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Kássio exige que institutos de pesquisa informem sobre uso de áudios e vídeos

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou ajustes no sistema nacional de registro de pesquisas eleitorais com o objetivo de ampliar a clareza sobre a metodologia utilizada pelos institutos. A principal novidade é a exigência de informação detalhada sobre o uso de recursos visuais ou sonoros durante as entrevistas — como áudios, vídeos e imagens —, prática que passou a receber atenção especial após episódios ocorridos ao longo deste ano. As alterações buscam dar maior visibilidade a elementos que podem influenciar as respostas do eleitorado.

A discussão sobre o tema ganhou força em junho, quando Nunes Marques concedeu liminar suspendendo a divulgação de levantamento realizado pelo instituto AtlasIntel. A campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) argumentou que, na pesquisa, foram apresentados aos entrevistados trechos de áudio envolvendo o próprio candidato e o banqueiro Daniel Vorcaro sem que essa informação tivesse sido declarada previamente no sistema oficial do TSE. O caso evidenciou lacuna nas regras vigentes até então, que não exigiam menção expressa ao emprego de materiais multimídia.

Outra atualização relevante diz respeito à ordem em que as perguntas são formuladas. Especialistas em metodologia eleitoral apontam que questões consideradas mais sensíveis — como avaliação da gestão pública, intenção de voto e grau de rejeição a candidatos — devem ser apresentadas no início da entrevista. Quando temas associados a fatos polêmicos ou a figuras públicas são inseridos antes dessas perguntas centrais, podem alterar de forma significativa o padrão de respostas, distorcendo o resultado final.

O Tribunal ressalta que as novas determinações não impõem obrigações inéditas, mas tornam mais explícitos e detalhados elementos que já deveriam ser prestados pelas empresas. Até cinco dias antes da publicação de cada pesquisa, os institutos já devem informar quem contratou o levantamento, valor pago, origem dos recursos, período de realização, plano amostral e o questionário completo. Com a atualização, passam também a detalhar com mais precisão o perfil da população entrevistada, o nível de confiança e a margem de erro máxima esperada.

As mudanças foram elaboradas após reuniões técnicas realizadas em julho entre o ministro Kassio Nunes Marques e representantes dos principais institutos de pesquisa do país. O diálogo teve como objetivo ouvir sugestões do setor e ajustar os procedimentos de modo a atender tanto a necessidade de transparência quanto a viabilidade operacional das empresas. O entendimento comum é que quanto mais completa a informação disponível, maior a confiança da sociedade nos resultados apresentados.

O processo referente à pesquisa AtlasIntel segue em tramitação no TSE e ainda não tem data definida para retorno ao plenário. A ministra Estela Aranha pediu vista dos autos em junho e, posteriormente, prorrogou o prazo de análise por mais 30 dias a partir de 21 de agosto. O julgamento deverá estabelecer critérios gerais a serem observados por todos os institutos nas eleições em curso. Enquanto isso, as novas regras de registro já passam a valer, permitindo que eleitores, jornalistas e candidatos acompanhem com maior clareza como cada levantamento foi conduzido.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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