Flávio Bolsonaro e Lula trocaram várias acusações no debate da Band, mas deixaram algumas perguntas sem resposta

O primeiro debate do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado pela Band no domingo (18), foi marcado por uma sequência de acusações e questionamentos que, em vários momentos, não receberam respostas diretas. O confronto colocou no centro da discussão temas como o voto de Flávio sobre licença-maternidade, a relação de Lula com a lobista Roberta Luchsinger, o dinheiro relacionado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a atuação jurídica do senador em um caso envolvendo a morte de uma criança. Um levantamento citado por O Globo apontou que Flávio desviou de mais perguntas do que Lula, embora os dois candidatos tenham deixado questões sem esclarecimento durante o programa.
Logo no começo do confronto, Lula questionou Flávio sobre um voto dado em 2009, quando o atual candidato do PL era deputado estadual no Rio de Janeiro. O petista perguntou por que Flávio havia votado contra uma proposta de ampliação da licença-maternidade para servidoras públicas e voltou ao assunto depois de ouvir do adversário que não tinha nada contra as mulheres. Flávio citou a relação com a esposa e as filhas, mas não apresentou uma explicação específica para o voto que havia sido questionado.
Outro questionamento que ficou sem uma resposta conclusiva envolveu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lula perguntou por que Flávio havia solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro, valor que, segundo a família Bolsonaro, estaria relacionado ao financiamento privado de um filme sobre Jair Bolsonaro, mas o senador não respondeu diretamente à finalidade do pedido. Em vez disso, Flávio voltou a acusar Lula de receber dinheiro “por fora” e direcionou o debate para suspeitas envolvendo o filho do presidente.
Perguntas sobre filhos e investigações também ficaram sem esclarecimento
Flávio, por sua vez, levou ao debate perguntas sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre a lobista Roberta Luchsinger. O senador questionou Lula sobre a permanência do filho na Espanha, perguntou quem sustentaria Fábio Luís e afirmou que ele estaria “fugido” no país europeu. Lula respondeu que o filho colocou à disposição das autoridades suas contas bancárias e o telefone para investigação, mas não respondeu diretamente às perguntas sobre a vida do filho no exterior.
A pergunta de Flávio sobre Roberta Luchsinger também não teve uma resposta objetiva. O senador perguntou se Lula conhecia a lobista, citada em investigações sobre suposto tráfico de influência, e insistiu no assunto ao longo do confronto. Lula afirmou que a questão deveria ser tratada pela Polícia Federal e associou Roberta ao chamado “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes, mas não respondeu diretamente se mantinha relação com ela.
O embate também passou pelas suspeitas relacionadas aos descontos indevidos em benefícios do INSS. Lula perguntou a Flávio se a estrutura investigada havia sido montada durante o governo de Jair Bolsonaro, enquanto o senador respondeu que existiam muitas “quadrilhas” no governo atual e desviou novamente para acusações contra integrantes da família do presidente. Assim, a pergunta sobre quando e como teria começado o esquema permaneceu sem uma resposta direta durante a discussão.
Caso Ana Clara e relação com Milei entraram na lista
Lula também questionou Flávio sobre sua atuação como advogado na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, em Niterói, no Rio de Janeiro. O senador havia atuado no processo para tentar impedir que o policial fosse levado ao Tribunal do Júri, e Lula perguntou por que ele havia defendido o agente acusado de matar a criança. Flávio não apresentou durante o debate uma explicação detalhada sobre essa atuação profissional e preferiu deslocar a discussão para os índices de criminalidade e para outros temas de segurança pública.
Outro ponto levantado por Lula foi a relação de Flávio com o presidente argentino Javier Milei. O petista questionou o senador sobre a situação econômica da Argentina e buscou saber como ele avaliava os resultados do modelo defendido pelo governo argentino. A pergunta também ficou sem uma resposta desenvolvida sobre a situação econômica do país vizinho, sendo absorvida pelo confronto mais amplo entre os candidatos sobre economia e modelos de governo.
Lula ainda desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico, propondo que os dados das duas famílias fossem entregues ao Tribunal Superior Eleitoral antes da eleição. O senador afirmou que não tinha nada a esconder, mas não aceitou nem recusou de forma clara o desafio e voltou a acusar Lula de receber dinheiro de maneira clandestina. O episódio foi apontado como um dos momentos em que uma pergunta direta acabou sendo substituída por um novo ataque político.
Lula também deixou questionamentos sem resposta
Apesar de Flávio ter sido apontado como o candidato que mais desviou de perguntas, Lula também deixou questionamentos sem resposta direta. O levantamento do Brasil de Fato, feito a partir da íntegra do debate, identificou que o presidente recebeu 17 perguntas de Flávio e da mediação, respondendo ao ponto central de apenas três, enquanto oito teriam sido desviadas e seis respondidas parcialmente. Entre os assuntos sem esclarecimento completo estava justamente a relação com Roberta Luchsinger.
O debate terminou, portanto, com uma lista extensa de questões que permaneceram em aberto para os dois lados. De um lado, ficaram sem explicação direta temas como o voto de Flávio sobre a licença-maternidade, o pedido de R$ 134 milhões a Vorcaro, sua atuação na defesa do policial acusado pela morte de Ana Clara e sua avaliação sobre o governo Milei; do outro, perguntas sobre Roberta Luchsinger, Lulinha e outras acusações feitas contra o governo Lula também não receberam respostas completas. O próximo debate, marcado para sexta-feira (23), na Globo, será o último confronto direto antes do segundo turno de 25 de outubro, colocando novamente os dois candidatos diante da necessidade de responder a temas que permaneceram em aberto no primeiro encontro.





