Enquanto surgem rumores de suspeita de fraude na eleição, Trump manda intensificar as investigações contra os Democratas

O governo de Donald Trump intensificou as investigações criminais e as ações judiciais contra integrantes do Partido Democrata no Alasca, diante da suspeita de que colaboradores da campanha de Mary Peltola teriam participado do recrutamento de um candidato com nome semelhante ao de um senador republicano. A apuração ganhou força a poucos dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, e envolve uma disputa pelo Senado considerada importante para a definição do controle da Casa. Autoridades federais ampliaram a mobilização do FBI e designaram promotores para investigar se a candidatura teria sido organizada com o objetivo de confundir eleitores e prejudicar a tentativa de reeleição do republicano Dan Sullivan.
O caso envolve dois candidatos com nomes praticamente iguais na cédula eleitoral do Alasca: o senador republicano Dan S. Sullivan e o professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr., que concorre sem identificação partidária. A suspeita investigada pelo Departamento de Justiça é que pessoas ligadas à campanha de Mary Peltola, candidata democrata ao Senado, teriam ajudado a convencer o segundo Sullivan a entrar na disputa para atrair votos que poderiam favorecer a adversária do senador. A estratégia, conhecida na política norte-americana como recrutamento de candidatos para dividir votos, passou a ser tratada pelo governo Trump como uma possível tentativa de fraude eleitoral.
O procurador federal do Alasca, Michael Heyman, afirmou em entrevista coletiva na sexta-feira, 30 de outubro, que a divulgação de informações sobre o caso provocou um aumento dos recursos destinados à investigação. Segundo ele, vários promotores foram designados para acompanhar as apurações, que avançam de maneira intensa e rápida, com participação do FBI. Heyman declarou que qualquer pessoa que tentar enganar ilegalmente os eleitores ou interferir na eleição deverá responder por seus atos, mas evitou detalhar quais crimes estariam sendo investigados.
Candidatura de homônimo de senador republicano está no centro da apuração
A investigação ganhou dimensão nacional depois que o jornal The New York Times publicou informações sobre uma possível articulação envolvendo integrantes da campanha de Mary Peltola e funcionários do comitê democrata responsável pelas disputas ao Senado. Segundo a publicação, colaboradores teriam participado do recrutamento de Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado que vive em uma pequena comunidade pesqueira do Alasca. A hipótese investigada é que a presença de dois candidatos com nomes semelhantes poderia provocar confusão entre os eleitores e retirar votos do senador republicano, que busca a reeleição.
Mary Peltola negou ter conhecimento de qualquer iniciativa para recrutar o professor aposentado e contestou as acusações de envolvimento na articulação. O Comitê Democrata de Campanha para o Senado também rejeitou participação no episódio, enquanto Daniel J. Sullivan afirmou que não coordenou sua candidatura com a campanha da parlamentar. A negativa dos envolvidos é um elemento importante do caso, porque a investigação ainda precisa estabelecer se houve uma operação organizada e se alguma conduta prevista na legislação eleitoral foi efetivamente violada.
O sistema eleitoral do Alasca permite que os quatro candidatos mais votados em uma etapa inicial avancem para a eleição geral, independentemente de sua filiação partidária. Por esse modelo, tanto o senador Dan S. Sullivan quanto Daniel J. Sullivan Jr. conseguiram aparecer na cédula que será apresentada aos eleitores em novembro, ao lado de Mary Peltola e de outro concorrente. A semelhança entre os nomes passou a ser o principal argumento dos republicanos para questionar a candidatura do professor aposentado e pedir uma investigação sobre sua possível relação com os democratas.
Departamento de Justiça tenta impedir certificação do resultado
Além da investigação criminal, o Departamento de Justiça entrou com uma ação civil para tentar impedir que o Alasca certifique o resultado da disputa pelo Senado caso Dan Sullivan perca por uma margem estreita. O governo argumenta que a presença de um candidato com nome semelhante poderia ter confundido eleitores e influenciado o resultado da votação. A iniciativa judicial procura preservar cédulas que possam ter sido afetadas pela suposta confusão e obter documentos de campanhas e outras fontes para esclarecer como a candidatura de Daniel J. Sullivan foi organizada.
A ação também amplia a possibilidade de uma disputa judicial depois da divulgação dos resultados, especialmente se a diferença de votos entre os candidatos for pequena. O Departamento de Justiça quer que a Justiça avalie se a candidatura do professor aposentado foi legítima ou se teria sido criada com a finalidade de interferir na escolha dos eleitores. Quando questionado sobre a iniciativa judicial, Trump assumiu a responsabilidade pela medida e declarou que havia sido ele quem determinara que o governo tomasse essa providência.
O presidente também pediu que Mary Peltola fosse processada e classificou o episódio como fraude eleitoral em um comício realizado na Flórida. Entretanto, a existência de uma candidatura com nome semelhante não demonstra, por si só, que houve crime, e a investigação ainda precisa apresentar elementos que comprovem eventual irregularidade. A Reuters informou que não foi possível verificar de forma independente as informações sobre o suposto recrutamento e destacou que não estava claro quais dispositivos legais poderiam ter sido violados.
Disputa no Alasca aumenta tensão nas eleições de meio de mandato
A investigação ocorre em uma eleição considerada estratégica para o controle do Senado norte-americano, atualmente dominado pelos republicanos por uma margem de 53 a 47 cadeiras. Os democratas tentam conquistar novas vagas para alterar a composição da Casa e ampliar sua capacidade de fiscalização sobre o governo Trump. Nesse cenário, a disputa entre Dan Sullivan e Mary Peltola ganhou importância nacional, porque o resultado no Alasca poderá contribuir para definir o equilíbrio de forças no Congresso.
A estratégia de apoiar candidatos menos conhecidos para dividir os votos de um adversário não é exclusiva de um partido e já foi utilizada por republicanos e democratas em diferentes disputas eleitorais. No próprio Alasca, houve iniciativas republicanas para apoiar candidatos em disputas anteriores com o objetivo de afetar o desempenho de concorrentes democratas. Especialistas ouvidos pela imprensa norte-americana ressaltaram que esse tipo de articulação, embora possa ser considerado enganoso, não constitui automaticamente uma infração criminal, sendo necessário demonstrar a existência de uma conduta ilegal específica.
A ofensiva no Alasca também faz parte de uma atuação mais ampla do governo Trump sobre a administração das eleições em diferentes estados. O Departamento de Justiça apresentou ações para obter listas eleitorais e questionou procedimentos relacionados à contagem de votos na Califórnia, além de buscar documentos de autoridades estaduais. Com a votação marcada para 3 de novembro, a investigação contra os democratas no Alasca acrescenta um novo foco de tensão à disputa nacional e poderá provocar novos questionamentos judiciais sobre a validade e a certificação dos resultados.





