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As polêmicas que ainda rondam as últimas pesquisas Quaest e Datafolha

Nas últimas horas, os dois maiores institutos de pesquisa eleitoral do país, Quaest e Datafolha, passaram a ser amplamente discutidos nas redes sociais e na imprensa em razão de detalhes metodológicos apresentados em seus levantamentos mais recentes sobre a disputa presidencial. A poucos dias do segundo turno, os debates chamam atenção para a forma como os números são interpretados — e também para a diferença entre dados brutos e resultados divulgados.

Quaest: salto de indecisos é o ponto central

A pesquisa da Quaest, divulgada na quarta-feira, 21 de outubro, mostrou um crescimento expressivo no número de eleitores que ainda não declararam seu voto. Em apenas uma semana, o percentual de indecisos saltou de 7% para 14% — ou seja, dobrou justamente na reta final, quando se espera que a maioria dos eleitores já tenha definido sua escolha. Consequentemente, o cenário passou de uma leve vantagem numérica de Flávio Bolsonaro para um empate absoluto: 40% a 40% na intenção estimulada. Os questionamentos surgiram principalmente entre apoiadores do candidato do PL.

Para Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, o fenômeno reflete um movimento real do eleitorado. “Mais gente olhou para o que aconteceu, para a campanha negativa, para os ataques, para o nível do debate e está espontaneamente não declarando voto”, explicou em entrevista à Globonews. O instituto identificou que o aumento foi ainda mais acentuado entre mulheres — de 8% para 17% — e entre eleitores independentes, onde a taxa passou de 13% para 31%. Nos votos totais, o resultado ficou em 45% para Flávio e 44% para Lula, dentro da margem de erro de dois pontos.

Eleitores que não votaram no primeiro turno entram no debate

Um outro ponto que gerou discussão foi a forma como a Quaest lida com o eleitorado que se afastou das urnas no primeiro turno — seja abstenção, voto branco ou nulo. O instituto mantém esses respondentes na amostra e os acompanha ao longo da campanha. Nesse grupo específico, os números mostram 40% de intenção em Lula contra 36% em Flávio. Segundo Nunes, é justamente esse segmento que está mantendo a disputa tecnicamente empatada.

O diretor da Quaest também antecipou uma mudança importante para a divulgação deste sábado: o instituto passará a aplicar o critério de “eleitor provável”, que pondera a amostra conforme a probabilidade de cada pessoa efetivamente comparecer à votação. “Se o Lula não conseguir nem levar mais eleitores para a urna, a distância, quando a gente calcular o likely voter no sábado, vai ser maior para o Flávio”, ponderou, esclarecendo que essa projeção ainda não foi aplicada nos números anteriores.

Datafolha: arredondamento gera discussão

No caso do Datafolha, a polêmica gira em torno de como os números são apresentados. A pesquisa estimulada registrou 47% para Flávio e 46% para Lula. Já nos votos válidos — medida mais próxima do resultado oficial — o instituto divulgou empate: 50% a 50%. Como os dados são arredondados para números inteiros, surgiram cálculos alternativos nas redes sociais que apontavam supostamente 50,54% a 49,46%, o que daria, com arredondamento, 51% a 49% para Flávio.

A direção do Datafolha esclareceu que não divulga valores com casas decimais e que essa regra é aplicada consistentemente desde sempre. “A gente não divulga os resultados com casas decimais, então os resultados são arredondados. Então, esse 50% a 50% pode ser 50,4% a 49,6%”, explicou Luciana Chong, diretora-geral do instituto. O jornal Folha de S.Paulo detalhou os números exatos: 50,47% para Flávio e 49,53% para Lula — valores que, ao serem arredondados, resultam corretamente em 50% para cada lado. A diferença nas contas circulantes nas redes vinha de premissas simplificadas que não correspondiam à base completa de dados utilizada pelo instituto.

Por que os números do primeiro turno foram diferentes?

Vale lembrar que nenhum dos dois institutos colocou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em sua última pesquisa antes do primeiro turno. O resultado oficial foi 47,03% para Flávio e 45,16% para Lula. A Quaest havia apontado 46% para Lula e 45% para Flávio; o Datafolha, 45% e 42%. A diferença entre pesquisa e resultado eleitoral é parte da própria natureza da atividade: levantamentos medem intenção em momento específico, enquanto a urna registra decisão efetiva no dia da votação.

Amanhã tem nova rodada de pesquisas

Tanto a Quaest quanto o Datafolha divulgam seus últimos levantamentos deste segundo turno neste sábado, 24 de outubro, véspera da eleição. Os novos números trarão a fotografia mais atualizada da disputa. Enquanto isso, é sempre recomendável que o eleitor conheça a metodologia de cada instituto, entenda os conceitos como margem de erro e amostra, e acompanhe os resultados oficiais diretamente nos canais da Justiça Eleitoral no dia da votação. A pesquisa é uma ferramenta útil de informação, mas o resultado real sempre será conhecido apenas nas urnas.

