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Flávio Bolsonaro optou por passar a véspera de eleição no estado de São Paulo

Flávio Bolsonaro concentrou a estratégia de campanha na busca pelo chamado voto útil na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A movimentação ocorreu no último sábado antes da votação, quando o senador participou de atos em São Paulo e no Rio de Janeiro, dois estados considerados importantes para sua campanha. A eleição está marcada para este domingo, 4 de outubro, e as campanhas entraram nas últimas horas de mobilização dos eleitores.

Segundo a CNN Brasil, a estratégia de Flávio foi direcionada especialmente aos eleitores que ainda poderiam escolher candidatos que não integram a polarização entre ele e Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia do voto útil consiste em convencer parte desse eleitorado a concentrar sua escolha em um dos candidatos mais competitivos, em vez de manter a preferência por nomes com percentuais menores nas pesquisas. Essa estratégia ganhou espaço nos últimos dias da campanha presidencial.

No sábado, Flávio iniciou sua agenda em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com uma motocarreata entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana. Depois, o candidato seguiu para o Rio de Janeiro, onde estava prevista uma nova carreata entre Campo Grande e Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense. O encerramento no Rio também marcou o retorno do senador ao estado onde iniciou oficialmente sua campanha presidencial, em agosto.

Voto útil entra no centro da estratégia de Flávio Bolsonaro

A aposta no voto útil ocorreu em um cenário no qual a pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro mostrava Lula com 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 40% de Flávio. Na sequência apareciam Augusto Cury, com 4%, Ronaldo Caiado e Renan Santos, com 3% cada, enquanto Romeu Zema e Samara tinham 1%.

O levantamento também mostrou que ainda havia eleitores com possibilidade de mudar de escolha antes da votação. Entre aqueles que já declaravam uma opção no primeiro turno, 82% disseram estar totalmente decididos, enquanto 17% afirmaram que ainda poderiam mudar de ideia até o dia da eleição. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Lula tinha 39% e Flávio aparecia com 31%, enquanto 13% dos entrevistados permaneciam indecisos.

Outro dado do levantamento ajuda a explicar a importância atribuída ao voto útil pela campanha de Flávio. Entre os eleitores que não se identificavam nem com o bolsonarismo nem com o petismo, 25% declararam intenção de votar em Flávio e 24% em Lula no primeiro turno, enquanto Augusto Cury e Renan Santos registraram 9% cada. Esse segmento também apresentava 16% de preferência por branco ou nulo, segundo o Datafolha.

Flávio mira eleitores de outros candidatos

A estratégia do candidato do PL também esteve relacionada à possibilidade de transferência de votos em um eventual segundo turno. No levantamento Datafolha, entre os eleitores que escolheram Augusto Cury no primeiro turno, 44% disseram que votariam em Flávio em uma disputa contra Lula, enquanto 30% escolheriam o atual presidente e 24% optariam por branco ou nulo. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, Flávio aparecia com 46%, contra 30% de Lula.

Entre os eleitores de Renan Santos, o levantamento apontou 54% de preferência por Flávio em um eventual segundo turno, enquanto 28% escolheriam Lula e 16% votariam em branco ou nulo. Esses dados foram utilizados para identificar possíveis movimentos do eleitorado caso a disputa presidencial avançasse para uma segunda votação. A pesquisa, contudo, registra intenções declaradas no período de entrevistas e não representa o resultado das urnas.

A campanha de Flávio também concentrou esforços no Sudeste, região que reúne grandes contingentes eleitorais e onde o cenário estava mais disputado entre os dois principais candidatos. Em São Paulo, o Datafolha apontou Flávio com 41% dos votos válidos e Lula com 40%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. No Rio de Janeiro, por outro lado, Flávio aparecia à frente de Lula por 48% a 40% no primeiro turno.

Campanha chega ao último dia antes da votação

Enquanto Flávio buscava ampliar sua votação por meio do voto útil, Lula concentrou sua estratégia de véspera em estimular a participação de eleitores que poderiam deixar de comparecer às urnas. A CNN Brasil destacou que a campanha petista estava especialmente preocupada com a abstenção entre pessoas com mais de 70 anos, grupo para o qual o voto não é obrigatório, e entre eleitores de menor renda.

As duas campanhas escolheram São Paulo para iniciar suas agendas no último sábado antes do primeiro turno, mas adotaram atividades diferentes ao longo do dia. Lula realizou caminhada na região central da capital paulista, enquanto Flávio participou da motocarreata no interior e depois seguiu para o Rio de Janeiro. Com o fim da campanha de rua, os eleitores foram às urnas neste domingo para definir os resultados do primeiro turno das eleições de 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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