Deputada Erika Hilton solicitou ao TSE a suspensão do canal Tropa do Flávio

O canal Tropa do Flávio, ligado à mobilização digital em apoio ao candidato do PL à Presidência, tornou-se alvo de uma solicitação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo. O pedido ocorreu depois das decisões judiciais que determinaram a suspensão do canal Exército do Lula, administrado pelo deputado André Janones, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A disputa ampliou o debate sobre a aplicação das regras eleitorais aos canais de WhatsApp utilizados por apoiadores dos dois candidatos que disputam o segundo turno presidencial.
A iniciativa de Erika Hilton tem como argumento central a necessidade de aplicar os mesmos critérios às estruturas digitais ligadas às duas campanhas, especialmente no que diz respeito ao registro dos canais na Justiça Eleitoral. Segundo reportagem publicada pelo UOL em 14 de outubro de 2026, a parlamentar pediu a suspensão do Tropa do Flávio por falta de registro no tribunal, situação semelhante à que motivou decisões contra o grupo lulista. A deputada também acusou o canal ligado ao candidato do PL de divulgar desinformação e conteúdos ofensivos, incluindo imagens manipuladas e racistas, acusações que integram o questionamento apresentado à Justiça Eleitoral.
Após a iniciativa da deputada, a campanha de Flávio Bolsonaro registrou o Tropa do Flávio como um canal oficial de propaganda eleitoral, conforme as informações divulgadas pelo UOL. A medida ocorreu em meio à discussão sobre a responsabilidade das campanhas pelo conteúdo compartilhado em canais administrados por apoiadores e sobre as obrigações de comunicação dessas ferramentas ao TSE. O episódio colocou novamente em evidência a disputa digital entre os candidatos e a necessidade de esclarecer quais regras devem ser aplicadas a estruturas de mobilização política que alcançam grandes públicos.
Erika Hilton questiona tratamento dado aos canais eleitorais
Erika Hilton argumenta que a Justiça Eleitoral precisa adotar critérios equivalentes ao analisar ferramentas digitais utilizadas para promover candidaturas durante o segundo turno. A deputada apontou a diferença entre as medidas adotadas contra o Exército do Lula e a situação do Tropa do Flávio, defendendo que as exigências de registro e as regras contra conteúdos irregulares sejam aplicadas sem distinção entre os grupos políticos. O pedido de suspensão do canal ligado ao candidato do PL busca levar essa discussão ao tribunal e ampliar a análise sobre o cumprimento das normas eleitorais pelas duas estruturas.
Além da questão cadastral, a parlamentar levantou acusações sobre publicações que teriam circulado no Tropa do Flávio, incluindo materiais que classificou como desinformação e conteúdos ofensivos. Entre os exemplos citados estão imagens manipuladas e racistas, que, segundo a denúncia, justificariam a análise da Justiça Eleitoral sobre o funcionamento do canal. A existência dessas acusações, entretanto, não equivale a uma decisão definitiva do TSE sobre a responsabilidade dos administradores ou sobre a ocorrência de infrações eleitorais, pontos que dependem da avaliação do tribunal.
A campanha de Flávio Bolsonaro reagiu à discussão registrando o canal como meio oficial de propaganda, em uma tentativa de atender às exigências relacionadas à identificação das ferramentas digitais utilizadas durante a eleição. O registro é relevante porque o TSE tem discutido a necessidade de informar formalmente os endereços eletrônicos empregados na divulgação de conteúdos eleitorais, especialmente quando existe suspeita de coordenação com uma campanha. A regularização do canal, porém, não elimina automaticamente eventuais questionamentos sobre o conteúdo publicado, que podem ser examinados em procedimentos específicos.
Suspensão do Exército do Lula provocou disputa dentro do TSE
O canal Exército do Lula, criado e administrado pelo deputado André Janones, passou por decisões divergentes no Tribunal Superior Eleitoral nos dias anteriores à divulgação da nova denúncia. Inicialmente, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da ferramenta após um pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro, que questionou o funcionamento do grupo e alegou a circulação de conteúdos irregulares. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, revogou a decisão e determinou a reativação do canal, apontando questões relacionadas à condução processual do caso.
A disputa voltou a se intensificar quando Kassio Nunes Marques determinou novamente a suspensão, desta vez diante da falta de registro formal do endereço eletrônico do canal na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula informou o endereço ao tribunal, mas a decisão estabeleceu um prazo de 48 horas para a retomada do funcionamento, conforme as regras aplicadas ao procedimento. O episódio gerou críticas de Janones e abriu uma discussão sobre as competências da presidência do TSE e da corregedoria, uma vez que os dois ministros haviam adotado decisões diferentes sobre a mesma estrutura digital.
Outro ponto relevante foi a análise técnica realizada no âmbito do tribunal sobre publicações do Exército do Lula. Segundo informações divulgadas pelo UOL, os técnicos não identificaram notícias falsas nas mensagens examinadas, embora a exclusão de aproximadamente 500 publicações tenha dificultado a análise integral do material apontado pela campanha adversária. A ausência de identificação de conteúdo falso no conjunto examinado não resolve, por si só, todas as questões sobre o canal, mas constitui um elemento importante para compreender a controvérsia e os argumentos apresentados pelas partes.
Canais digitais se tornam frente de disputa no segundo turno
A disputa envolvendo o Tropa do Flávio e o Exército do Lula mostra como os canais de mensagens se tornaram instrumentos importantes para a mobilização de apoiadores na eleição presidencial de 2026. Essas ferramentas permitem divulgar vídeos, áudios, mensagens políticas e orientações para o compartilhamento de materiais em outras plataformas, ampliando a capacidade de comunicação das campanhas e de grupos que atuam em seu entorno. Ao mesmo tempo, a dimensão dessas redes aumenta a preocupação com o registro eleitoral, a identificação dos responsáveis e a eventual circulação de conteúdos que possam violar a legislação.
Com a proximidade da votação do segundo turno, marcada para 25 de outubro, os questionamentos apresentados ao TSE tendem a manter a disputa digital entre os principais temas jurídicos da campanha. O pedido de Erika Hilton contra o canal pró-Flávio acrescenta uma nova etapa à discussão sobre a igualdade de tratamento entre as candidaturas, enquanto as decisões envolvendo o grupo de Janones continuam provocando divergências dentro do tribunal. A análise dos casos deverá considerar os registros exigidos, o conteúdo efetivamente publicado, as responsabilidades atribuídas aos administradores e os argumentos apresentados pelas campanhas, sem antecipar conclusões antes das decisões judiciais.