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Ficou bom? Quaest e Datafolha são alvo de debates sobre metodologia; ambas divulgam nova pesquisa neste sábado

Nas últimas horas, os dois maiores institutos de pesquisa eleitoral do país, Quaest e Datafolha, passaram a ser amplamente discutidos nas redes sociais e na imprensa em razão de detalhes metodológicos apresentados em seus levantamentos mais recentes sobre a disputa presidencial. A poucos dias do segundo turno, os debates chamam atenção para a forma como os números são interpretados — e também para a diferença entre dados brutos e resultados divulgados.

Quaest: salto de indecisos é o ponto central

A pesquisa da Quaest, divulgada na quarta-feira, 21 de outubro, mostrou um crescimento expressivo no número de eleitores que ainda não declararam seu voto. Em apenas uma semana, o percentual de indecisos saltou de 7% para 14% — ou seja, dobrou justamente na reta final, quando se espera que a maioria dos eleitores já tenha definido sua escolha. Consequentemente, o cenário passou de uma leve vantagem numérica de Flávio Bolsonaro para um empate absoluto: 40% a 40% na intenção estimulada. Os questionamentos surgiram principalmente entre apoiadores do candidato do PL.

Para Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, o fenômeno reflete um movimento real do eleitorado. “Mais gente olhou para o que aconteceu, para a campanha negativa, para os ataques, para o nível do debate e está espontaneamente não declarando voto”, explicou em entrevista à Globonews. O instituto identificou que o aumento foi ainda mais acentuado entre mulheres — de 8% para 17% — e entre eleitores independentes, onde a taxa passou de 13% para 31%. Nos votos totais, o resultado ficou em 45% para Flávio e 44% para Lula, dentro da margem de erro de dois pontos.

Eleitores que não votaram no primeiro turno entram no debate

Um outro ponto que gerou discussão foi a forma como a Quaest lida com o eleitorado que se afastou das urnas no primeiro turno — seja abstenção, voto branco ou nulo. O instituto mantém esses respondentes na amostra e os acompanha ao longo da campanha. Nesse grupo específico, os números mostram 40% de intenção em Lula contra 36% em Flávio. Segundo Nunes, é justamente esse segmento que está mantendo a disputa tecnicamente empatada.

O diretor da Quaest também antecipou uma mudança importante para a divulgação deste sábado: o instituto passará a aplicar o critério de “eleitor provável”, que pondera a amostra conforme a probabilidade de cada pessoa efetivamente comparecer à votação. “Se o Lula não conseguir nem levar mais eleitores para a urna, a distância, quando a gente calcular o likely voter no sábado, vai ser maior para o Flávio”, ponderou, esclarecendo que essa projeção ainda não foi aplicada nos números anteriores.

Datafolha: arredondamento gera discussão

No caso do Datafolha, a polêmica gira em torno de como os números são apresentados. A pesquisa estimulada registrou 47% para Flávio e 46% para Lula. Já nos votos válidos — medida mais próxima do resultado oficial — o instituto divulgou empate: 50% a 50%. Como os dados são arredondados para números inteiros, surgiram cálculos alternativos nas redes sociais que apontavam supostamente 50,54% a 49,46%, o que daria, com arredondamento, 51% a 49% para Flávio.

A direção do Datafolha esclareceu que não divulga valores com casas decimais e que essa regra é aplicada consistentemente desde sempre. “A gente não divulga os resultados com casas decimais, então os resultados são arredondados. Então, esse 50% a 50% pode ser 50,4% a 49,6%”, explicou Luciana Chong, diretora-geral do instituto. O jornal Folha de S.Paulo detalhou os números exatos: 50,47% para Flávio e 49,53% para Lula — valores que, ao serem arredondados, resultam corretamente em 50% para cada lado. A diferença nas contas circulantes nas redes vinha de premissas simplificadas que não correspondiam à base completa de dados utilizada pelo instituto.

Por que os números do primeiro turno foram diferentes?

Vale lembrar que nenhum dos dois institutos colocou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em sua última pesquisa antes do primeiro turno. O resultado oficial foi 47,03% para Flávio e 45,16% para Lula. A Quaest havia apontado 46% para Lula e 45% para Flávio; o Datafolha, 45% e 42%. A diferença entre pesquisa e resultado eleitoral é parte da própria natureza da atividade: levantamentos medem intenção em momento específico, enquanto a urna registra decisão efetiva no dia da votação.

Amanhã tem nova rodada de pesquisas

Tanto a Quaest quanto o Datafolha divulgam seus últimos levantamentos deste segundo turno neste sábado, 24 de outubro, véspera da eleição. Os novos números trarão a fotografia mais atualizada da disputa. Enquanto isso, é sempre recomendável que o eleitor conheça a metodologia de cada instituto, entenda os conceitos como margem de erro e amostra, e acompanhe os resultados oficiais diretamente nos canais da Justiça Eleitoral no dia da votação. A pesquisa é uma ferramenta útil de informação, mas o resultado real sempre será conhecido apenas nas urnas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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