Caso Master pode virar problema eleitoral para Lula, diz artigo do Wall Street Journal

O escândalo ligado ao Banco Master pode transformar-se em fator decisivo na reta final da campanha presidencial e alterar o cenário que apontava reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é da colunista Mary Anastasia O’Grady, publicada neste domingo, 13, no jornal norte-americano Wall Street Journal. Segundo a analista, revelações recentes sobre o caso, os prejuízos associados à instituição financeira e as ligações com integrantes do Supremo Tribunal Federal trazem nova incerteza às eleições de 4 de outubro.
O texto observa que, até pouco tempo, a reeleição de Lula era considerada caminho previsível. O cenário, porém, ganhou contornos mais complexos. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, teria conseguido reduzir o desgaste decorrente de revelações sobre contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro, para Lula a dificuldade pode ser mais profunda. O motivo, segundo a colunista, é que o caso atinge também o Supremo Tribunal Federal — instituição com laços históricos com o presidente.
O artigo recorda que foi o STF que, em 2021, anulou condenações impostas a Lula por corrupção e lavagem de dinheiro, decisão que permitiu ao petista disputar e vencer as eleições de 2022. Com isso, as investigações que agora alcançam ministros da Corte, entre eles Alexandre de Moraes, podem reacender questionamentos sobre a lisura de processos decisivos para a trajetória política do presidente. A corrupção, lembra O’Grady, permanece como um ponto sensível e vulnerável para a imagem do governo junto ao eleitorado.
A colunista também aborda a condução de investigações pelo Supremo após as eleições de 2022, especialmente no âmbito do chamado Inquérito das Fake News, sob a relatoria de Alexandre de Moraes. Segundo a autora, medidas adotadas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores foram justificadas em nome da proteção à democracia, mas, na avaliação dela, ocorreram sem base probatória suficiente. “Os ministros estavam atropelando o Estado de Direito e usando a democracia como desculpa”, escreve O’Grady a respeito do julgamento que levou à condenação do ex-presidente.
Além das questões institucionais, o texto cita fatores econômicos como elemento que também influencia a corrida eleitoral. O crescimento previsto para o país neste ano é considerado modesto, e essa realidade pode pesar na avaliação do eleitorado sobre a gestão federal. A combinação de revelações judiciais e desempenho econômico mais contido contribui para a oscilação observada nas pesquisas, tornando a disputa mais acirrada do que se projetava meses atrás.
Ao concluir, a colunista reconhece que o ministro Alexandre de Moraes nega qualquer irregularidade nas relações reveladas com Vorcaro. Ainda assim, pondera que o impacto político do caso pode ultrapassar as explicações apresentadas. “Uma nação cansada da corrupção pode tirar suas próprias conclusões e registrá-las nas urnas”, assinala. O que se observa, portanto, é que os desdobramentos do caso Master não se restringem ao campo jurídico: podem redefinir prioridades e escolhas dos eleitores nas semanas que antecedem a votação.





