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Flávio Bolsonaro acredita que já sabe quem é o culpado por sua derrota no estado de Minas Gerais

Flávio Bolsonaro e aliados políticos passaram a responsabilizar o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, pela derrota do senador no segundo turno da eleição presidencial no estado. A avaliação de integrantes do grupo bolsonarista é que Cleitinho, apesar de ter conquistado uma votação expressiva na disputa estadual, não se empenhou o suficiente para transferir parte de seu eleitorado ao candidato do PL. A cobrança ganhou força depois que Luiz Inácio Lula da Silva venceu em Minas Gerais, revertendo a vantagem que Flávio havia construído no primeiro turno.

A disputa mineira terminou com Lula recebendo 50,43% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 49,57%, segundo os resultados eleitorais divulgados. No primeiro turno, o senador havia aberto uma vantagem de aproximadamente 588 mil votos sobre o petista no estado, o que alimentou a expectativa de uma vitória bolsonarista na etapa final. A mudança no resultado levou aliados do candidato derrotado a discutir falhas de estratégia e a procurar responsáveis pela perda de votos.

Cleitinho tornou-se um dos principais alvos dessas críticas por ter sido eleito governador no primeiro turno, com 55,41% dos votos válidos e mais de 6,2 milhões de votos. Na avaliação de aliados de Flávio, esse desempenho demonstrava a capacidade eleitoral do governador eleito e criava a expectativa de que ele ajudasse a mobilizar eleitores em favor do candidato presidencial. A coluna de Orion Teixeira, publicada no Estado de Minas, relatou que integrantes do grupo consideram insuficiente a participação de Cleitinho durante o segundo turno.

Flávio Bolsonaro e aliados cobram maior empenho de Cleitinho

A principal reclamação dos aliados de Flávio Bolsonaro é que Cleitinho teria participado pouco da campanha presidencial, apesar de ter declarado apoio ao senador. O grupo esperava que o governador eleito utilizasse sua influência política e sua votação expressiva para ampliar a mobilização em municípios mineiros, inclusive entre eleitores de candidatos derrotados na disputa estadual. Na avaliação desses aliados, a atuação de Cleitinho poderia ter contribuído para manter a vantagem conquistada por Flávio no primeiro turno.

Entre os nomes mencionados nesse contexto estão Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas Gerais, e Mateus Simões, que disputou a eleição estadual pelo PSD. Integrantes do entorno bolsonarista consideram que Cleitinho poderia ter procurado eleitores desses candidatos e trabalhado para aproximá-los da candidatura presidencial do PL. A ausência de uma mobilização mais intensa passou a ser apontada como um dos fatores que teriam prejudicado Flávio no estado.

Cleitinho, por sua vez, havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro e utilizado adesivo do candidato durante a campanha. Ele também participou do ato final do senador em Belo Horizonte, realizado na véspera da votação, mas sua presença em outras atividades do segundo turno foi limitada. O governador eleito também havia afirmado que procuraria o presidente escolhido nas urnas, independentemente do resultado, para discutir os interesses de Minas Gerais, postura que provocou insatisfação entre setores do bolsonarismo.

Derrota em Minas provoca disputa interna na direita

A responsabilização de Cleitinho não foi a única reação dentro do campo político que apoiou Flávio Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro avaliou que o deputado federal Nikolas Ferreira também poderia ter contribuído para o resultado desfavorável, especialmente por causa da repercussão de sua atuação em outras regiões do país. Segundo essa interpretação, o conteúdo de algumas ações de campanha teria provocado resistência em parte do eleitorado, incluindo no Nordeste.

Nikolas Ferreira foi reeleito deputado federal com mais de 3 milhões de votos e participou de atividades eleitorais em diferentes estados. Sua popularidade nas redes sociais levou aliados a esperar que ele ajudasse a ampliar a votação de Flávio, mas a derrota em Minas abriu espaço para críticas à distribuição dos esforços de campanha. A divergência entre os grupos mostra que ainda não há uma explicação única entre os aliados do senador para o resultado do segundo turno.

Os questionamentos também envolvem a estratégia adotada pela campanha presidencial e a expectativa de que lideranças regionais transferissem votos de maneira mais ampla. Minas Gerais tem peso relevante em disputas nacionais, e a reversão da vantagem de Flávio foi considerada um dos acontecimentos importantes da apuração eleitoral. A discussão entre aliados, contudo, representa avaliações políticas sobre o resultado, e não uma comprovação de que a atuação individual de Cleitinho ou Nikolas tenha determinado a derrota.

Cleitinho enfrenta pressão após vitória para o governo de Minas

A situação coloca Cleitinho diante de um desafio político antes mesmo de assumir o governo de Minas Gerais. Ao mesmo tempo que conquistou uma vitória expressiva na eleição estadual, ele passou a ser cobrado por setores da direita que esperavam uma participação mais intensa na campanha presidencial. A relação com aliados do PL poderá depender dos próximos movimentos do governador eleito e da forma como ele responderá às críticas.

O resultado mineiro também evidencia as dificuldades de transformar uma vitória estadual em apoio automático a uma candidatura presidencial. Mesmo com a declaração pública de apoio de Cleitinho, Flávio Bolsonaro não conseguiu manter a vantagem do primeiro turno, enquanto Lula ampliou sua votação e venceu no estado. A disputa sobre responsabilidades pela derrota continua concentrada nos bastidores da direita, com Cleitinho e Nikolas entre os nomes citados nas avaliações de aliados do senador.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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