Candidato do PL, Flávio Bolsonaro comparou a polêmica com a padroeira à facada levada por seu pai

Flávio Bolsonaro afirmou que a fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida foi, para ele, uma espécie de “facada” durante a campanha presidencial de 2026. A declaração foi feita na noite de segunda-feira, 28 de setembro, durante participação no SantoFlow Podcast, voltado ao público católico. O candidato do PL comparou a repercussão da informação falsa ao atentado sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, Minas Gerais, durante a campanha presidencial de 2018.
A polêmica começou depois que conteúdos publicados nas redes sociais associaram Flávio a um suposto projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A informação, porém, não corresponde ao conteúdo de uma proposta apresentada pelo então deputado federal Professor Victório Galli em 2007, que pretendia alterar a redação relacionada ao feriado de 12 de outubro. O projeto acabou arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2022 e não tinha relação com uma iniciativa de Flávio Bolsonaro.
Segundo Flávio, ele tomou conhecimento da informação enquanto estava em Minas Gerais e imediatamente pediu que sua assessoria verificasse a procedência do conteúdo. O candidato afirmou ter ficado indignado e questionou como uma publicação que considerava sem fundamento conseguiu alcançar grande velocidade de disseminação nas redes sociais. A repercussão fez com que o tema passasse a ocupar espaço significativo na campanha presidencial, envolvendo também representantes da Igreja Católica e decisões da Justiça Eleitoral.
Fake news de Nossa Senhora Aparecida ganha espaço na campanha
Durante a entrevista, Flávio voltou a afirmar que a informação sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida era falsa e negou qualquer intenção de promover uma medida desse tipo. Ele também declarou respeito às diferentes religiões e afirmou que o Estado não deveria interferir na maneira como cada pessoa escolhe manifestar sua fé. Para reforçar essa posição, o candidato mostrou uma imagem de crochê da padroeira que havia recebido durante uma agenda de campanha em São Paulo.
A polêmica teve origem, em parte, na reutilização de uma declaração feita anteriormente pelo próprio candidato. Em agosto, Flávio havia afirmado que, caso fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo, declaração que posteriormente foi retirada de contexto para sustentar a narrativa sobre Nossa Senhora Aparecida. A partir dessa associação, conteúdos nas redes passaram a afirmar que ele pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
O episódio também levou a uma disputa pública entre Flávio e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. O candidato chegou a acusar pessoas ligadas à entidade de terem participado da articulação da informação falsa com o PT, mas a CNBB negou a acusação e declarou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de desinformação relacionada ao processo eleitoral. Posteriormente, Flávio classificou a nota da entidade como esclarecedora por confirmar, segundo sua interpretação, que a história sobre a retirada do título da padroeira era falsa.
Flávio Bolsonaro reage à polêmica envolvendo a padroeira
Na segunda-feira, antes da participação no podcast, Flávio participou de um ato de campanha no centro de São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas. Durante a agenda, o candidato recebeu de uma apoiadora uma imagem de Nossa Senhora Aparecida feita de crochê e a ergueu diante do público. O gesto ocorreu enquanto a campanha buscava responder à repercussão provocada pelas publicações sobre a padroeira.
A disputa também chegou aos tribunais durante a campanha eleitoral. Uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre a controvérsia havia sido retirada por decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, mas a determinação foi posteriormente cassada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A decisão de Dino recolocou em discussão os limites entre liberdade de expressão, crítica política e disseminação de informações consideradas falsas durante o período eleitoral.
Além disso, a controvérsia passou a envolver discussões sobre a atuação das instituições responsáveis pela fiscalização das eleições. O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, apontou preocupação com o que classificou como risco de interferência institucional em decisões eleitorais, enquanto a análise de Dino destacou a necessidade de preservar a liberdade de expressão. Dessa maneira, uma informação falsa inicialmente disseminada nas redes sociais acabou produzindo consequências também no campo jurídico e institucional.
Comparação com a facada sofrida por Jair Bolsonaro
Ao comparar a fake news com uma “facada”, Flávio fez referência direta ao atentado contra Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. Na ocasião, o então candidato foi atacado com uma faca durante uma atividade de campanha em Juiz de Fora, cidade mineira que voltou a ser mencionada por Flávio ao explicar a relação que sua família mantém com o estado. Segundo o senador, a comparação representa a dimensão que ele atribuiu ao impacto político causado pela informação falsa.
A declaração ocorreu justamente quando a campanha presidencial entrou na última semana antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Nesse período, o tema religioso ganhou espaço na disputa, especialmente após a circulação de conteúdos envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a reação de candidatos, religiosos e influenciadores católicos. O episódio demonstra como uma informação disseminada nas redes pode rapidamente ultrapassar o ambiente digital e alcançar atos de campanha, entrevistas, decisões judiciais e manifestações de instituições religiosas.
A repercussão da fake news também levou Flávio a intensificar sua comunicação com o eleitorado católico. Além da participação no podcast, ele apareceu em agendas públicas com referências à padroeira e passou a enfatizar que respeita diferentes religiões, enquanto seus aliados e influenciadores contestavam a narrativa que havia sido espalhada nas redes. Paralelamente, a campanha continuou atribuindo ao PT a origem da informação, embora essa acusação tenha sido contestada e não esteja acompanhada, nas fontes consultadas, de comprovação apresentada publicamente.
O que aconteceu com a informação sobre Nossa Senhora Aparecida
O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida começou com uma associação entre o candidato e um projeto antigo que não foi apresentado por ele e que já havia sido arquivado. A proposta de 2007 pretendia modificar a referência à padroeira na legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro, mas não estabelecia uma iniciativa de Flávio para retirar o título da santa. Por isso, a informação que circulou durante a campanha foi classificada como falsa pelas fontes jornalísticas consultadas e negada diretamente pelo candidato.
A comparação feita por Flávio com a facada sofrida por Jair Bolsonaro colocou o episódio em uma dimensão ainda maior dentro da campanha presidencial. Enquanto o candidato afirma ter sido atingido politicamente pela disseminação da informação falsa, a controvérsia continua envolvendo acusações entre grupos políticos, manifestações de instituições religiosas e decisões judiciais sobre conteúdos publicados nas redes. O episódio deverá permanecer no debate eleitoral porque ocorreu justamente na reta final do primeiro turno e envolveu um dos principais símbolos religiosos do país.





