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ACM Neto é citado pela PF em investigação da Overclean; entenda as suspeitas

PF aponta ACM Neto como líder de organização criminosa de esquema em MG

A Polícia Federal colocou o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, no centro de uma investigação da Operação Overclean, que apura suspeitas de fraudes em contratações públicas e desvio de recursos. Segundo os investigadores, o político teria exercido uma posição de liderança dentro de uma estrutura que buscaria obter vantagens econômicas por meio de contratos públicos supostamente direcionados ou superfaturados. As conclusões, porém, fazem parte de uma investigação em andamento e não representam uma condenação. Além disso, um pedido de busca e apreensão contra Neto foi rejeitado pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), apesar de manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

PF aponta ACM Neto a partir de elementos da Operação Overclean

A investigação ganhou novos contornos com a décima fase da Operação Overclean, deflagrada em 17 de setembro de 2026. Nessa etapa, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, incluindo Minas Gerais e Bahia. O foco principal passou a ser a apuração de possíveis irregularidades em contratos ligados à Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, firmados entre 2024 e 2025. Conforme informado pela PF, pelo menos três procedimentos analisados resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Portanto, embora o caso tenha dimensões nacionais, Belo Horizonte se tornou um dos principais pontos examinados nessa frente da operação.

Relação entre ACM Neto e o empresário Marcos Moura

Um dos elementos destacados pelos investigadores é a relação entre ACM Neto e José Marcos de Moura, empresário conhecido como “Rei do Lixo” e um dos principais investigados na Overclean. De acordo com informações apresentadas na investigação, foram identificadas 232 chamadas entre os dois no período de agosto a dezembro de 2024. A PF também examinou contatos realizados em momentos próximos a movimentações financeiras investigadas, incluindo um episódio relacionado ao transporte de aproximadamente R$ 5 milhões em dinheiro vivo. Esses registros, isoladamente, não comprovam a prática de um crime, mas foram utilizados pelos investigadores como parte do conjunto de elementos que motivou novas diligências.

O papel de Bruno Barral na investigação em Belo Horizonte

Outro personagem relevante é Bruno Oitaven Barral, que ocupou a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte e anteriormente havia comandado a mesma pasta durante a administração de ACM Neto em Salvador. Segundo a linha investigativa divulgada pela PF, a nomeação de Barral para a estrutura da capital mineira passou a ser analisada como possível elo entre grupos políticos, agentes públicos e empresários investigados. A corporação apura se indicações para cargos estratégicos teriam sido utilizadas para facilitar o direcionamento de licitações e contratos. Assim, a investigação não se limita à relação pessoal entre políticos e empresários: também procura identificar como decisões administrativas poderiam ter sido utilizadas, em tese, para favorecer determinadas empresas. Barral já havia sido afastado do cargo em uma fase anterior da Overclean.

Organização investigada teria movimentado valores bilionários

A Operação Overclean investiga uma estrutura mais ampla do que os contratos atualmente analisados em Belo Horizonte. Segundo informações divulgadas durante as diferentes fases da operação, a organização investigada teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos considerados suspeitos, envolvendo fraudes em licitações, possíveis desvios de recursos públicos, lavagem de dinheiro e outros delitos. Em agosto de 2026, Marcos Moura e outras 24 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal em uma das frentes da apuração. Dessa maneira, o caso passou a abranger diferentes municípios, empresas e agentes públicos, com suspeitas relacionadas inclusive à destinação de recursos provenientes de emendas parlamentares. É importante destacar, contudo, que indiciamento e investigação não equivalem a condenação: a responsabilidade criminal precisa ser demonstrada no curso do processo e submetida à apreciação judicial.

Pedido de busca contra ACM Neto foi rejeitado pelo STF

Apesar das suspeitas apresentadas pela Polícia Federal, ACM Neto não foi alvo das buscas realizadas na décima fase da operação. A PF havia solicitado ao STF autorização para realizar busca e apreensão contra o político e também apresentou pedido relacionado ao bloqueio de bens. A PGR, sob comando do procurador-geral Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente às diligências. No entanto, o ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no Supremo, decidiu não autorizar a medida contra Neto por considerar insuficiente a base jurídica apresentada para justificar a busca. Ao mesmo tempo, outras diligências contra investigados foram autorizadas para a coleta de documentos, dispositivos eletrônicos e demais elementos que possam esclarecer os fatos.

ACM Neto nega irregularidades e fala em interferência eleitoral

Em resposta às acusações, ACM Neto negou envolvimento com as irregularidades investigadas e afirmou que a divulgação das suspeitas representaria uma tentativa de interferir na eleição para o governo da Bahia. Segundo sua assessoria, o nome do candidato estaria sendo associado indevidamente a fatos com os quais ele não teria relação. O político também destacou que a decisão de Nunes Marques rejeitou a busca solicitada pela PF, interpretação que sua equipe considera relevante para contestar as suspeitas. Por outro lado, a Polícia Federal mantém a apuração sobre os elementos reunidos no inquérito, e a decisão judicial que rejeitou a busca não equivale, por si só, a uma declaração de inocência ou ao encerramento da investigação. Portanto, versões de investigadores, defesa e Judiciário precisam ser apresentadas separadamente para que o leitor compreenda o estágio real do caso.

O que acontece agora com a investigação

O principal ponto daqui para frente será verificar se os elementos já reunidos pela Polícia Federal serão suficientes para sustentar outras medidas judiciais ou, eventualmente, novas acusações. Para isso, documentos, mensagens, registros financeiros, contratos e depoimentos poderão ser confrontados ao longo da investigação. Ao mesmo tempo, a negativa do pedido de busca contra ACM Neto estabelece um limite importante para as medidas cautelares autorizadas contra ele nesta etapa, mas não elimina automaticamente as suspeitas descritas pela PF. Como o caso envolve contratos públicos, agentes políticos, empresários e uma eleição estadual em andamento, a divulgação de informações precisa ser acompanhada de cautela, sobretudo porque alegações investigativas não possuem o mesmo peso jurídico de uma decisão condenatória. Assim, a Operação Overclean continua sendo acompanhada pelas autoridades, enquanto caberá ao Judiciário avaliar, conforme novas provas sejam apresentadas, a consistência das hipóteses levantadas pelos investigadores.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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