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Flávio Bolsonaro pretende conquistar os votos dos eleitores dos concorrentes da direita

A campanha de Flávio Bolsonaro passou a concentrar parte de sua estratégia eleitoral na tentativa de atrair eleitores de direita que pretendem votar em outros candidatos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O movimento ocorre em um cenário no qual o senador do PL disputa espaço com nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva permanece entre os principais nomes nas pesquisas. Nesse contexto, o chamado voto útil passou a ser apresentado pela campanha de Flávio como uma forma de reunir votos do campo antipetista em torno de sua candidatura ainda na primeira etapa da eleição.

A estratégia tem como ponto central a ideia de que eleitores que desejam impedir a permanência de Lula no Palácio do Planalto deveriam considerar a concentração de votos em um único candidato já no primeiro turno. A campanha de Flávio vem explorando esse argumento em manifestações públicas e peças de comunicação, associando a disputa presidencial à necessidade de ampliar a votação de seu candidato. Entretanto, essa é uma estratégia eleitoral apresentada pela própria campanha e não uma conclusão sobre o comportamento futuro do eleitorado.

O cenário das pesquisas ajuda a explicar por que o tema ganhou espaço na campanha presidencial. Levantamentos divulgados em setembro mostram Lula e Flávio entre os principais candidatos, embora os números variem de acordo com o instituto, a metodologia e o período de realização das entrevistas. Na pesquisa CNT/MDA divulgada em 15 de setembro, por exemplo, Lula registrou 40,6% no primeiro turno, enquanto Flávio apareceu com 30,4%, e outros candidatos também foram testados.

Flávio Bolsonaro aposta no voto útil contra Lula

A tentativa de ampliar o chamado voto útil ocorre em uma eleição na qual diferentes candidaturas de direita e centro-direita disputam parte de um eleitorado que também se posiciona contra o PT. Por isso, a campanha de Flávio procura apresentar sua candidatura como uma alternativa capaz de reunir votos de pessoas que poderiam escolher outros nomes no primeiro turno. A movimentação também coloca pressão sobre as demais campanhas que disputam esse mesmo segmento do eleitorado.

Nas pesquisas realizadas ao longo de 2026, a distância entre os principais candidatos apresentou oscilações significativas conforme o levantamento considerado. Em agosto, por exemplo, a pesquisa PoderData/Aya apontou Lula com 41% e Flávio com 35%, enquanto outros concorrentes registraram percentuais menores. Já a pesquisa CNT/MDA divulgada em agosto havia registrado Lula com 42,4% e Flávio com 28,7%, mostrando como os resultados podem variar entre institutos e períodos diferentes.

Mais recentemente, pesquisas de setembro passaram a registrar uma disputa mais concentrada entre Lula e Flávio em determinados cenários, embora os resultados continuem apresentando diferenças metodológicas. O Datafolha divulgado em 11 de setembro, por exemplo, mostrou Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno, enquanto outros candidatos apareceram com percentuais menores. Como as pesquisas representam retratos de momentos específicos, os números não devem ser interpretados como previsão do resultado da eleição.

Campanha de Flávio amplia discurso para o eleitorado de direita

O discurso pelo voto útil também está relacionado à tentativa de transformar a eleição presidencial em uma disputa mais concentrada entre projetos políticos que apresentam posições distintas em relação ao governo Lula. Flávio tem intensificado críticas ao presidente e ao PT, além de incorporar ao discurso eleitoral temas relacionados ao Supremo Tribunal Federal e à atuação de ministros da Corte. Dessa forma, a campanha procura conectar diferentes pautas para ampliar a identificação de eleitores que fazem oposição ao atual governo.

Nas últimas semanas, Flávio também aumentou suas manifestações contra integrantes do STF e passou a defender mudanças na composição da Corte caso seja eleito presidente. Em declarações durante compromissos eleitorais, o senador afirmou que pretende indicar cinco ministros ao Supremo e apresentou críticas a integrantes da instituição, enquanto adversários contestaram essa abordagem. O tema passou a ocupar espaço relevante no debate eleitoral ao lado das discussões sobre o governo federal e a disputa presidencial.

A tentativa de concentrar o voto antipetista ocorre, portanto, em paralelo à disputa entre diferentes candidaturas que buscam espaço no eleitorado de oposição ao PT. Para os demais candidatos, a estratégia de Flávio representa uma mudança no ambiente da campanha porque coloca em debate a permanência de múltiplas opções no primeiro turno. Ao mesmo tempo, a definição do comportamento desse eleitorado dependerá das escolhas individuais feitas nas urnas e não pode ser determinada antecipadamente pelas campanhas.

O impacto do voto útil na disputa de 2026

O conceito de voto útil costuma aparecer em eleições nas quais eleitores consideram abandonar sua primeira opção para apoiar outro candidato que enxergam como mais competitivo dentro de determinado cenário. No caso das eleições presidenciais de 2026, esse argumento vem sendo utilizado pela campanha de Flávio para tentar ampliar sua votação entre eleitores que se identificam com posições contrárias ao PT. A estratégia, contudo, depende da disposição desses eleitores em alterar suas escolhas ao longo da campanha.

Os próximos levantamentos poderão mostrar se essa estratégia estará acompanhada por mudanças nas intenções de voto entre os diferentes candidatos de oposição a Lula. Pesquisas recentes já registraram oscilações relevantes nos percentuais atribuídos aos principais nomes, enquanto novos levantamentos continuam sendo realizados e registrados na Justiça Eleitoral. Assim, o cenário permanece sujeito a alterações até o primeiro turno, e os dados disponíveis devem ser analisados considerando sempre a data, a metodologia, a margem de erro e o universo pesquisado.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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