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Alexandre de Morais ainda não respondeu ao pedido de Jair Bolsonaro para receber duas visitas em sua casa.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para receber em sua residência os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A solicitação foi apresentada nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, por meio de uma petição assinada pelos advogados do ex-presidente, que cumpre pena em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado. O movimento acontece em um momento estratégico para a direita brasileira, que tenta organizar suas forças políticas para disputar a presidência do Senado Federal em fevereiro de 2027.

Os dois parlamentares mencionados no pedido tiveram participação importante no governo Bolsonaro e atualmente estão envolvidos nas articulações para assumir o comando da principal Casa legislativa do Congresso Nacional. Rogério Marinho, que lidera a oposição no Senado, teve sua candidatura oficialmente lançada pelo Partido Liberal, enquanto Tereza Cristina também manifestou interesse em disputar a função e busca apoio entre diferentes grupos partidários. Nesse contexto, a tentativa de aproximação com Bolsonaro ganha relevância porque o ex-presidente continua sendo uma das principais referências políticas do PL, mesmo afastado das atividades presenciais por determinação judicial.

A solicitação encaminhada ao STF não estabelece uma data específica para os encontros, mas pede que as visitas sejam realizadas em dias definidos pelo próprio Alexandre de Moraes, preferencialmente às terças, quartas ou quintas-feiras. Os advogados também ressaltaram que os encontros deverão respeitar as regras de fiscalização, segurança e controle de entrada estabelecidas para a residência do ex-presidente. Entretanto, o pedido ainda depende de autorização judicial, e não significa que os senadores já tenham recebido permissão para visitar Bolsonaro ou que as conversas estejam oficialmente agendadas.

Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber dois senadores

A defesa de Jair Bolsonaro encaminhou o documento ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela supervisão das medidas judiciais impostas ao ex-presidente no âmbito do processo criminal que resultou em sua condenação. A petição solicita que Rogério Marinho e Tereza Cristina sejam autorizados a entrar na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, observando as condições determinadas pelo Supremo Tribunal Federal. Embora o documento não apresente uma justificativa detalhada sobre os assuntos que seriam discutidos, o momento em que a solicitação foi apresentada coincide com uma importante disputa interna no campo conservador.

A escolha dos dias da semana também foi mencionada pelos advogados, que sugeriram encontros preferencialmente às terças, quartas ou quintas-feiras, período em que normalmente ocorrem atividades legislativas no Senado Federal. A definição das datas, contudo, deverá ficar sob responsabilidade do gabinete de Moraes, que poderá avaliar individualmente as condições de cada visita. Dessa maneira, a defesa procura obter uma autorização formal para ampliar o contato político do ex-presidente com duas lideranças que desempenharam funções importantes durante seu governo e que agora tentam conquistar espaço na sucessão da presidência do Senado.

Vale lembrar que Bolsonaro está submetido a restrições específicas em razão da condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama golpista. Por esse motivo, visitas que não estejam contempladas nas autorizações já existentes precisam passar pela avaliação do ministro responsável pelo acompanhamento judicial da pena. Assim, mesmo sendo dois parlamentares com histórico de proximidade política com o ex-presidente, Rogério Marinho e Tereza Cristina não podem simplesmente comparecer à residência sem que a solicitação seja analisada e aprovada pelo STF.

Rogério Marinho e Tereza Cristina disputam espaço na presidência do Senado

A principal questão política por trás da movimentação envolve a eleição para a presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027, quando os parlamentares escolherão o responsável pela condução dos trabalhos legislativos no biênio seguinte. Rogério Marinho foi lançado oficialmente pelo PL como candidato ao cargo, recebendo apoio de Flávio Bolsonaro, que anunciou sua indicação durante uma transmissão realizada nos Estados Unidos. O senador potiguar também exerce a liderança da oposição na Casa e é considerado um dos principais representantes do bolsonarismo no Congresso Nacional.

Tereza Cristina, por sua vez, não desistiu de disputar a presidência do Senado e reafirmou publicamente que pretende continuar trabalhando para viabilizar sua candidatura. A parlamentar do Mato Grosso do Sul foi ministra da Agricultura durante o governo Bolsonaro e atualmente ocupa uma posição de destaque dentro do Progressistas, partido no qual lidera a bancada no Senado. Apesar de pertencerem ao mesmo campo político, os dois senadores ainda precisam encontrar uma solução para evitar que candidaturas concorrentes dividam os votos da direita e facilitem a permanência do atual presidente da Casa.

Uma das possibilidades discutidas pelos parlamentares é estabelecer um entendimento para que apenas um deles concorra em fevereiro de 2027, enquanto o outro receba apoio para uma disputa posterior, em 2029. Rogério Marinho declarou que mantém conversas com Tereza Cristina e que os dois não pretendem transformar a negociação em uma disputa direta entre integrantes do mesmo grupo político. Entretanto, a definição ainda depende de novas conversas, da distribuição de apoios partidários e da capacidade de cada senador de reunir votos suficientes para enfrentar os demais concorrentes.

Davi Alcolumbre pode ser beneficiado pela divisão da direita

O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também pretende disputar a reeleição e conta com o apoio de parlamentares de diferentes partidos, inclusive de setores próximos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A possibilidade de Marinho e Tereza Cristina concorrerem simultaneamente preocupa integrantes da oposição porque a divisão dos votos poderia favorecer diretamente a continuidade de Alcolumbre no comando da instituição. Por isso, a construção de uma candidatura única passou a ser uma prioridade para lideranças conservadoras interessadas em ampliar sua influência sobre as decisões do Congresso.

A eventual autorização de Moraes para que Bolsonaro receba os dois senadores poderá abrir espaço para conversas sobre o cenário político nacional e a sucessão no Senado, embora os assuntos previstos para os encontros não tenham sido informados oficialmente. A movimentação também demonstra que o ex-presidente continua sendo procurado por aliados em busca de orientação e articulação, mesmo diante das limitações impostas pela Justiça. Agora, a expectativa está concentrada na decisão do ministro do STF e nas negociações entre Marinho e Tereza Cristina, que precisarão chegar a um entendimento antes da eleição de fevereiro de 2027.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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