Ex-presidente Jair Bolsonaro já fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes

Jair Bolsonaro voltou ao centro das discussões políticas neste 7 de Setembro de 2026 por causa de um episódio ocorrido durante uma manifestação na Avenida Paulista, em 2021. Naquele ano, o então presidente fez um duro discurso contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e chegou a chamá-lo de “canalha”. O episódio ganhou novamente repercussão porque, cinco anos depois, Moraes voltou a ser um dos principais alvos dos atos organizados pela direita no feriado da Independência.
Em 7 de setembro de 2021, Bolsonaro afirmou diante de apoiadores que não cumpriria determinadas decisões de Moraes. Na ocasião, o então presidente declarou que o ministro ainda teria tempo para arquivar inquéritos, mas afirmou que esse prazo havia terminado. Em seguida, Bolsonaro pediu publicamente que Moraes deixasse de oprimir e censurar o povo brasileiro.
A declaração ocorreu em um momento de forte tensão entre o Palácio do Planalto e o Supremo, com ataques frequentes de Bolsonaro a ministros da Corte. Posteriormente, o próprio Bolsonaro divulgou uma nota na qual afirmou que suas palavras haviam sido proferidas no calor do momento e disse reconhecer as qualidades de Moraes como jurista e professor. Ainda assim, o discurso da Paulista permaneceu como um dos episódios mais marcantes da escalada de tensão entre o ex-presidente e o STF.
Jair Bolsonaro já chamou Moraes durante crise institucional
O discurso de 2021 ocorreu em meio a uma disputa política e institucional que envolvia decisões judiciais, investigações e críticas de Bolsonaro ao funcionamento do Supremo. Naquele momento, o presidente sustentava que determinadas decisões de Moraes ultrapassavam os limites de atuação do Judiciário e atingiam sua base política. Por isso, a manifestação do 7 de Setembro foi transformada em uma demonstração pública de confronto com a Corte.
Durante a fala na Paulista, Bolsonaro também afirmou que uma única pessoa não poderia “turvar” a democracia e ameaçar a liberdade. Em seguida, dirigiu-se diretamente a Moraes e disse que ele deveria deixar de ser “canalha”, expressão que passou a ser associada ao episódio. O discurso foi feito diante de uma multidão de apoiadores e teve forte repercussão política naquele momento.
Anos depois, o episódio voltou a ser lembrado durante o julgamento da ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado. Em 2025, Moraes citou os discursos de 7 de Setembro de 2021 como parte do contexto que, segundo sua avaliação, demonstrava uma ofensiva contra o Supremo e contra a ordem democrática. Dessa maneira, as declarações feitas na Paulista passaram a integrar também o debate jurídico sobre a atuação de Bolsonaro naquele período.
Jair Bolsonaro já chamou Moraes e discurso volta ao debate
A lembrança do episódio ganhou novo significado em 2026 porque Alexandre de Moraes novamente aparece como alvo central das manifestações organizadas pelo grupo político ligado ao bolsonarismo. O ato previsto para esta segunda-feira, 7 de setembro, na Avenida Paulista, tem como principais motes “Fora Lula” e “Fora Moraes”. A manifestação é organizada pelo PL de São Paulo e deve contar com discursos de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e outras lideranças da direita.
Diferentemente de 2021, Jair Bolsonaro não poderá participar presencialmente dos atos deste ano. O ex-presidente cumpre prisão e permanece em prisão domiciliar, com restrições determinadas pelo Supremo, enquanto seu filho Flávio Bolsonaro assumiu o protagonismo político da mobilização marcada para a Paulista. Segundo informações divulgadas pelo Poder360, Flávio continua impedido de visitar o pai até 11 de outubro, uma semana depois do primeiro turno das eleições.
O contexto político de 2026 também apresenta uma disputa eleitoral diretamente relacionada ao legado de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro pretende utilizar a mobilização do 7 de Setembro para demonstrar capacidade de reunir apoiadores e consolidar sua candidatura à Presidência da República. Assim, a retomada de antigas críticas a Moraes ocorre em um cenário no qual o confronto com o STF voltou a ocupar espaço importante no discurso da direita.
7 de Setembro revive confronto entre Bolsonaro e Moraes
A comparação entre os atos de 2021 e 2026 mostra como a relação entre o bolsonarismo e Alexandre de Moraes continua marcada por forte antagonismo. Em 2021, Bolsonaro estava no exercício da Presidência e utilizou um grande ato público para confrontar diretamente o ministro, enquanto em 2026 seu grupo político mantém Moraes entre os principais alvos das manifestações. O cenário mudou, mas a disputa em torno do Supremo permanece como uma das principais bandeiras mobilizadoras da direita.
O episódio em que Jair Bolsonaro chamou Moraes de “canalha”, portanto, voltou ao debate justamente quando novos atos contra o ministro foram programados para o 7 de Setembro. A diferença é que, desta vez, Bolsonaro acompanha a mobilização à distância, enquanto Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e outras lideranças assumem a condução política das manifestações. O passado recente, desse modo, continua sendo utilizado para alimentar uma disputa que mistura campanha eleitoral, oposição ao governo Lula e críticas à atuação do STF.





