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A primeira-dama, Janja da Silva, disse que por causa da negligência de Jair Bolsonaro, sua mãe faleceu em 2020

A primeira-dama Janja Lula da Silva responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro pela morte de sua mãe durante a pandemia de Covid-19, em uma declaração divulgada nas redes sociais no domingo, 18 de outubro de 2026. O relato foi publicado durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputa a votação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. Segundo reportagem do Poder360, a manifestação de Janja integrou uma estratégia de comunicação da campanha petista que voltou a destacar as consequências da crise sanitária no Brasil.

No vídeo, Janja contou que sua mãe foi internada por outro problema de saúde, contraiu o coronavírus no hospital e morreu em decorrência da infecção. A primeira-dama relatou que já havia se preparado emocionalmente para perder a mãe, que tinha Alzheimer, diante do avanço da doença neurológica, mas não esperava que a Covid-19 provocasse sua morte. Ela também recordou a impossibilidade de se despedir da familiar e descreveu a experiência como uma lembrança dolorosa que permanece presente.

Ao comentar o período da pandemia, Janja atribuiu a Bolsonaro responsabilidade pelas mortes e criticou a condução da crise pelo governo federal da época. Entre os pontos mencionados por ela estavam a postura do então presidente diante da ciência, a indicação de medicamentos que foram criticados por autoridades sanitárias e suspeitas de corrupção relacionadas à compra de vacinas. A primeira-dama afirmou que não esqueceria o que aconteceu no país e pediu que a população mantivesse na memória as experiências vividas durante a emergência de saúde pública.

Janja relata perda da mãe e critica atuação do governo Bolsonaro

No depoimento publicado nas redes sociais, Janja explicou que a mãe, Vani Terezinha Ferreira, morreu em outubro de 2020, após contrair Covid-19. A primeira-dama afirmou que a internação havia ocorrido inicialmente por outro problema de saúde e que a infecção pelo coronavírus mudou o desfecho da situação. O relato também destacou a dificuldade de enfrentar o luto sem a possibilidade de uma despedida presencial, em razão das circunstâncias relacionadas à doença.

Janja declarou que a mãe tinha Alzheimer e que, diante do avanço do quadro, havia considerado a possibilidade de perdê-la em decorrência da enfermidade neurológica. No entanto, segundo a primeira-dama, a contaminação pelo coronavírus provocou uma perda que ela não esperava daquela maneira. Ao recordar o momento final, afirmou que viu a mãe pela última vez dentro de um saco preto e que não conseguiu se despedir, destacando o impacto pessoal da pandemia sobre sua família.

A primeira-dama também relacionou sua experiência às decisões e declarações de Bolsonaro durante a emergência sanitária. Em sua avaliação, a postura do ex-presidente diante da ciência, a defesa de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar a Covid-19 e as denúncias relacionadas à aquisição de vacinas fizeram parte dos problemas enfrentados pelo país. Essas afirmações foram apresentadas por Janja em seu depoimento e expressam a responsabilização política que ela atribuiu ao antigo governo pela condução da pandemia.

Pandemia volta ao centro da campanha presidencial

A divulgação do vídeo ocorreu poucas horas antes do primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, transmitido pela Band no domingo, 18 de outubro. De acordo com o Poder360, a campanha petista voltou a utilizar o tema da pandemia para criticar a atuação de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária e associar o assunto à disputa eleitoral atual. A iniciativa também buscou estimular a divulgação de relatos pessoais de brasileiros que perderam familiares durante o período.

Além do depoimento de Janja, a campanha de Lula divulgou um vídeo de Déa Lúcia Amaral, mãe do humorista Paulo Gustavo, que morreu em 2021 após complicações provocadas pela Covid-19. Na gravação, ela pediu votos para o presidente e recordou a morte do filho, cuja internação e evolução clínica foram acompanhadas publicamente durante a pandemia. A utilização desses relatos colocou histórias de perdas familiares entre os temas abordados pela comunicação eleitoral na reta final da campanha.

No vídeo, Janja afirmou que a disputa eleitoral não deveria ser vista apenas como uma divisão entre esquerda e direita, mas também a partir de questões relacionadas às famílias brasileiras e à memória da pandemia. Ela pediu que outras pessoas que perderam parentes compartilhassem suas experiências e alertou para os riscos que, em sua avaliação, poderiam surgir diante de uma nova emergência sanitária sob um governo ligado à família Bolsonaro. A manifestação integrou a estratégia de comunicação do segundo turno, em que os dois lados têm recorrido a episódios do passado para apresentar críticas aos adversários.

Declarações sobre as mortes por Covid-19 entram no debate eleitoral

Na legenda que acompanhou a publicação, Janja afirmou que mais de 700 mil pessoas morreram no Brasil por causa da Covid-19 e atribuiu as mortes à negligência do governo Bolsonaro. O número mencionado corresponde ao total acumulado de óbitos registrados no país durante a pandemia, enquanto a responsabilização política apresentada no vídeo constitui a avaliação expressa pela primeira-dama. A declaração retomou um tema que permanece presente nas discussões públicas sobre as decisões adotadas pelas autoridades federais durante a crise sanitária.

A publicação também recuperou a experiência pessoal de Janja para defender que as consequências da pandemia não sejam esquecidas durante a campanha presidencial de 2026. Ao incentivar outras famílias a contar suas histórias, a primeira-dama associou a memória das vítimas à discussão sobre a atuação dos governantes em situações de emergência de saúde pública. O vídeo foi divulgado no contexto da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, a uma semana do segundo turno marcado para 25 de outubro, e colocou novamente a condução da pandemia no centro das críticas políticas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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