Haddad afirma ter recusado encontros com Vorcaro: ‘Tentou me cercar’

O ex-prefeito e candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), declarou publicamente ter recusado diversos pedidos de reunião com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A revelação foi feita em vídeo divulgado nas redes sociais, no qual o candidato detalha que a tentativa de aproximação ocorreu por meio de diferentes canais e que, em todas as ocasiões, optou por não receber o empresário. A decisão, segundo ele, seguiu orientação de sua equipe técnica, que alertou sobre os riscos de contato com a instituição financeira diante das suspeitas que passaram a envolvê-la.
“O Vorcaro tentou me cercar de várias formas, por caminhos diferentes, e eu sempre me recusei a receber o dono do Banco Master”, afirmou Haddad. O candidato explicou que a avaliação prévia feita por seus assessores identificou que o encontro não seria recomendável, em razão das investigações que já começavam a ganhar dimensão. A postura, segundo ele, reflete o cuidado que a vida pública exige, pois nem tudo o que é formalmente permitido é também oportuno diante do interesse coletivo.
Haddad ressaltou que a conduta adotada visou resguardar a lisura de sua atuação e a confiança da população. Ele destacou que a transparência deve prevalecer sobre qualquer relação pessoal ou institucional, especialmente em período eleitoral. O candidato fez questão de dizer que acompanha com atenção os desdobramentos das apurações e que torce para que a Justiça esclareça todos os fatos com agilidade, de modo que ninguém seja prejudicado por acusações sem fundamento nem beneficiado por informações mantidas em sigilo.
O candidato pediu a abertura completa dos processos ligados ao Banco Master antes do dia 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições. “Defendo que todos os inquéritos relacionados ao caso tenham o sigilo levantado. Não é justo que o país vá às urnas sem saber o que cada um fez”, completou. Para ele, a sociedade tem o direito de conhecer os elementos reunidos pelas autoridades e formar sua própria opinião com base em dados públicos, sem que informações relevantes fiquem ocultas no momento da decisão eleitoral.
A fala insere o tema da transparência no centro da disputa estadual paulista, um dos colégios eleitorais mais decisivos do país. Ao se posicionar de forma clara sobre a necessidade de publicidade dos autos, Haddad procura diferenciar sua postura e responder antecipadamente a eventuais questionamentos. A medida também sinaliza que considera o acesso à informação condição essencial para que a escolha dos eleitores seja livre e consciente, sem influência de fatos que ainda não vieram a público.
A expectativa agora recai sobre a resposta do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos envolvidos, que deverão avaliar a viabilidade de disponibilizar os documentos antes do pleito. O pedido de Haddad ecoa reivindicações de outros atores políticos e reforça a pressão por clareza e rapidez nas apurações. À medida que a campanha avança, a forma como cada candidato se posiciona diante do Caso Master tende a ganhar ainda mais peso nas avaliações dos eleitores, que buscam não apenas propostas, mas também confiança e integridade.





