Flávio disse que não descarta a possibilidade de dar um cargo a Jair Bolsonar caso seja eleito para presidente do Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, não descartou a possibilidade de nomear o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para um cargo em um eventual governo, caso vença o segundo turno das eleições de 2026. A declaração foi feita durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na sexta-feira, 16 de outubro, em sabatina conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. Na mesma conversa, Flávio afirmou que o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, não ocupará o cargo de ministro das Relações Exteriores caso ele seja eleito.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro integrar sua equipe de governo, Flávio afirmou que o pai nunca conversou com ele sobre o assunto nem manifestou interesse em assumir uma função administrativa. O candidato declarou que considera um privilégio poder consultar um ex-presidente da República que faz parte de sua família e que está próximo dele. Apesar de afirmar que uma nomeação não está entre as prioridades atuais, o senador não fechou a possibilidade de oferecer um cargo ao pai no futuro.
A declaração chamou a atenção porque Flávio já havia admitido, em maio, que Jair Bolsonaro poderia participar de seu governo caso desejasse exercer uma função pública. Na ocasião, o senador afirmou que o pai teria espaço na administração se demonstrasse interesse em assumir um cargo. Durante a sabatina de outubro, entretanto, ele disse que o assunto nunca foi discutido diretamente entre os dois e que a hipótese não estava no radar naquele momento.
Flávio afirma que Jair Bolsonaro nunca pediu um cargo
Durante a entrevista, Renata Lo Prete perguntou diretamente se Flávio pretendia nomear Jair Bolsonaro para uma função em seu eventual governo. O senador respondeu que o ex-presidente nunca havia tratado do tema com ele e tampouco sugerido que gostaria de trabalhar na administração federal. Em seguida, afirmou que poderia recorrer ao conhecimento do pai quando precisasse consultar alguém que já ocupou a Presidência da República.
Flávio destacou que a possibilidade de conversar com Jair Bolsonaro sobre assuntos políticos e administrativos seria uma vantagem pessoal caso chegasse ao Palácio do Planalto. A resposta, porém, não significou uma rejeição definitiva à nomeação, já que o candidato deixou aberta a possibilidade de discutir o assunto futuramente. Ao dizer que o tema não estava no radar, ele indicou que não apresentava naquele momento uma proposta concreta para incluir o pai na estrutura do governo.
O assunto também retomou uma declaração anterior do senador, feita em maio, quando ele afirmou que Jair Bolsonaro poderia exercer um cargo caso quisesse participar da administração. A fala anterior foi interpretada como uma abertura para a presença do ex-presidente em uma eventual equipe ministerial ou em outra função governamental. Na sabatina, Flávio não confirmou uma nomeação específica, não apresentou um cargo e afirmou que o pai nunca havia solicitado essa oportunidade.
Eduardo Bolsonaro não será ministro das Relações Exteriores
Outro ponto da entrevista foi a possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores, responsável pela política diplomática brasileira. Ao ser questionado sobre a hipótese, Flávio respondeu de forma direta que o irmão não seria seu chanceler em caso de vitória eleitoral. A declaração afastou a possibilidade de Eduardo comandar o Itamaraty, mas não esclareceu se ele poderia receber outra função em um eventual governo.
Ao explicar sua posição, Flávio classificou Eduardo como um perseguido político e afirmou que o irmão estava no exterior denunciando o que considera arbitrariedades cometidas no Brasil. O candidato também declarou acreditar que a história reconhecerá o papel do ex-deputado na defesa da democracia, apresentando uma interpretação favorável à atuação política do familiar. Essas afirmações foram feitas pelo próprio senador durante a entrevista e refletem sua avaliação sobre a situação do irmão.
Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde 2025 e tem participado de articulações políticas relacionadas ao movimento bolsonarista e a interlocutores norte-americanos. Sua atuação no exterior e suas relações políticas já foram tema de discussões e processos no Brasil, em meio a acusações relacionadas a iniciativas contra autoridades brasileiras. Ao negar a possibilidade de o irmão assumir o Itamaraty, Flávio delimitou uma função que não pretende lhe entregar, mas não apresentou informações definitivas sobre outras possíveis posições na administração.
Família Bolsonaro e composição de um eventual governo
As declarações sobre Jair e Eduardo ocorreram durante uma entrevista voltada a esclarecer propostas e decisões que Flávio poderia adotar caso fosse eleito presidente. A escolha de ministros e de outros integrantes do governo é uma das questões acompanhadas durante a campanha, pois permite conhecer as pessoas que poderão participar da execução das políticas públicas. No caso do candidato do PL, as respostas sobre os familiares trouxeram esclarecimentos sobre duas possibilidades distintas: a eventual nomeação do pai e a rejeição do irmão para o comando da diplomacia.
A entrevista também evidenciou diferenças na maneira como Flávio tratou os dois casos. Sobre Jair Bolsonaro, ele disse que não havia conversas sobre cargos, mas não descartou uma participação futura do ex-presidente no governo; sobre Eduardo, negou expressamente a possibilidade de nomeá-lo ministro das Relações Exteriores. As declarações não definiram uma lista de futuros ministros nem esclareceram se outros integrantes da família poderiam ocupar funções públicas.
As falas de Flávio foram divulgadas pelo UOL após a sabatina exibida pela Globo na sexta-feira, 16 de outubro, durante a campanha para o segundo turno presidencial. O senador manteve a possibilidade de conversar com o pai sobre uma eventual participação no governo, embora tenha afirmado que o tema não estava em discussão naquele momento. Em relação a Eduardo Bolsonaro, deixou claro que o irmão não será chanceler caso vença a eleição, sem anunciar se pretende oferecer a ele outra função na administração federal.





