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Edinho Silva, presidente do PT, deu uma entrevista à CBN e falou sobre as falhas na campanha de seu partido

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, reconheceu nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026, que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou falhas durante o primeiro turno das eleições presidenciais. Em entrevista à rádio CBN, o dirigente mencionou problemas na produção de materiais eleitorais e na coordenação das atividades entre os diretórios estaduais. As declarações ocorreram depois de Lula avaliar que sua campanha foi a menos organizada desde a primeira disputa presidencial que enfrentou, em 1989.

Segundo Edinho, a estratégia adotada inicialmente buscava descentralizar a coordenação nacional e conceder maior autonomia às equipes estaduais, com a expectativa de agilizar a solução de problemas locais. O presidente do PT admitiu, porém, que o modelo não funcionou como planejado e provocou dificuldades na articulação das atividades eleitorais. Ele afirmou que os problemas identificados foram corrigidos para o segundo turno, período em que a campanha passou a concentrar esforços na organização das ações e na comunicação com o eleitorado.

Outro ponto abordado pelo dirigente foi a relação com os grupos políticos que apoiaram Lula na etapa final da eleição presidencial de 2022. Edinho reconheceu que o partido poderia ter mantido um diálogo mais frequente com esses setores, reunidos em torno da chamada frente democrática que contribuiu para a formação de alianças na disputa anterior. A declaração acrescentou uma dimensão política ao balanço do primeiro turno, ao indicar que as dificuldades reconhecidas pela direção petista não se limitaram à estrutura interna da campanha.

Problemas de organização e articulação nos estados

Ao comentar a coordenação eleitoral, Edinho explicou que a descentralização foi pensada como uma maneira de dar mais agilidade às decisões tomadas em diferentes regiões do país. A intenção era permitir que as equipes estaduais respondessem com maior rapidez às necessidades locais, sem depender de uma estrutura excessivamente centralizada. Entretanto, segundo o dirigente, a experiência revelou problemas de articulação que afetaram a produção de materiais e a integração das atividades da campanha.

A avaliação de Edinho ocorreu após Lula criticar publicamente a organização de sua própria candidatura durante uma reunião com parlamentares aliados, realizada em Brasília no dia 7 de outubro. Na ocasião, o presidente comparou a estrutura da campanha atual com as disputas presidenciais que enfrentou desde 1989 e afirmou que a organização ficou abaixo do esperado. A declaração aumentou a atenção sobre o funcionamento da coordenação eleitoral e sobre a distribuição de responsabilidades entre os integrantes da equipe.

O presidente do PT afirmou que as dificuldades do primeiro turno foram identificadas e que a estrutura passou por ajustes para a fase decisiva da eleição. Segundo ele, a campanha do segundo turno já estava funcionando dentro de uma organização diferente daquela adotada anteriormente. As declarações, no entanto, representam a avaliação do coordenador da candidatura, e os efeitos das mudanças dependerão do desenvolvimento das atividades eleitorais até a votação final.

Edinho reconhece falhas no diálogo com aliados

A relação com os grupos que apoiaram Lula em 2022 também apareceu entre os pontos que Edinho considerou necessário rever. O dirigente afirmou que o partido poderia ter dialogado mais com os setores que se juntaram à candidatura durante o segundo turno daquela eleição, reconhecendo que essa aproximação poderia ter recebido maior atenção. A fala sinalizou uma preocupação com a manutenção das alianças políticas para além do período imediato de formação das chapas e das negociações eleitorais.

Na entrevista à CBN, Edinho relacionou essa dificuldade ao foco do governo na reconstrução de políticas públicas, afirmando que a administração concentrou esforços nessa tarefa e deixou de manter um canal de diálogo mais direto com determinados grupos. O dirigente defendeu a retomada da aproximação com esses setores, embora não tenha detalhado um calendário de reuniões ou medidas específicas para reorganizar as conversas. A discussão envolve a relação entre a atuação governamental, a articulação partidária e a formação de apoios políticos durante a campanha presidencial.

O presidente do PT também abordou a percepção de que o eleitorado busca mudanças no país. Ao tratar do assunto, reconheceu a existência desse sentimento, mas declarou que Lula seria capaz de conduzir as transformações que considera necessárias, mencionando temas como reformas política e eleitoral e mudanças no Poder Judiciário. As afirmações foram apresentadas como parte da argumentação de Edinho sobre a candidatura e não alteram o fato de que a avaliação sobre as propostas e os candidatos cabe aos eleitores.

Campanha entra na etapa decisiva do segundo turno

Com a disputa presidencial encaminhada para o segundo turno, a campanha de Lula passou a enfrentar a necessidade de organizar a comunicação, coordenar as equipes estaduais e manter o diálogo com os grupos políticos aliados. As declarações de Edinho Silva tornaram públicas as dificuldades reconhecidas pela direção do PT e as medidas que, segundo ele, foram adotadas para corrigir os problemas. O dirigente também indicou que a campanha pretende ampliar a articulação política e apresentar Lula em confrontos diretos com Flávio Bolsonaro, candidato do PL.

Em entrevista divulgada em 13 de outubro, Edinho afirmou que Lula participará dos debates previstos para o segundo turno, incluindo os promovidos pela Band e pela TV Globo, com o objetivo declarado de confrontar diretamente o adversário. A participação nos encontros televisivos, a organização da campanha e o diálogo com os aliados integram a agenda da candidatura na reta final da eleição. Os próximos dias deverão concentrar as ações de mobilização e comunicação dos dois candidatos antes da votação marcada para 25 de outubro de 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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