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Flávio Bolsonaro terá que encarar dois inquéritos criminais e já foi intimidado pela Polícia Federal

Flávio Bolsonaro enfrentará dois inquéritos criminais após o encerramento de seu mandato como senador, previsto para fevereiro de 2027. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), o político do PL terá de lidar com investigações que apuram suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Além disso, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a entrega de seus passaportes comum e diplomático e proibiu sua saída do Brasil.

A situação jurídica do senador mudou após o resultado eleitoral, já que a derrota impediu que ele assumisse a Presidência da República e tivesse acesso às regras de imunidade temporária aplicáveis ao cargo. Na segunda-feira (26), a Polícia Federal o intimou a entregar os documentos de viagem por determinação do ministro Alexandre de Moraes. A medida está relacionada a uma das investigações que apuram possíveis irregularidades envolvendo o parlamentar e pessoas próximas a ele.

Com o fim do mandato parlamentar, Flávio também perderá o foro especial associado ao cargo de senador, encerrando uma trajetória de representação política que começou em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. A mudança, entretanto, não significa que as investigações serão automaticamente encerradas ou que haverá uma conclusão antecipada sobre as suspeitas. Os procedimentos deverão seguir os trâmites definidos pelas autoridades responsáveis, enquanto os envolvidos poderão apresentar suas versões e exercer o direito de defesa.

Flávio Bolsonaro e a investigação sobre o filme Dark Horse

O primeiro inquérito envolve a negociação de recursos com Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação busca esclarecer as circunstâncias do pedido de dinheiro, a origem dos valores e a possível ocorrência de crimes financeiros. Entre as suspeitas apuradas estão corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, embora a existência de uma investigação não represente comprovação de culpa.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a realização do longa-metragem. A apuração também procura esclarecer a movimentação de recursos enviados aos Estados Unidos e verificar se houve irregularidades nas operações relacionadas ao projeto. Parte das diligências ainda depende da análise de informações financeiras e de possíveis conexões envolvendo o senador e as transações investigadas.

Flávio negou irregularidades relacionadas ao financiamento do filme e afirmou que a produção utiliza recursos privados. O senador também declarou anteriormente que defendia transparência sobre o assunto e que não havia nada de errado no projeto cinematográfico. O caso tramita no Supremo, sob relatoria do ministro André Mendonça, após uma determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que os procedimentos fossem encaminhados ao gabinete responsável.

Caso Willer Tomaz envolve suspeitas de lavagem de dinheiro

O segundo inquérito investiga a relação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador. A apuração está sob a relatoria de Alexandre de Moraes e surgiu a partir de elementos identificados durante uma investigação relacionada a suspeitas de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Após a apreensão do celular do advogado, investigadores encontraram registros e informações financeiras que passaram a integrar a análise sobre possíveis irregularidades.

Entre os elementos examinados pela Polícia Federal estão registros de encontros, festas, reuniões e viagens envolvendo as famílias de Flávio e Willer. A investigação também identificou passagens aéreas pagas por uma empresa ligada à estrutura empresarial associada ao advogado, além de comunicações realizadas por um aplicativo que permite o desaparecimento de mensagens. Esses dados são analisados em conjunto para esclarecer a natureza dos vínculos pessoais e financeiros entre os envolvidos, sem que sua existência, isoladamente, comprove a prática de crimes.

Outro ponto da apuração envolve a informação de que Flávio teria figurado como usuário master de uma conta bancária vinculada à holding Alcazar, associada a Willer. Segundo os investigadores, essa condição poderia permitir um nível elevado de gerenciamento da conta e justificar o aprofundamento das diligências sobre uma possível participação econômica ou societária. O senador contestou essa interpretação e afirmou que nunca teve acesso como usuário master a contas de Willer ou de empresas ligadas ao advogado, enquanto a defesa deste sustentou que suas atividades empresariais são lícitas.

Fim do mandato altera situação política e jurídica do senador

O encerramento do mandato de Flávio, em fevereiro de 2027, marcará sua primeira passagem para fora de um cargo eletivo desde que iniciou a carreira política, em 2002. A perda do foro especial ocorre em um momento no qual as investigações sobre o financiamento de Dark Horse e os vínculos com Willer Tomaz continuam em andamento. A competência para conduzir os procedimentos, contudo, depende das regras jurídicas aplicáveis aos fatos investigados e da relação deles com o exercício do mandato, não apenas da saída do cargo.

A derrota presidencial também significa que Flávio não assumirá a imunidade temporária prevista para o presidente da República em relação a determinados fatos anteriores ao mandato e sem ligação com suas funções. Enquanto isso, as duas investigações citadas pela Folha seguem voltadas ao esclarecimento de suspeitas, e as decisões sobre eventuais responsabilidades dependerão da análise das provas e do devido processo legal. O senador nega irregularidades nos casos mencionados, e os procedimentos ainda precisam avançar para que as autoridades responsáveis definam seus desdobramentos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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