A campanha de Lula no 2º turno vem surtindo efeito e ele tem crescido nas últimas pesquisas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu a diferença em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial de 2026, aumentando a pressão sobre a campanha adversária. Levantamentos divulgados nos dias 15 e 16 de outubro mostraram uma disputa mais apertada, com resultados que apontam empate técnico entre os dois candidatos dentro das respectivas margens de erro. A mudança no cenário eleitoral levou a campanha de Flávio a redobrar a atenção sobre as estratégias de comunicação, mobilização de apoiadores e conquista dos eleitores indecisos.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro, Flávio apareceu com 47% das intenções de voto no total do eleitorado, enquanto Lula registrou 45%, uma diferença de dois pontos percentuais. Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o senador marcou 51%, contra 49% do presidente, resultado que configura empate técnico diante da margem de erro de dois pontos. Na semana anterior, a vantagem de Flávio nos votos válidos era de quatro pontos, com 52% contra 48%, indicando redução da distância entre os concorrentes.
Outro levantamento, realizado pelo PoderData em parceria com o Aya Bancah e divulgado em 16 de outubro, mostrou os dois candidatos empatados com 50% dos votos válidos cada um. A pesquisa ouviu 3 mil pessoas entre os dias 13 e 15 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Os resultados reforçaram a importância da reta final da campanha, quando Lula e Flávio precisam manter suas bases eleitorais e tentar conquistar os votos necessários para vencer a votação marcada para 25 de outubro.
Mobilização de Lula e mudanças na campanha alteram o cenário
A análise publicada pelo iG atribui parte da reação de Lula à retomada das mobilizações presenciais e à reorganização da estratégia de comunicação do PT. Depois do primeiro turno, a campanha petista intensificou a participação de apoiadores em atos públicos e passou a investir em formatos digitais voltados a diferentes públicos, especialmente os eleitores mais jovens. O presidente também começou a participar com maior frequência de gravações curtas para as redes sociais, incluindo vídeos verticais feitos com o celular.
A mudança na coordenação política também ganhou importância durante o segundo turno, com o senador Camilo Santana (PT-CE) assumindo papel de destaque na reorganização da campanha. A estratégia passou a enfatizar temas econômicos, direitos dos trabalhadores e possíveis consequências das propostas apresentadas pelo adversário, buscando ampliar o diálogo com eleitores que ainda não decidiram seu voto. Ao mesmo tempo, o grupo de Lula intensificou a presença nas redes sociais e a distribuição de conteúdos destinados a mobilizar apoiadores e responder às críticas da oposição.
Outro fator que entrou no debate foi a aprovação de medidas econômicas e trabalhistas durante o período eleitoral. Entre elas está a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, tema que ganhou visibilidade nacional e foi associado pela campanha petista à defesa dos direitos dos trabalhadores. O governo também divulgou iniciativas econômicas e benefícios destinados à população, enquanto a oposição questionou os custos e os possíveis efeitos dessas medidas sobre as contas públicas.
Flávio Bolsonaro reage e tenta recuperar espaço na disputa
Diante da redução da diferença nas pesquisas, a campanha de Flávio Bolsonaro passou a enfrentar o desafio de evitar a perda de impulso registrada em alguns levantamentos recentes. A equipe do senador tem intensificado a divulgação de propostas e a mobilização de apoiadores, além de responder a conteúdos críticos que circulam nas redes sociais. A disputa digital também se tornou uma preocupação para os aliados do candidato, que acompanham o crescimento de grupos favoráveis a Lula e procuram ampliar a distribuição de mensagens de sua própria campanha.
Flávio também tem procurado direcionar o debate para temas de segurança pública e endurecimento das punições criminais, áreas tradicionalmente exploradas pelo campo político bolsonarista. Durante a entrevista ao Jornal Nacional, o senador e candidato apresentou suas posições sobre assuntos nacionais, enquanto Lula também foi questionado sobre propostas relacionadas à maioridade penal e à segurança. A estratégia busca manter a atenção dos eleitores sobre diferenças entre os projetos políticos dos dois concorrentes, em uma fase na qual cada declaração pode repercutir nas discussões eleitorais.
Além disso, a campanha do PL enfrenta o desafio de responder às críticas sobre suas propostas econômicas e esclarecer medidas relacionadas à redução de despesas públicas. Integrantes da equipe de Flávio têm defendido ajustes nos gastos do governo, enquanto adversários questionam como eventuais cortes poderiam afetar serviços e políticas sociais. Com a disputa mais apertada em parte das pesquisas, a apresentação dessas propostas e a capacidade de convencer eleitores fora das bases tradicionais ganham relevância na estratégia eleitoral.
Pesquisas mostram disputa apertada antes do segundo turno
Os levantamentos mais recentes indicam que a diferença entre Lula e Flávio diminuiu em algumas pesquisas, mas os números variam conforme o instituto, o período de entrevistas e a metodologia utilizada. O Datafolha mostrou empate técnico nos votos válidos, enquanto o PoderData/Aya registrou 50% para cada candidato nessa mesma base de comparação. Por isso, os resultados precisam ser interpretados considerando as margens de erro e as datas em que as entrevistas foram realizadas, sem tratar oscilações isoladas como garantia de vitória.
A reta final também coloca os eleitores indecisos e aqueles que votaram em candidatos eliminados no primeiro turno entre os públicos disputados pelas duas campanhas. Lula e Flávio precisam apresentar suas propostas, responder às críticas e estimular a participação de seus apoiadores na votação, prevista para 25 de outubro. Os próximos dias devem concentrar novos atos políticos, entrevistas e debates, que servirão como oportunidades para os candidatos reforçarem suas mensagens antes da decisão nas urnas.
O cenário apresentado pelas pesquisas ajuda a explicar por que a campanha de Flávio Bolsonaro passou a acompanhar com maior atenção a recuperação numérica de Lula, enquanto o presidente tenta transformar a aproximação em apoio efetivo nas urnas. Embora os levantamentos mostrem uma disputa acirrada, eles representam retratos das intenções de voto no período das entrevistas e não antecipam o resultado definitivo da eleição. Com o segundo turno se aproximando, a mobilização dos eleitores, a repercussão das propostas e o desempenho dos candidatos nos compromissos públicos serão elementos centrais da última etapa da campanha presidencial.





