Flávio Bolsonaro diz que já fez o Brasil economizar R$ 220 bilhões com a dívida pública

Em meio à reta final da campanha presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trouxe para o centro do debate eleitoral nesta terça-feira (13) questões centrais da política econômica. Participando de evento organizado pela Confederação das Associações Comerciais do Brasil, em São Paulo, o candidato apresentou sua visão sobre os rumos das contas públicas e defendeu que a confiança dos investidores é um dos pilares para o crescimento sustentável do país.
“Queda de juros futuros já representa economia de R$ 220 bilhões”
Flávio abriu sua fala destacando um movimento observado no mercado financeiro após o resultado do primeiro turno. Segundo ele, sua passagem para o segundo turno na liderança das intenções de voto teria contribuído para uma redução de aproximadamente dois pontos percentuais nas taxas de juros futuros. “A dívida federal chegou a 11 trilhões de reais”, observou. “Numa conta rápida, essa queda representa cerca de R$ 220 bilhões que deixarão de ser gastos com juros e poderão ser liberados no Orçamento nos próximos anos”. Para o candidato, a própria perspectiva de mudança na condução da política fiscal já estaria produzindo efeitos positivos antes mesmo de qualquer medida ser implementada.
“O Brasil vive uma crise de credibilidade”, afirma
O senador classificou o cenário atual como uma crise de confiança, que atribuiria à forma como as contas públicas vêm sendo administradas nos últimos anos. Ele argumentou que a expansão dos gastos públicos, sem um correspondente estímulo ao aumento da produtividade, tende a pressionar a inflação e elevar os prêmios de risco cobrados pelos investidores. “De um lado, a gastança pressiona os preços; de outro, o crescimento da dívida faz com que o mercado exija retornos maiores para financiar o governo. As duas coisas juntas mantêm os juros em patamares elevados, o que dificulta o crédito, o investimento e o crescimento”, explicou.
Dívida pública e espaço no Orçamento
Flávio citou números sobre a evolução da dívida pública federal, que, segundo dados que apresentou, teria passado de 72% para 83% do Produto Interno Bruto durante o mandato atual. Ele defendeu que a redução dos gastos com juros liberaria recursos para serem aplicados em outras áreas sem necessidade de cortar programas essenciais. “Não se trata apenas de cortar, mas de parar de gastar mal. Quando pagamos menos de juros, sobra mais dinheiro para investir no país”, ressaltou. Sua proposta central, segundo explicou, seria reorganizar as prioridades orçamentárias e restaurar a confiança para que os juros possam recuar de forma estrutural e permanente.
Impactos nas famílias e nas empresas
O candidato também destacou indicadores que, em sua avaliação, demonstram o reflexo da política econômica sobre a população. Ele mencionou números elevados de famílias com contas em atraso, endividamento e processos de recuperação judicial entre empresas. “Um governo que gasta além do que arrecada acaba reduzindo o poder de compra de todos. A inflação e os juros altos funcionam como um imposto que pesa mais no bolso de quem ganha menos”, afirmou. A proposta de seu plano de governo, disse ele, é criar um ambiente de estabilidade que permita tanto famílias quanto empresas respirarem e planejarem o futuro com mais segurança.
“Vou começar tirando o Lula”
Em tom direto, Flávio resumiu sua proposta de ajuste fiscal em uma frase que deve se repetir nos próximos dias de campanha. “Me perguntam de onde vou tirar os gastos. Eu vou começar tirando o Lula”, declarou, referindo-se ao que classifica como mudança de modelo de gestão pública. A resposta sintetiza a estratégia de campanha do senador: apresentar a alternância de poder como condição necessária para a retomada do crescimento econômico com responsabilidade fiscal.
Debate econômico avança no segundo turno
É importante lembrar que os números e avaliações apresentadas fazem parte da argumentação de campanha e merecem ser comparados com outras fontes e perspectivas. O debate sobre juros, dívida pública e crescimento econômico é complexo e admite diferentes interpretações — inclusive sobre a exata relação entre expectativas eleitorais e movimentos de mercado. O que se espera é que ambos os candidatos aprofundem a discussão, apresentando propostas detalhadas para que cada eleitor possa decidir com clareza qual caminho considera melhor para o Brasil.





