Dino pede vista e diz que Fachin conduz o STF ‘de maneira degradante’

O ministro Flávio Dino solicitou vista dos autos nesta terça-feira, 15, interrompendo a sessão que analisava a abertura de investigação sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido foi feito em meio a um momento de grande tensão no plenário, desencadeado após o ministro André Mendonça citar trechos do relatório da Polícia Federal que fazem menção a mensagens trocadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o dono do Banco Master. A troca de acusações foi acompanhada de manifestações contundentes entre os magistrados.
A reação mais expressiva partiu do ministro Gilmar Mendes, que se pronunciou de forma enérgica contra André Mendonça logo após a citação dos dados envolvendo o chefe do Ministério Público. O clima no plenário tornou-se ainda mais delicado, com debates que extrapolaram o objeto inicial da sessão e passaram a envolver questionamentos sobre a conduta de diferentes autoridades e a própria lisura dos procedimentos em curso. Foi nesse contexto que Flávio Dino apresentou seu pedido de mais tempo para analisar o conjunto das questões levantadas.
Além de solicitar vista, Dino dirigiu críticas diretas ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Segundo ele, a decisão de não suspender a sessão diante dos desentendimentos entre os membros da Corte conduziria a instituição “de maneira degradante”. A declaração expõe publicamente divergência sobre a forma como os trabalhos estão sendo presididos e reforça a percepção de que não há consenso interno nem sobre os ritos e procedimentos que devem reger os julgamentos mais sensíveis do momento.
A sequência dos acontecimentos começou com o envio de um ofício por Flávio Dino ao ministro Gilmar Mendes, que, por sua vez, encaminhou o documento ao presidente Fachin. A partir daí, os ministros decidiram adiar a discussão sobre o caso para o próximo dia 23 de setembro. A nova data ganha relevância especial porque, na mesma ocasião, o plenário também deverá analisar a conduta do próprio ministro André Mendonça, em razão de suspeitas levantadas sobre a elaboração e a condução da petição que deu origem ao processo contra Alexandre de Moraes.
A coincidência das pautas significa que, em uma única sessão, serão examinados tanto os indícios envolvendo Alexandre de Moraes quanto os questionamentos dirigidos a André Mendonça. Os dois processos passam a caminhar de forma entrelaçada, criando um cenário em que o desfecho de um pode influenciar o entendimento sobre o outro. A sociedade passa a aguardar, portanto, um julgamento que deverá abordar diferentes pontos de tensão dentro da Corte, com a presença de todos os elementos agora reunidos para análise.
O adiamento transfere para a semana seguinte a expectativa que se concentrava nesta terça-feira. A medida pode permitir maior clareza e preparação dos votos, mas também prolonga o período de incerteza sobre os rumos das investigações. O que se espera é que os próximos dias tragam condições para que os trabalhos transcorram com serenidade, que as provas sejam apresentadas de forma completa e que o resultado reflita o compromisso da instituição com a verdade, a imparcialidade e a confiança da população brasileira.





