Com Flávio à frente, campanha de Lula lista 35 viradas em eleições

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, integrantes do governo e da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que reverter a vantagem inicial de Flávio Bolsonaro (PL) é um desafio considerável. Mesmo assim, segundo auxiliares próximos, a possibilidade de uma virada não está descartada. Para embasar essa avaliação, a equipe petista reuniu um levantamento histórico com casos em que candidatos conseguiram superar diferenças expressivas após o primeiro turno — embora reconheçam que, na história das eleições presidenciais brasileiras, ainda não houve uma virada entre os dois turnos.
O panorama atual da disputa
No primeiro turno, os resultados mostraram uma disputa muito equilibrada. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45,16% — uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual. Trata-se de uma margem estreita, que deixa a decisão em aberto e coloca os dois candidatos em campo intenso nestas últimas semanas de campanha. A vantagem, neste momento, está com o candidato da situação de oposição, mas os números mostram que o resultado está ao alcance de ambos.
O que mostra a história eleitoral
Para entender melhor como disputas apertadas podem evoluir, a equipe de Lula analisou o que aconteceu em eleições estaduais desde o início da década de 1990. O levantamento indica que, entre 1990 e 2022, foram registradas ao menos 35 viradas em segundo turno em um total de 120 disputas estaduais analisadas. Ou seja, em quase um terço dos casos decididos em dois turnos, o candidato que estava à frente na primeira rodada não conseguiu manter a liderança até o final. Em algumas dessas ocasiões, a desvantagem superava os 20 pontos percentuais — números que demonstram que nenhuma vantagem eleitoral é garantida até que todos os votos sejam contados.
Casos emblemáticos de recuperação eleitoral
Um dos exemplos mais lembrados pelos estrategistas petistas é a disputa pelo governo de Minas Gerais em 1994. Na ocasião, Hélio Costa terminou o primeiro turno com 21,1 pontos de vantagem sobre Eduardo Azeredo, candidato do PSDB. No entanto, impulsionado pelo desempenho do Plano Real e pela força da candidatura de Fernando Henrique Cardoso à Presidência, Azeredo conseguiu reverter o quadro e foi eleito governador no segundo turno. A eleição mineira daquele ano se tornou referência quando se fala em viradas expressivas.
Outros casos citados no levantamento reforçam que a dinâmica eleitoral pode mudar no período entre os dois turnos. Em 1998, Mário Covas (PSDB) superou Paulo Maluf em São Paulo, após estar em desvantagem na primeira rodada. No Maranhão, em 2006, Jackson Lago conquistou o governo ao virar sobre Roseana Sarney. Já nas eleições mais recentes, em 2022, também houve recuperações importantes: Raquel Lyra superou Marília Arraes em Pernambuco, e Fábio Mitidieri (PSD) venceu Rogério Carvalho (PT) em Sergipe, ambos em situação de desvantagem inicial.
O contexto único da disputa presidencial
Ainda que os exemplos estaduais sirvam como referência, é importante destacar que nenhuma eleição presidencial no Brasil registrou, até hoje, uma virada entre o primeiro e o segundo turno. Isso significa que Lula tentará fazer algo que ainda não aconteceu na história nacional. Por outro lado, a diferença atual de menos de dois pontos é a menor já registrada entre os dois primeiros colocados ao final de um primeiro turno presidencial, o que torna a disputa especialmente singular.
O que está em jogo nestes dias finais
Se a história mostra que viradas são possíveis em disputas estaduais, também revela que cada eleição tem características próprias. Fatores como o comparecimento dos eleitores que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno, a força das propostas apresentadas nos debates finais e a mobilização nas ruas e nas redes sociais serão determinantes para o resultado final. Independentemente das referências históricas, a decisão caberá, como sempre, exclusivamente a cada eleitor brasileiro no dia da votação. Que os próximos dias tragam esclarecimento, respeito e participação, para que o Brasil escolha com consciência seu caminho para os próximos anos.





