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Luis Lacalle, ex-presidente do Uruguai, teve que se esforçar para conseguir beijar a mão do papa Leão

Um episódio envolvendo o papa Leão 14 e um ex-presidente uruguaio chamou a atenção durante a chegada do pontífice a Montevidéu, na sexta-feira (6). Luis Alberto Lacalle Herrera, que governou o Uruguai entre 1990 e 1995, tentou beijar a mão do líder da Igreja Católica durante a cerimônia oficial de recepção, mas teve o gesto recusado pelo religioso. A situação foi registrada em vídeo, ganhou repercussão nas redes sociais e colocou novamente em evidência a mudança de comportamento dos últimos papas em relação a uma tradição secular do catolicismo.

O encontro aconteceu na Praça da Independência, um dos principais espaços públicos da capital uruguaia, onde autoridades políticas e representantes da sociedade aguardavam a chegada de Leão 14. Durante o cumprimento aos convidados, o pontífice estendeu a mão para saudar os presentes, seguindo a sequência de apresentações organizada pela cerimônia oficial, até chegar a vez de Lacalle Herrera. O ex-presidente então se inclinou na tentativa de beijar o anel papal, mas Leão 14 retirou a mão para evitar o gesto, provocando um momento de aparente constrangimento diante das câmeras.

Mesmo depois da primeira tentativa de recusa, Lacalle Herrera insistiu por alguns segundos, enquanto o papa continuava evitando que o cumprimento fosse realizado daquela maneira. Finalmente, os dois terminaram apertando as mãos e se cumprimentaram olhando um para o outro, encerrando uma situação que rapidamente ganhou destaque na imprensa internacional. O episódio também despertou curiosidade porque beijar o anel do papa representa uma tradição histórica da Igreja Católica, embora os últimos pontífices tenham demonstrado preferência por cumprimentos menos cerimoniosos.

Ex-presidente do Uruguai tenta beijar anel papal e gesto é recusado

Luis Alberto Lacalle Herrera pertence ao Partido Nacional e ocupou a Presidência do Uruguai entre 1990 e 1995, período marcado pela implementação de reformas econômicas e por mudanças nas relações comerciais do país. Ele também é pai de Luis Lacalle Pou, que governou o Uruguai entre 2020 e 2025, mantendo a família presente na história política recente da nação sul-americana. Por isso, sua participação na recepção ao papa não foi apenas uma representação protocolar, mas também reuniu duas gerações de uma das famílias com trajetória importante na política uruguaia.

Além de Lacalle Herrera, a cerimônia contou com a presença do atual presidente uruguaio, Yamandú Orsi, e de outros antigos ocupantes do cargo, entre eles Julio María Sanguinetti e Luis Lacalle Pou. Também participou Lucía Topolansky, viúva do ex-presidente José Pepe Mujica, que morreu em maio de 2025 e teve uma trajetória política bastante conhecida dentro da esquerda uruguaia. A reunião de representantes de diferentes correntes políticas foi destacada durante a recepção, demonstrando a intenção de apresentar uma imagem de convivência institucional diante da visita do chefe da Igreja Católica.

A cerimônia foi realizada na Praça da Independência, local histórico de Montevidéu que concentra importantes referências políticas e culturais do Uruguai. Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, aproximadamente 30 mil pessoas compareceram para acompanhar a chegada do pontífice e participar das atividades relacionadas à visita. Depois dos cumprimentos às autoridades, Leão 14 e Yamandú Orsi subiram ao palco para discursar diante do público, dando continuidade à programação oficial da primeira etapa da viagem apostólica pela América do Sul.

Papa Leão 14 mantém postura adotada por Francisco sobre beijo no anel

O beijo no anel papal é uma tradição antiga do catolicismo e representa uma demonstração de respeito à autoridade religiosa exercida pelo pontífice como líder máximo da Igreja Católica. O objeto é conhecido como Anel do Pescador e está associado à missão de São Pedro, considerado pela tradição católica o primeiro papa e uma das principais referências do cristianismo. Historicamente, o gesto de beijar o anel foi realizado por fiéis, autoridades e representantes religiosos durante encontros oficiais, funcionando como uma expressão de reverência e reconhecimento da função exercida pelo papa.

Entretanto, essa tradição passou a ser menos incentivada durante o pontificado de Francisco, antecessor de Leão 14, que frequentemente retirava a mão para evitar que pessoas beijassem seu anel. A atitude foi interpretada como uma manifestação de simplicidade e proximidade com os fiéis, características que marcaram diferentes momentos de sua liderança religiosa. Ao recusar o cumprimento de Lacalle Herrera, Leão 14 repetiu um comportamento já observado durante o governo de Francisco, embora o episódio não tenha sido acompanhado de uma explicação pública específica sobre a decisão.

Viagem de Leão 14 pela América do Sul reúne compromissos religiosos e políticos

A passagem pelo Uruguai representa a primeira etapa de uma viagem apostólica de 12 dias pela América do Sul, que também inclui compromissos na Argentina e no Peru. Leão 14 desembarcou em Montevidéu na sexta-feira (6) e participou de encontros com autoridades, representantes da sociedade civil e integrantes da comunidade católica, além de celebrações religiosas previstas em sua programação. A viagem possui significado especial para o pontífice, que nasceu nos Estados Unidos, mas desenvolveu parte importante de sua trajetória missionária no Peru, país com o qual mantém uma ligação histórica e recebeu cidadania.

Durante os compromissos no Uruguai, o papa também abordou questões sociais, democracia, saúde pública e cooperação entre os países sul-americanos, defendendo o diálogo como instrumento para enfrentar problemas comuns. A recusa ao beijo de Lacalle Herrera acabou se tornando uma das imagens mais comentadas da recepção, mas a viagem possui uma agenda muito mais ampla, com encontros religiosos e institucionais em diferentes localidades. Depois do Uruguai, Leão 14 seguirá para a Argentina e o Peru, onde deverá cumprir novas atividades antes de retornar a Roma, em 17 de novembro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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