Carlos Bolsonaro, senador eleito por Santa Catarina, pediu votos para o irmão, candidato à Presidência

O senador eleito por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL), pediu neste domingo, 18 de outubro de 2026, a eleição do irmão, Flávio Bolsonaro (PL), para a Presidência da República. Em uma publicação nas redes sociais, Carlos afirmou que a vitória do irmão seria necessária para “fazer justiça” ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal. Na mesma mensagem, ele também defendeu os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, chamados por ele de “presos políticos”.
A manifestação de Carlos ocorreu uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Flávio disputa a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tem utilizado a situação jurídica do pai como um dos temas de sua campanha. O senador também afirma que pretende receber a faixa presidencial de Jair Bolsonaro caso seja eleito e já declarou que pretende libertá-lo.
Na publicação, Carlos relacionou a eleição do irmão à necessidade de mudanças na situação de Jair Bolsonaro e dos condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro. Ele afirmou que seria necessário garantir “o mínimo de justiça” ao pai e aos chamados presos políticos e associou essa pauta à própria ideia de democracia. A declaração foi feita em tom de mobilização eleitoral, com Carlos encerrando a mensagem com o nome de Flávio e o número 22.
Carlos coloca situação de Bolsonaro no centro da campanha do irmão
O posicionamento de Carlos reforça uma estratégia adotada por Flávio Bolsonaro durante o segundo turno, na qual a situação do ex-presidente aparece como um dos principais assuntos políticos da campanha. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado relacionada aos acontecimentos posteriores à eleição de 2022. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar por recomendação médica, segundo as informações divulgadas pelo Estado de Minas.
Carlos afirmou que a eleição de Flávio seria necessária para que houvesse justiça em relação ao pai, mas essa é uma avaliação política apresentada pelo próprio senador eleito. A condenação de Jair Bolsonaro permanece como uma decisão judicial, e a promessa de Flávio de libertá-lo, caso seja eleito, integra o discurso de campanha do candidato. Portanto, a declaração de Carlos expressa a posição da família Bolsonaro sobre o caso, e não altera, por si só, a situação jurídica do ex-presidente.
A publicação também mostra como a situação de Jair Bolsonaro continua sendo utilizada como elemento de mobilização dos apoiadores de Flávio na reta final da eleição. Ao mencionar simultaneamente o pai e os condenados pelo 8 de janeiro, Carlos ampliou o apelo para uma das principais bandeiras defendidas pelo grupo político. A mensagem, dessa forma, procurou vincular o voto em Flávio a uma expectativa de revisão ou mudança na situação dessas pessoas.
Senador eleito também defende condenados pelo 8 de janeiro
Na mesma publicação, Carlos Bolsonaro afirmou que é necessário haver justiça para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele utilizou a expressão “presos políticos” para se referir a essas pessoas, classificação que representa sua posição política sobre os processos e condenações relacionados aos ataques às sedes dos Três Poderes. A declaração foi publicada sem apresentar novos elementos jurídicos sobre os casos individuais dos condenados.
Carlos também afirmou que, sem que essas questões sejam tratadas como prioridade, não haveria democracia novamente no país. A afirmação associa diretamente a defesa do pai e dos condenados de 8 de janeiro à interpretação política que ele faz sobre o funcionamento da democracia brasileira. Trata-se, portanto, de uma argumentação apresentada pelo senador eleito para justificar seu pedido de voto no irmão.
A fala ocorreu em meio à intensificação das atividades de campanha de Flávio Bolsonaro na última semana antes do segundo turno. Neste domingo, o candidato participou de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu apoiadores e diversas lideranças políticas. A manifestação teve discursos de aliados e foi utilizada para reforçar a mobilização eleitoral em favor da candidatura do senador.
Relatos sobre saúde de Jair Bolsonaro também entram no debate
Na semana anterior à publicação, Carlos havia relatado que o pai apresentava perda de peso e fraqueza muscular, que ele atribuiu à redução da mobilidade durante o período de prisão domiciliar. O relato ocorreu depois de uma visita ao ex-presidente em Brasília, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o Estado de Minas, Jair Bolsonaro estava em prisão domiciliar por recomendação médica após ter sido internado para tratar uma pneumonia.
O histórico de saúde do ex-presidente também inclui consequências do atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, quando foi esfaqueado em Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. De acordo com o Estado de Minas, Bolsonaro passou por 14 cirurgias desde o episódio, sendo 10 delas diretamente relacionadas às sequelas do ferimento abdominal e às complicações decorrentes de procedimentos posteriores. O portal também menciona que ele sofre de soluço refratário ou crônico, condição que pode provocar refluxo e levar à entrada de substâncias nas vias respiratórias.
A manifestação de Carlos, portanto, combina a defesa política do pai, a situação dos condenados pelo 8 de janeiro e o pedido explícito de voto em Flávio Bolsonaro. Ao afirmar que o irmão precisa ser eleito para que se faça justiça a Jair Bolsonaro, o senador eleito apresenta uma interpretação política sobre o que espera de um eventual governo de Flávio. A declaração ocorre nos últimos dias da campanha e coloca novamente a situação do ex-presidente no centro do discurso eleitoral da família Bolsonaro.





