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Flávio Bolsonaro tentou evitar as provocações do adversário, mas Lula insistiu em tentar tirar o senador do sério

O último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de sexta-feira, 23 de outubro, na TV Globo, foi marcado por estratégias diferentes de confronto entre os candidatos à Presidência da República. Segundo análise publicada por Pedro Venceslau, no blog da CNN Brasil, Flávio procurou adotar um tom mais moderado em comparação com o encontro anterior, enquanto Lula manteve uma postura ofensiva e recorreu a provocações verbais contra o adversário. O confronto ocorreu dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro, e reuniu críticas à economia, à segurança pública, aos programas sociais e às gestões dos dois grupos políticos.

Durante a transmissão, Lula recomendou repetidamente que o público consultasse o Google para verificar informações sobre ações de seu governo e declarações atribuídas ao adversário. A estratégia chamou atenção porque transferiu parte da discussão para pesquisas na internet, em vez de concentrar todas as respostas nos argumentos apresentados diretamente pelos candidatos. Flávio aproveitou essas referências para questionar a postura do presidente e perguntou quem governava o Brasil, se Lula ou o mecanismo de buscas, em uma das trocas mais comentadas do debate.

A disputa também envolveu temas com potencial de repercussão eleitoral, como licença-maternidade, Bolsa Família, custo de vida e a administração de Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. Lula questionou posicionamentos anteriores de Flávio e procurou associá-lo a decisões e declarações controversas, enquanto o candidato do PL apresentou respostas e defendeu propostas para áreas como economia e segurança. A análise de Pedro Venceslau destacou justamente o contraste entre a tentativa de Flávio de evitar provocações mais ostensivas e a escolha de Lula por um discurso que buscava pressionar o adversário.

Flávio adota tom mais moderado e responde a críticas de Lula

De acordo com a análise publicada pela CNN Brasil, Flávio buscou reduzir o tom de confronto pessoal observado no debate anterior, sem abandonar as críticas ao governo federal. A mudança de postura ocorreu depois de o encontro anterior ter sido marcado por provocações e movimentações que chamaram a atenção durante a transmissão televisiva. Na reta final da campanha, o senador procurou combinar questionamentos à administração petista com declarações sobre propostas que pretende defender caso seja eleito presidente.

Um dos assuntos explorados por Lula foi a posição de Flávio sobre a ampliação da licença-maternidade, além de uma publicação antiga em que o senador havia chamado o Bolsa Família de “Bolsa Farelo”. Ao responder sobre a licença-maternidade, Flávio fez uma autocrítica e afirmou que havia errado ao votar contra a medida quando exercia mandato de deputado estadual. O candidato também declarou que não pretende acabar com os programas sociais caso vença a eleição, tema que permaneceu entre os pontos de disputa durante a campanha.

Lula ainda tentou relacionar o adversário a episódios da gestão de Jair Bolsonaro, o que levou Flávio a defender decisões e posições associadas ao governo de seu pai. A estratégia colocou o senador diante da necessidade de responder tanto por suas próprias declarações anteriores quanto por questões ligadas à administração federal entre 2019 e 2022. Ao mesmo tempo, o candidato do PL procurou apresentar suas críticas ao governo atual sem repetir integralmente o estilo mais provocativo que marcou o debate realizado anteriormente pela TV Bandeirantes.

Lula recorre ao Google e questiona conhecimento do adversário

As referências às buscas na internet apareceram em diferentes momentos do confronto, especialmente quando os candidatos discutiram investimentos públicos e obras na região Norte. Lula afirmou que Flávio não conhecia suficientemente a realidade brasileira e recomendou que o senador consultasse informações sobre as ações realizadas pelo governo federal no Amazonas. O presidente citou investimentos em áreas como saneamento, infraestrutura e serviços públicos, utilizando as sugestões de pesquisa como parte de suas respostas às críticas do adversário.

A repetição da expressão “dá um Google” tornou-se um dos elementos mais destacados do debate, sobretudo depois que Flávio questionou por que o presidente recorria ao buscador durante as discussões. A frase do senador foi usada para contestar a maneira como Lula apresentava informações e para sustentar que o chefe do Executivo deveria responder diretamente sobre as ações de sua administração. A troca de declarações também se conectou à chamada estratégia Google, discutida previamente pelas campanhas como uma forma de estimular eleitores a pesquisar episódios controversos relacionados aos concorrentes.

Antes do debate, reportagens da CNN Brasil já haviam apontado que os dois candidatos pretendiam incentivar pesquisas sobre temas capazes de gerar questionamentos políticos contra o adversário. A estratégia envolvia mencionar episódios, declarações e controvérsias para levar o público a procurar informações adicionais na internet, ampliando a repercussão das acusações feitas durante a transmissão. No encontro de sexta-feira, entretanto, a insistência de Lula nas buscas ganhou destaque próprio e acabou provocando uma resposta direta de Flávio sobre o papel do Google na discussão política.

Economia, programas sociais e gestão Bolsonaro entram no confronto

Além das referências ao buscador, os candidatos discutiram o endividamento das famílias, o custo de vida e as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros para pagar despesas cotidianas. Flávio criticou a política econômica do governo Lula e retomou a promessa de melhoria do poder de compra, usando a comparação entre a picanha prometida na campanha petista e a dificuldade de comprar alimentos. Lula reconheceu a gravidade do endividamento e defendeu iniciativas de renegociação de dívidas, enquanto contestou as críticas feitas pelo senador.

A atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 também entrou na discussão, com Lula criticando declarações e decisões do ex-presidente relacionadas à vacinação e à condução da crise sanitária. Flávio, por sua vez, defendeu aspectos da administração do pai e procurou direcionar o debate para problemas atuais, incluindo segurança pública e economia. A troca de acusações mostrou que, mesmo com a tentativa de apresentar propostas, os dois candidatos continuaram recorrendo ao histórico político dos adversários para sustentar seus argumentos.

A análise de Pedro Venceslau, publicada na CNN Brasil em 24 de outubro, apontou a diferença entre o tom mais moderado adotado por Flávio e a ofensiva verbal de Lula, marcada pelas recomendações para que o público fizesse buscas no Google. O debate foi o último encontro televisivo entre os dois presidenciáveis antes da votação de segundo turno, marcada para 25 de outubro de 2026. Na discussão sobre saneamento básico na região Norte, Flávio chegou a perguntar diretamente a Lula quem governava o país, o presidente ou o Google.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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