Candidato à Presidência, Zema participou da manifestação do 7 de Setembro e criticou Alexandre de Moraes

Zema chama Moraes de bandido durante um ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, e amplia o confronto político com o Supremo Tribunal Federal. O candidato à Presidência pelo Novo participou de uma manifestação no feriado de 7 de Setembro e fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, afirmando que, em um país sério, o magistrado já estaria preso. A declaração ocorreu em meio a uma crise institucional envolvendo integrantes da Corte e ganhou ainda mais repercussão porque foi feita durante uma campanha presidencial marcada pela polarização e por fortes ataques ao STF.
Durante sua passagem pela Paulista, Zema também questionou o modelo de escolha dos ministros do Supremo e afirmou que o sistema atual permitiria a formação de grupos de proteção dentro das instituições. Segundo o candidato, Moraes não teria chegado à posição que ocupa apenas por suas próprias decisões, mas contaria com uma estrutura de proteção formada por pessoas que, na avaliação dele, estariam interessadas em preservar privilégios. Essas declarações representam a interpretação política apresentada por Zema e devem ser diferenciadas de eventuais conclusões judiciais sobre a atuação do ministro.
O discurso aconteceu poucos dias depois de novos episódios aumentarem a tensão entre ministros do STF, especialmente em torno das investigações relacionadas ao Banco Master e às relações do empresário Daniel Vorcaro com autoridades. Nesse contexto, Zema aproveitou a manifestação para reforçar sua posição contra o que chama de sistema de “intocáveis” e para defender mudanças na estrutura do Judiciário. Além disso, a presença do candidato na Avenida Paulista ocorreu a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, fazendo com que o evento também assumisse evidente dimensão eleitoral.
Zema chama Moraes de bandido e critica o STF
Ao criticar Alexandre de Moraes, Zema afirmou que o ministro deveria estar preso e classificou sua atuação de maneira extremamente contundente. O candidato também declarou que o Brasil estaria submetido a um grupo de pessoas que, segundo sua avaliação, teria conseguido transformar posições de poder em mecanismos de proteção pessoal e institucional. A fala foi direcionada principalmente ao eleitorado que vem demonstrando insatisfação com decisões do STF e com a influência da Corte sobre temas políticos de grande repercussão.
Além de Moraes, Zema direcionou críticas ao ministro Flávio Dino, acusando-o de fazer parte daquilo que chamou de “turminha” ligada ao atual funcionamento do Supremo. O presidenciável também citou os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes ao questionar a atuação conjunta de integrantes da Corte e defender uma mudança no comportamento institucional do tribunal. Entretanto, as acusações feitas durante o ato foram apresentadas como posicionamentos políticos, enquanto as eventuais responsabilidades jurídicas de autoridades precisam ser estabelecidas pelos mecanismos previstos na legislação.
Outro alvo das declarações foi o modelo de indicação dos ministros do STF, que atualmente permite ao presidente da República indicar nomes para posterior aprovação pelo Senado Federal. Zema defendeu que esse sistema deveria ser modificado porque, na visão dele, presidentes poderiam escolher integrantes da Corte considerando interesses políticos ou a possibilidade de obter proteção no futuro. Dessa forma, a crítica deixou de ser direcionada exclusivamente a Alexandre de Moraes e passou a questionar uma estrutura institucional que existe no Brasil desde a Constituição de 1988.
Zema critica Moraes e aposta em Cármen Lúcia
Durante o ato na Avenida Paulista, Zema também declarou confiar na ministra Cármen Lúcia diante do cenário de tensão existente no Supremo Tribunal Federal. A ministra passou a ser apontada como possível voto decisivo em uma disputa envolvendo pedidos de investigação relacionados a Alexandre de Moraes e ao ministro André Mendonça. Por isso, o candidato pediu que Cármen Lúcia colocasse sua consciência acima do que classificou como espírito corporativista dentro da Corte.
A referência a Cármen Lúcia ocorreu em um momento no qual o ministro André Mendonça ganhou apoio de setores da oposição depois de decisões relacionadas à divulgação de mensagens envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro. A situação provocou uma reação de Moraes, que solicitou investigação sobre a atuação de Mendonça, aumentando ainda mais a tensão entre integrantes do Supremo. Nesse ambiente, candidatos de oposição passaram a utilizar o episódio para defender mudanças na Corte e questionar a independência dos mecanismos de controle entre os próprios ministros.
A manifestação de Zema também foi acompanhada por uma ação visual preparada por sua campanha, que colocou uma faixa relacionada à série “Intocáveis” em um edifício localizado na Avenida Paulista. Em outro painel divulgado durante o ato, Moraes foi representado como um boneco atrás das grades, utilizando a tradicional toga de ministro do Supremo. Assim, a campanha procurou transformar as críticas ao STF em uma mensagem visual de forte impacto, reforçando a ideia de que integrantes do Judiciário estariam acima dos demais cidadãos, argumento repetido pelo candidato em seu discurso.
Ataque de Zema ocorre em meio à disputa presidencial
A participação de Zema no ato da Avenida Paulista precisa ser analisada também sob a perspectiva da corrida presidencial de 2026, que entrou em sua fase decisiva no início de setembro. O candidato tenta ocupar espaço no eleitorado de direita e apresentar sua candidatura como uma alternativa tanto ao governo Lula quanto a outros nomes da oposição que também criticam o Supremo. Embora Zema tenha adotado um discurso duro contra Moraes, os levantamentos eleitorais mostram que Lula ainda aparece à frente do governador mineiro em um eventual segundo turno.
O cenário também demonstra como o STF se transformou em um dos principais assuntos da campanha presidencial, principalmente depois de novos episódios envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e o caso Banco Master. Enquanto candidatos como Zema, Flávio Bolsonaro e Renan Santos fizeram atos de oposição ao Supremo em São Paulo, Lula participou do desfile oficial de 7 de Setembro em Brasília ao lado do presidente da Corte, Edson Fachin. Dessa maneira, a Independência do Brasil foi marcada por manifestações políticas distintas, com discursos que revelaram a profunda divisão existente entre os principais grupos que disputam o eleitorado nacional.
Para Zema, portanto, o ataque a Moraes representa uma tentativa de transformar a discussão sobre o funcionamento das instituições em uma das principais bandeiras de sua campanha presidencial. O discurso adotado na Paulista deverá continuar sendo explorado nas próximas semanas, principalmente porque o candidato procura ampliar sua presença entre eleitores que defendem mudanças no STF e maior independência entre os Poderes. Ao mesmo tempo, as acusações feitas contra o ministro precisam ser avaliadas à luz dos fatos comprovados e das decisões oficiais, evitando que declarações eleitorais sejam confundidas com conclusões jurídicas já estabelecidas.





