil. Até o momento, não existe confirmação de que o green card tenha sido solicitado ou aprovado, mas autoridades americanas ouvidas pelo The New York Times afirmam que o governo Trump pretende dar andamento acelerado ao eventual procedimento, seguindo o precedente envolvendo Eduardo Bolsonaro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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