A 12 dias das eleições, eleitores têm dúvida se a disputa pela Presidência irá ou não para o 2º turno

A eleição para presidente da República em 2026 poderá ser definida já no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, caso um dos candidatos consiga mais da metade dos votos válidos. A pouco menos de duas semanas da votação, essa possibilidade passou a ser discutida em meio à proximidade registrada entre os principais nomes nas pesquisas. O cenário, porém, depende da distribuição dos votos e também da parcela de eleitores que ainda pode mudar de escolha.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos, considerando apenas os votos destinados aos concorrentes. Brancos e nulos não entram nesse cálculo, assim como as abstenções não são contabilizadas entre os votos válidos. Dessa forma, a quantidade de votos necessária para alcançar a maioria absoluta varia conforme o comparecimento dos eleitores e o volume de votos considerados válidos.
A discussão ganhou força após a divulgação de uma nova pesquisa Quaest, realizada entre 17 e 20 de setembro com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais. No cenário de primeiro turno, Lula apareceu com 37% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 33%, seguidos por Augusto Cury, com 6%, Ronaldo Caiado, com 4%, e Renan Santos, com 3%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O que precisa acontecer para haver decisão no primeiro turno
A regra eleitoral estabelece que a maioria absoluta dos votos válidos é necessária para encerrar a disputa presidencial na primeira votação. Portanto, mesmo que um candidato termine à frente dos demais, a eleição segue para o segundo turno se nenhum deles ultrapassar a metade dos votos válidos. Em 2026, caso isso ocorra, a segunda votação está prevista para 25 de outubro.
Além dos votos recebidos pelos candidatos, as campanhas acompanham os índices de votos brancos, nulos e de abstenção. Esses fatores interferem na quantidade absoluta de votos necessária para alcançar a maioria dos votos válidos, embora não representem votos atribuídos a nenhum candidato. Por isso, a matemática da eleição não pode ser calculada apenas pela porcentagem apresentada nas pesquisas de intenção de voto.
A pesquisa Quaest também mostrou uma redução da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro em relação ao levantamento anterior. Em 14 de setembro, Lula tinha 36% e Flávio aparecia com 31%, enquanto Augusto Cury registrava 7%, Ronaldo Caiado e Renan Santos tinham 4% cada e Romeu Zema aparecia com 2%. Na rodada divulgada em 21 de setembro, Lula passou a 37% e Flávio a 33%, enquanto os demais candidatos oscilaram dentro do quadro apresentado pelo levantamento.
Pesquisa mostra cenário próximo entre os candidatos
No segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a Quaest registrou 42% para Flávio e 41% para Lula. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os números ficam dentro de uma faixa de sobreposição estatística. O levantamento também apontou 14% de brancos, nulos ou eleitores que disseram não votar, além de 3% de indecisos nesse cenário.
A pesquisa indicou ainda que 79% dos entrevistados consideravam definitiva a escolha do candidato, enquanto 21% disseram que ainda poderiam mudar de voto. Esse dado é acompanhado pelas campanhas porque a reta final da eleição pode concentrar mudanças entre eleitores que ainda não consolidaram sua decisão. O levantamento, contudo, representa a situação encontrada entre os entrevistados no período de 17 a 20 de setembro, e não o resultado da votação de outubro.
Em análise citada pelo Estado de Minas, Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, avaliou que a definição da eleição no primeiro turno ainda era muito improvável. Segundo ele, uma eventual migração de votos poderia ocorrer nos últimos dias, principalmente entre eleitores que avaliam quais candidatos têm condições de avançar na disputa. Russo também destacou que os candidatos que aparecem com percentuais menores precisariam perder uma parcela relevante de seus eleitores para alterar significativamente o quadro.
Reta final será marcada pela movimentação dos eleitores
A reta final da campanha poderá ser influenciada pelos debates, pela exposição dos candidatos e pela movimentação dos eleitores que ainda não consideram sua escolha definitiva. Segundo a análise apresentada por Russo, a chamada migração de votos é um fenômeno observado com frequência nos últimos dias das eleições. O comportamento desse grupo poderá alterar os percentuais registrados nas pesquisas antes da votação.
Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos válidos em 4 de outubro, os dois mais votados avançarão para o segundo turno. A nova votação está marcada para 25 de outubro, quando será considerado eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos. Até lá, pesquisas eleitorais continuarão registrando a intenção de voto dos eleitores em diferentes momentos da campanha.





