Durante um comício, Lula disse que a Globo estaria chateada com ele por causa do fim da escala 6×1 e outros projetos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a TV Globo estaria insatisfeita com seu governo após o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, almoçar com dirigentes do Grupo Globo no mesmo dia em que participou de uma entrevista no Jornal Nacional. A declaração foi feita durante um ato de campanha em Minas Gerais, na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, quando Lula questionou a realização do encontro poucas horas antes da sabatina de seu adversário. “A Globo tá com raiva de mim”, disse o presidente, ao relacionar a suposta insatisfação da emissora a medidas defendidas ou adotadas por seu governo.
O encontro entre Flávio e executivos da emissora ocorreu na sede do Grupo Globo, no Rio de Janeiro, antes da entrevista do senador ao Jornal Nacional. O candidato foi recebido por João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais, e estava acompanhado pelo senador Rogério Marinho, coordenador-geral de sua campanha, além de um assessor de imprensa. A reunião provocou questionamentos entre integrantes da campanha de Lula, que destacaram que o presidente havia participado da entrevista da emissora na quinta-feira, 15 de outubro, sem um encontro semelhante com os dirigentes.
Durante seu discurso, Lula mencionou diferentes assuntos para explicar por que, em sua avaliação, a emissora poderia estar descontente com o governo federal. Entre os pontos citados estavam as apostas esportivas, conhecidas como bets, a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 e a possibilidade de oferecer transporte público gratuito aos fins de semana. O presidente também mencionou a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, acrescentando o episódio à lista de motivos que, segundo ele, poderiam estar relacionados à postura da empresa.
Lula questiona encontro entre Flávio Bolsonaro e a direção da Globo
A crítica de Lula concentrou-se no fato de o almoço ter ocorrido no mesmo dia da entrevista de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional. O presidente lembrou que o senador havia se reunido com a direção da emissora antes de responder às perguntas da jornalista Renata Lo Prete, enquanto sua própria participação no programa ocorreu sem uma visita institucional semelhante. A situação levou aliados do petista a questionarem o tratamento dado aos dois candidatos durante a cobertura eleitoral.
A Globo confirmou a realização do encontro e informou que a reunião teve caráter institucional, sem a participação de representantes da área de Jornalismo. Em nota, a empresa afirmou que visitas institucionais fazem parte da rotina de executivos de empresas de comunicação e que é comum receber candidatos a cargos eletivos para encontros de cortesia. A emissora também declarou que o encontro não envolveu dirigentes responsáveis pela condução das entrevistas jornalísticas.
Segundo informações publicadas pela imprensa, a visita foi solicitada pela equipe de Flávio Bolsonaro. A Globo afirmou que Lula também poderia ter sido recebido em uma reunião semelhante caso sua campanha tivesse feito um pedido nesse sentido. A diferença entre os encontros, entretanto, gerou repercussão política porque as duas entrevistas ocorreram em dias consecutivos e integraram a cobertura dos candidatos durante o segundo turno presidencial.
Apostas esportivas e escala 6×1 entram nas críticas do presidente
Ao falar sobre a relação com a emissora, Lula citou as bets como um dos motivos que, em sua avaliação, poderiam explicar uma eventual insatisfação da empresa. O presidente afirmou que o governo adotou medidas relacionadas ao setor de apostas e mencionou a presença comercial desse segmento na televisão. A declaração foi apresentada por Lula como uma interpretação sobre os possíveis interesses envolvidos, sem que isso comprovasse uma relação direta entre as medidas governamentais e a realização do almoço.
Outro ponto mencionado foi a escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e tem um dia de descanso. Lula citou a discussão sobre o fim dessa jornada entre as iniciativas que, segundo ele, poderiam contrariar interesses de setores empresariais. A proposta de mudança na escala de trabalho ganhou espaço no debate político nacional e passou a ser utilizada pelas campanhas como tema relacionado às condições de vida dos trabalhadores.
O presidente também mencionou a possibilidade de oferecer transporte público gratuito aos fins de semana, afirmando que a medida permitiria aos brasileiros passear com suas famílias. Durante o discurso, Lula relacionou essa proposta às ações de seu governo e à disputa eleitoral em andamento. As declarações ocorreram em meio à tentativa de apresentar medidas econômicas e sociais como parte das diferenças entre seu projeto político e o defendido por Flávio Bolsonaro.
Almoço amplia debate sobre imparcialidade da emissora na eleição
A reunião entre Flávio Bolsonaro e os dirigentes da Globo provocou manifestações de integrantes da campanha de Lula, que questionaram a ausência de um encontro equivalente com o presidente. O episódio também repercutiu entre comentaristas e veículos de comunicação, especialmente porque aconteceu poucas horas antes da sabatina do candidato do PL. A discussão passou a envolver a transparência das relações institucionais entre empresas de mídia e candidatos durante o período eleitoral.
A Globo sustentou que o almoço foi uma visita institucional e que não contou com a presença de lideranças do Jornalismo. A emissora também argumentou que encontros de cortesia com candidatos fazem parte da rotina de seus executivos, apresentando o procedimento como uma prática institucional. Já Lula utilizou o episódio para questionar a confiança na empresa e associar o encontro a possíveis divergências entre seus interesses e as medidas adotadas pelo governo.
O caso ocorreu durante a reta final da campanha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026, quando Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram suas agendas e a disputa por visibilidade na imprensa. A entrevista no Jornal Nacional e o almoço anterior passaram a integrar o debate político sobre o relacionamento entre candidatos e veículos de comunicação. Enquanto o presidente apresentou suas críticas à emissora, a Globo afirmou que a reunião teve caráter institucional, mantendo a controvérsia em torno da percepção de imparcialidade durante a cobertura eleitoral.





