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Aliados de Flávio Bolsonaro procuraram alertá-lo para o risco de algumas declarações neste segundo turno

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) demonstraram preocupação com o tom adotado pelo candidato no início do segundo turno da eleição presidencial. Segundo o blog do jornalista Valdo Cruz, do G1, interlocutores próximos ao senador avaliam que declarações recentes podem transmitir uma imagem de excesso de confiança. O alerta ocorre principalmente por causa das falas sobre mudanças na Constituição e do chamado clima de “já ganhou”.

A preocupação ganhou força depois de uma declaração feita por Flávio na terça-feira, 6 de outubro, durante um evento em Goiânia ao lado do ex-governador Ronaldo Caiado. Na ocasião, o candidato afirmou que uma eventual maioria de direita no Congresso permitiria mudanças na Constituição com o objetivo, segundo suas próprias palavras, de “redemocratizar o país”. A fala passou a ser considerada por aliados como um ponto que exigiria maior cautela na comunicação da campanha.

De acordo com os interlocutores ouvidos por Valdo Cruz, Flávio teria adotado em Goiânia uma postura de quem já começava a planejar medidas de um eventual governo. A avaliação interna é de que a vantagem obtida no primeiro turno não garante o resultado do segundo turno e ainda pode ser modificada durante a campanha. Por isso, aliados passaram a defender que o candidato evite transmitir a impressão de que a eleição já está definida.

Mudança na Constituição provoca reação entre aliados de Flávio

A principal preocupação dos aliados está relacionada à expressão usada por Flávio ao falar sobre a possibilidade de mudar a Constituição. A declaração foi explorada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passou a associar a fala a um risco de medidas autoritárias. Interlocutores do candidato do PL, porém, procuraram reduzir essa interpretação e afirmaram que não existe intenção de adotar medidas fora dos limites constitucionais.

Segundo a explicação apresentada por aliados, a referência a uma maioria de direita no Congresso estaria relacionada à possibilidade de aprovação de propostas que dependem de deputados e senadores. Entre os temas mencionados estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e mudanças no funcionamento do Judiciário. Essas medidas exigiriam articulação política no Legislativo e, no caso de alterações constitucionais, o cumprimento do procedimento específico previsto para emendas à Constituição.

Os aliados também lembraram que a Constituição estabelece limites para as mudanças que podem ser realizadas por meio de emendas. As chamadas cláusulas pétreas incluem, entre outros pontos, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais. A argumentação apresentada pelos interlocutores de Flávio é que propostas de alteração constitucional precisariam respeitar esses limites.

Campanha de Flávio tenta evitar clima de “já ganhou”

Outro alerta feito por aliados envolve o comportamento da campanha na fase decisiva da eleição presidencial. Embora Flávio tenha terminado o primeiro turno à frente de Lula, os interlocutores citados por Valdo Cruz destacaram que a diferença ainda pode ser alterada até a votação do segundo turno. A recomendação, portanto, é evitar uma postura que transmita certeza antecipada sobre o resultado.

A preocupação também está relacionada à disputa pelos votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno. Flávio iniciou essa etapa da eleição buscando ampliar seus apoios entre lideranças políticas de direita e recebeu, em Goiânia, a declaração de apoio de Ronaldo Caiado. Na sequência, outras alianças passaram a ser discutidas pela campanha, aumentando a importância da estratégia adotada para conquistar novos eleitores.

Nesse cenário, a orientação de aliados é para que Flávio mantenha uma comunicação concentrada nas propostas e evite declarações que possam gerar interpretações diferentes das pretendidas pela campanha. O objetivo apontado pelos interlocutores é impedir que discussões sobre mudanças constitucionais desviem o foco da disputa eleitoral. A cautela também busca evitar que o candidato seja associado a uma intenção que seus próprios aliados dizem não existir.

Flávio passa a explicar propostas para um eventual governo

A discussão sobre a Constituição ocorre paralelamente à apresentação de propostas que Flávio afirma pretender levar adiante caso seja eleito. Entre elas estão mudanças no Judiciário, o fim da reeleição e a redução da maioridade penal, temas que podem exigir aprovação do Congresso para serem implementados. A composição do Legislativo, portanto, passou a ser apresentada pelo candidato como um fator importante para a execução de sua agenda.

Ronaldo Caiado também declarou ao UOL que concorda com a afirmação de Flávio sobre a possibilidade de mudanças constitucionais. Segundo Caiado, ele interpretou a fala como uma referência a propostas relacionadas ao equilíbrio fiscal, ao combate ao crime organizado e à definição de limites para o Supremo Tribunal Federal. A manifestação do ex-governador ocorreu depois do encontro em Goiânia, no qual ele declarou apoio à candidatura de Flávio no segundo turno.

Com isso, o discurso sobre uma eventual mudança na Constituição passou a ocupar espaço no debate do segundo turno, ao mesmo tempo em que aliados de Flávio recomendam cautela diante da disputa ainda em andamento. A preocupação relatada pelo G1 é que declarações sobre medidas futuras e uma postura de “já ganhou” possam produzir efeitos políticos antes da conclusão da eleição. Flávio terá agora de conciliar a apresentação de suas propostas com a estratégia de ampliar apoios e disputar os votos que estarão em jogo no segundo turno.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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