Geral

“Ladrão e vacilão”: Nikolas ataca Moraes com camiseta após vídeo de jatinho

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou neste domingo, 20, imagem em que aparece vestindo camiseta com a foto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Sobre a testa do magistrado, foi estampada a frase “Sou ladrão e vacilão”, mesma inscrição que foi imposta à força no rosto de um jovem em 2017, caso que ganhou repercussão nacional. A postagem foi feita logo após a divulgação de vídeo que mostra Moraes e a esposa, Viviane Barci, desembarcando de um jato particular vinculado ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na sequência de publicações na rede X, o parlamentar questionou a conduta do ministro diante dos desdobramentos do caso. “Será que Moraes vai incluir a si próprio no inquérito sobre desinformação?”, indagou em uma das mensagens. Em outra postagem, sugeriu que a própria Corte avalie a situação com clareza: “Na próxima sessão do STF, se ninguém apresentar esses fatos e cobrar explicações, será hora de pedir o processo de afastamento de todos os que se calarem”, declarou, sem detalhar nomes ou medidas formais que pretende adotar.

A viagem em questão teria ocorrido em período em que a situação do Banco Master já era alvo de atenção das autoridades. Cerca de um mês antes do deslocamento, o Banco Central encaminhou comunicação oficial ao Ministério Público Federal apontando sinais consistentes de gestão irregular em operações realizadas entre o BRB e a instituição financeira comandada por Vorcaro. O alerta sinalizava que os negócios poderiam estar prejudicando a saúde do sistema financeiro, o que tornava ainda mais relevante qualquer aproximação entre pessoas ligadas ao banco e autoridades em posição de influência.

Tanto Alexandre de Moraes quanto a defesa do escritório da esposa negam a existência de qualquer vínculo irregular com o caso. Ambos afirmam publicamente que o contrato de R$ 50 milhões que vem sendo mencionado nas investigações nunca foi formalizado nem assinado. A versão sustentada é de que não houve prestação de serviços ou remuneração que configurasse conflito de interesses ou favorecimento. A defesa acrescenta que cada encontro ou deslocamento ocorreu dentro da normalidade e sem qualquer tratamento de assunto ligado ao Banco Master.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no aparelho celular de Daniel Vorcaro trazem, porém, elementos que alimentam as dúvidas. Em conversa registrada em 16 de julho de 2025, o banqueiro pergunta ao gestor de uma empresa de aviação se o casal fazia uso das aeronaves. A resposta confirma que o acesso a jatos e helicópteros já estava liberado e em utilização. O conteúdo dos diálogos não esclarece, no entanto, quem arcou com os custos ou se houve prestação de contrapartida, ponto que permanece em análise pela perícia.

A sociedade acompanha esses desdobramentos buscando respostas transparentes e objetivas. A confiança nas instituições depende de que cada fato seja investigado com isenção, sem precipitação nem omissão. Cabe às autoridades competentes cruzar todas as informações disponíveis e apresentar à população elementos que permitam compreender a natureza dos contatos, o motivo dos deslocamentos e eventual influência nos processos que tramitam na Corte. O eleitorado aguarda que a verdade seja estabelecida com celeridade, para que as instituições restabeleçam a credibilidade que a população espera e merece.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *