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Eduardo Bolsonaro afirma que está em situação regular nos EUA durante entrevista a influenciador

Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que não tem medo de ser obrigado a deixar os Estados Unidos após a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterms. Em entrevista ao influenciador conservador americano Joey Mannarino, o ex-deputado federal declarou que sua permanência no território americano está regularizada e que eventuais iniciativas de parlamentares democratas não seriam suficientes para retirar sua autorização de residência. “Acho que eles vão tentar [medidas contra nós], mas não cabe ao Congresso, nos EUA, revogar vistos ou cidadanias”, afirmou.

A declaração foi gravada antes da participação de Eduardo na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no resort Mar-a-Lago, na Flórida, propriedade do presidente Donald Trump. O assunto ganhou relevância depois que os democratas conquistaram espaço no Congresso americano nas eleições de 3 de novembro, resultado que abriu discussões sobre possíveis mudanças na relação entre Washington e integrantes da família Bolsonaro. Questionado sobre a possibilidade de enfrentar medidas que afetem sua permanência no país, Eduardo respondeu que não se sente ameaçado pela movimentação política.

O ex-parlamentar também procurou reforçar que sua situação migratória não seria irregular e incluiu o irmão, Flávio Bolsonaro, na mesma explicação. “Eu estou 100% legal aqui, assim como meu irmão e nossa família”, declarou durante a conversa com Mannarino. A afirmação foi apresentada como argumento central para afastar a possibilidade de que a mudança na composição do Congresso americano resulte automaticamente na retirada dos brasileiros dos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro afirma que Congresso americano não pode revogar vistos

Ao comentar a possibilidade de parlamentares democratas adotarem iniciativas contra ele e seus familiares, Eduardo Bolsonaro afirmou que o Congresso dos Estados Unidos não tem competência para revogar vistos ou cidadanias. Na entrevista, o ex-deputado reconheceu que integrantes do partido vencedor podem tentar questionar a situação da família, mas argumentou que esse tipo de decisão não depende diretamente dos congressistas. “Não cabe ao Congresso, nos EUA, revogar vistos ou cidadanias”, declarou, ao explicar por que não considera provável uma saída forçada do território americano em consequência imediata do resultado eleitoral.

A fala faz referência à divisão de atribuições entre os poderes e às autoridades responsáveis pela política migratória dos Estados Unidos. Embora parlamentares possam apresentar propostas, promover debates e cobrar providências do governo, decisões administrativas relacionadas à situação migratória passam pelos órgãos competentes do Executivo e estão sujeitas às normas legais americanas. Dessa maneira, Eduardo utilizou esse argumento para sustentar que a vitória democrata no Legislativo não significa, por si só, que sua autorização de permanência será cancelada.

O ex-deputado também demonstrou confiança ao tratar da possibilidade de questionamentos políticos sobre sua presença nos Estados Unidos. “Não estou com medo disso”, afirmou, conforme o relato da entrevista, ao responder sobre eventuais medidas contra ele e sua família. A declaração indica que Eduardo não considera a mudança na composição do Congresso americano um motivo suficiente para deixar o país, embora eventuais procedimentos migratórios dependam das autoridades responsáveis e das regras aplicáveis a cada caso.

Ex-deputado compara eventual deportação à situação de refugiados

Outro trecho da entrevista chamou atenção pela comparação feita por Eduardo Bolsonaro entre uma eventual medida contra sua permanência nos Estados Unidos e a deportação de pessoas que deixam países onde enfrentam perseguição. O ex-deputado mencionou situações envolvendo mulheres que fogem de regimes como o do Irã e também citou a Venezuela para sustentar seu argumento. Ao estabelecer essa comparação, ele classificou o Brasil como uma ditadura, associando uma possível devolução de sua família ao país à situação de pessoas que, segundo sua descrição, poderiam enfrentar perseguição caso fossem obrigadas a retornar.

A comparação foi utilizada por Eduardo para defender que a discussão sobre a permanência de brasileiros nos Estados Unidos não deveria ser tratada apenas como uma disputa entre grupos políticos. Ele argumentou que pessoas que buscam proteção em outro país precisam ter sua situação considerada a partir das circunstâncias apresentadas, e não somente de suas posições ideológicas. Entretanto, a referência ao Brasil como uma ditadura representa uma avaliação política do próprio ex-deputado, e não uma classificação jurídica apresentada como fato pela entrevista.

A situação de Eduardo também precisa ser compreendida à luz dos processos judiciais que envolvem sua atuação política no Brasil. O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e teve o mandato na Câmara dos Deputados cassado por excesso de faltas, depois de permanecer fora do país. Em junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal o condenou a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, em julgamento relacionado à atuação dele junto a autoridades americanas para pressionar instituições brasileiras.

Condenação no Brasil não altera automaticamente situação migratória nos EUA

A condenação pelo Supremo Tribunal Federal constitui um elemento importante do contexto em que Eduardo Bolsonaro afirma não temer deixar os Estados Unidos. No julgamento, os ministros entenderam que ele articulou medidas junto a autoridades americanas, incluindo sanções contra integrantes do Supremo e tarifas comerciais contra o Brasil, com o objetivo de pressionar a Corte. A atuação foi relacionada ao processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, embora a situação judicial brasileira e a autorização de residência nos Estados Unidos sejam questões submetidas a procedimentos distintos.

Ao afirmar que está “100% legal” nos Estados Unidos, Eduardo apresentou sua própria versão sobre a regularidade de sua permanência e procurou afastar a possibilidade de uma retirada imediata do país após a vitória democrata. A entrevista ao influenciador Joey Mannarino ocorreu antes de sua participação na CPAC, em Mar-a-Lago, e foi divulgada em um momento de atenção sobre o futuro político da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Mesmo diante das mudanças no Congresso americano e da condenação no Brasil, o ex-deputado reiterou que não teme ser obrigado a deixar o território americano.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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