Carla Zambelli disse que por causa dos bloqueios determinados por Alexandre de Moraes, sua vida está cada vez mais difícil

A ex-deputada federal Carla Zambelli publicou nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, um vídeo nas redes sociais para pedir ajuda financeira a apoiadores enquanto permanece na Itália. Na gravação, ela anunciou a criação de uma comunidade paga, com mensalidade de R$ 50, e afirmou que precisa dos recursos para conseguir se manter no país europeu. A iniciativa foi apresentada depois de Zambelli relatar dificuldades para abrir uma conta bancária no exterior e, consequentemente, encontrar uma forma regular de receber pagamentos por um eventual trabalho.
A ex-parlamentar atribuiu os obstáculos financeiros a bloqueios que, segundo ela, foram determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Zambelli afirmou que não consegue utilizar bancos tradicionais ou digitais na Europa e explicou que, pelas regras trabalhistas italianas, os salários precisam ser depositados em uma conta bancária em seu próprio nome. Diante dessa situação, ela passou a pedir contribuições diretamente aos seguidores e disponibilizou o acesso à comunidade por meio dos perfis que mantém nas redes sociais.
O espaço por assinatura foi anunciado como uma alternativa para reunir pessoas interessadas em acompanhar relatos pessoais e conteúdos exclusivos produzidos pela ex-deputada. Entre os assuntos prometidos estão experiências vividas durante o período em que permaneceu presa na Itália, além de temas variados e conteúdos relacionados a diferentes áreas de conhecimento. A iniciativa, conforme explicou no vídeo, pretende gerar uma fonte de renda temporária até que ela consiga um emprego ou resolva as dificuldades relacionadas ao acesso ao sistema bancário europeu.
Comunidade terá mensalidade de R$ 50
No vídeo publicado nesta terça-feira, Zambelli fez um apelo direto às pessoas que ainda acompanham sua atuação política e disseram admirá-la no passado. Ela afirmou que pretende oferecer materiais exclusivos e compartilhar aprendizados obtidos durante sua passagem pela prisão, com a intenção de justificar a adesão ao grupo pago. A ex-deputada também declarou que a contribuição dos inscritos será importante para custear sua permanência na Itália enquanto não consegue regularizar sua situação financeira.
A mensalidade anunciada para participar da comunidade é de R$ 50, valor que deverá ser pago pelos apoiadores interessados em acessar o conteúdo reservado aos assinantes. O link para a inscrição foi colocado na biografia e nas publicações de suas redes sociais, conforme informou o Estado de Minas. A proposta combina pedidos de ajuda financeira com a oferta de materiais que não estarão disponíveis gratuitamente para todos os seguidores.
Zambelli disse que pretende abordar diferentes assuntos no espaço e não limitar as publicações aos acontecimentos relacionados aos processos judiciais que enfrenta. Ainda assim, a experiência na prisão foi destacada como um dos temas centrais da divulgação, com a promessa de apresentar relatos e reflexões sobre o período de detenção. A ex-parlamentar afirmou que esses conteúdos poderão interessar a quem deseja conhecer o que aconteceu durante sua permanência no sistema prisional italiano.
Ex-deputada está na Itália desde 2025
Carla Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025 e passou a viver na Itália, país onde possui cidadania. Após ser incluída na lista vermelha da Interpol, ela foi presa no fim de julho daquele ano em um apartamento e encaminhada ao presídio feminino de Rebibbia, localizado em Roma. A ex-deputada permaneceu detida por meses, até que sua liberação ocorreu em maio de 2026, depois de a Suprema Corte italiana anular decisões tomadas por instâncias inferiores da Justiça local.
A situação judicial de Zambelli envolve duas condenações definitivas no Supremo Tribunal Federal, conforme a reportagem. Em uma das ações, ela recebeu pena de dez anos de prisão por falsidade ideológica e invasão do sistema de informática do Conselho Nacional de Justiça, em um caso relacionado à produção de um mandado falso de prisão contra Alexandre de Moraes, com participação do hacker Walter Delgatti Neto. O pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro foi negado pelas autoridades italianas, que apontaram a atuação de Moraes como juiz e vítima no processo.
Na outra ação, a ex-parlamentar foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso está relacionado ao episódio ocorrido em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho no bairro dos Jardins. As duas condenações tiveram o trânsito em julgado reconhecido pelo STF, o que significa que não cabem novos recursos nos processos mencionados.
Pedido de apoio ocorre em meio a dificuldades financeiras
Ao anunciar a comunidade paga, Zambelli relacionou a arrecadação à necessidade de custear sua vida na Itália enquanto enfrenta limitações para trabalhar e receber salários por meios bancários convencionais. A ex-deputada afirmou que a ausência de uma conta em seu nome dificulta a contratação profissional, porque as regras locais exigem que a remuneração seja depositada diretamente em uma conta do trabalhador. Ela atribuiu essa condição aos bloqueios que diz terem sido determinados por Alexandre de Moraes, embora essa explicação corresponda à versão apresentada por ela no vídeo.
A iniciativa transforma os pedidos de contribuição em um modelo de assinatura, no qual os apoiadores pagam mensalmente para receber publicações reservadas e acompanhar os relatos da ex-parlamentar. O anúncio não altera as decisões judiciais brasileiras nem resolve, por si só, as restrições bancárias que Zambelli afirma enfrentar na Europa. Enquanto permanece na Itália, ela tenta obter recursos por meio da comunidade digital e afirma que continuará buscando uma oportunidade profissional ou uma solução para voltar a utilizar serviços bancários.





