Ricardo Salles abandona corrida ao Senado e muda cenário da direita em SP

Ricardo Salles desiste da candidatura ao Senado para apoiar Derrite e André
Ricardo Salles desiste da candidatura e muda disputa em São Paulo
O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) anunciou nesta segunda-feira (28) que não seguirá na disputa por uma das duas vagas ao Senado por São Paulo e declarou apoio às candidaturas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). A decisão foi comunicada na reta final das eleições de 2026, durante uma agenda ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e dos dois candidatos apoiados por ele. Com isso, uma candidatura que vinha sendo apresentada de maneira independente dentro do campo político de direita foi retirada da disputa. Segundo informações divulgadas após o anúncio, Tarcísio afirmou que a decisão foi tomada para fortalecer as demais candidaturas e buscar a ocupação das duas cadeiras que estarão em jogo no estado.
Ricardo Salles desiste da candidatura após meses de disputa interna
A decisão encerra uma trajetória eleitoral marcada por divergências entre diferentes grupos da direita paulista. Salles, que atualmente exerce mandato de deputado federal pelo Novo e foi ministro do Meio Ambiente durante o governo Jair Bolsonaro, havia lançado sua candidatura ao Senado de maneira independente da composição apoiada por Tarcísio. Desde então, o parlamentar disputava espaço principalmente com Derrite e André do Prado pelo eleitorado identificado com a direita. Além disso, Salles e Derrite chegaram a construir uma aproximação política durante a campanha, inclusive com uma espécie de aliança informal voltada à divisão de áreas de influência entre os dois. Por outro lado, Salles manteve críticas públicas a André do Prado durante boa parte da campanha, o que torna o anúncio de apoio ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo uma mudança relevante no posicionamento eleitoral.
Quem são Derrite e André do Prado
Guilherme Derrite é deputado federal por São Paulo e ocupou anteriormente o cargo de secretário estadual da Segurança Pública durante a gestão de Tarcísio. André do Prado, por sua vez, é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Os dois foram escolhidos pelo grupo político ligado ao governador para concorrer às duas vagas do Senado que estarão disponíveis no estado em 2026. Dessa forma, a decisão de Salles aproxima três nomes que, durante os meses anteriores, estiveram em diferentes posições dentro da disputa. Além disso, a articulação ocorre em um momento no qual a eleição paulista apresenta grande quantidade de votos ainda não definidos. No Datafolha divulgado em 24 de setembro, Marina Silva tinha 15%, Simone Tebet aparecia com 14%, enquanto Derrite e André do Prado registravam 12% cada; Salles tinha 4%.
Ricardo Salles desiste da candidatura em uma eleição com duas vagas
Um dos pontos fundamentais para entender a decisão é o funcionamento da eleição para o Senado em 2026. Diferentemente da escolha para deputado, o eleitor paulista terá de votar em dois candidatos ao Senado, porque duas cadeiras serão renovadas neste pleito. Os dois nomes mais votados serão eleitos, sem segundo turno. Portanto, a existência de duas vagas permite que diferentes candidatos busquem acordos para estimular o chamado segundo voto entre seus respectivos eleitorados. Nesse contexto, a retirada de uma candidatura pode alterar a distribuição dos apoios políticos e da campanha nos últimos dias. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo orienta que o eleitor registre dois candidatos diferentes na urna; caso o mesmo número seja digitado nas duas oportunidades, o segundo voto será anulado. A votação ocorrerá em 4 de outubro.
Pesquisas mostram disputa aberta pelo Senado paulista
A situação eleitoral de São Paulo ajuda a contextualizar por que a composição das candidaturas ganhou tanta importância na reta final. Além do Datafolha, levantamento Vox Brasil divulgado em 25 de setembro registrou Guilherme Derrite com 28,2%, André do Prado com 26,6%, Marina Silva com 25,9% e Simone Tebet com 23,1%, todos dentro de um intervalo determinado pela margem de erro de 2,55 pontos percentuais. Ricardo Salles aparecia com 11,5% nesse levantamento, enquanto 39,8% dos entrevistados permaneciam indecisos. Já o Datafolha apontava 15% de eleitores indecisos na pesquisa estimulada e 61% sem candidato definido na pergunta espontânea. Os números, portanto, mostram que havia um contingente relevante de eleitores ainda sem decisão consolidada. Por isso, a retirada de Salles modifica a configuração da disputa, mas não permite concluir antecipadamente como seus antigos eleitores se distribuirão.
Apoio de Salles a Derrite e André altera a estratégia da direita
A mudança também representa uma nova etapa na tentativa de coordenação das candidaturas alinhadas ao governador Tarcísio de Freitas. Durante a campanha, Salles havia apresentado críticas a André do Prado e defendido que seu nome e o de Derrite representariam uma determinada parcela do eleitorado de direita. Em debates realizados em setembro, os três candidatos estiveram envolvidos em diferentes momentos de aproximação e confronto. Derrite, inclusive, declarou antes da desistência que tinha admiração por Salles, embora mantivesse o compromisso político de apoiar Prado como seu segundo voto. Agora, com Salles fora da disputa, o apoio formal aos dois candidatos modifica a relação construída durante a campanha. Ainda assim, não é possível afirmar automaticamente que os votos anteriormente destinados a Salles serão transferidos integralmente para Derrite e Prado, pois cada eleitor poderá tomar sua própria decisão diante da nova configuração eleitoral.
O que acontece agora com a candidatura de Salles?
A decisão política anunciada nesta segunda-feira ainda precisa ser distinguida dos procedimentos formais da Justiça Eleitoral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a renúncia de uma candidatura produz efeitos jurídicos depois de ser formalmente apresentada e homologada pela autoridade eleitoral competente. Além disso, o calendário de 2026 estabeleceu 14 de setembro como data-limite geral para pedidos de substituição de candidaturas, com exceções previstas em lei, especialmente em caso de falecimento. Por isso, como o anúncio de Salles ocorre em 28 de setembro, qualquer consequência sobre registro, urna e eventual substituição precisa ser analisada conforme o procedimento formal adotado pelo partido e pela Justiça Eleitoral. Independentemente dessa etapa jurídica, porém, o fato político já está definido: Salles retirou sua candidatura da disputa e passou a apoiar Derrite e André do Prado, enquanto a eleição para as duas vagas do Senado em São Paulo entra nos últimos dias antes da votação.





