Lula e Flávio Bolsonaro pretendem adotar um tom mais ‘propositivo’ no debate da Globo na noite desta sexta-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) prepararam manobras táticas para a movimentação no palco do último debate presidencial da TV Globo antes do segundo turno das eleições de 2026. A disputa pela posição diante das câmeras ganhou importância depois que Flávio permaneceu atrás de Lula durante algumas respostas no debate da Band, fazendo gestos e expressões enquanto o presidente falava. Para o confronto desta sexta-feira, 23 de outubro, os dois candidatos ajustaram suas estratégias para utilizar o espaço disponível e evitar que os movimentos físicos desviem a atenção do público das declarações e propostas apresentadas.
A movimentação dos presidenciáveis passou a integrar os treinamentos das duas campanhas porque o posicionamento no cenário pode influenciar a maneira como os telespectadores acompanham o debate. Flávio pretende continuar utilizando o espaço quando estiver com a palavra, enquanto Lula se preparou para evitar que o adversário apareça ao fundo de sua imagem durante as respostas. As equipes também trabalham para adaptar os candidatos às regras estabelecidas pela emissora, que restringem a circulação quando um dos participantes está falando e determinam limites específicos para cada bloco.
O confronto será realizado dois dias antes do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, e representa a última oportunidade de debate televisionado entre os candidatos. Além das manobras táticas no palco, Lula e Flávio pretendem apresentar propostas e buscar eleitores indecisos, que ainda podem definir o voto na reta final. As campanhas também ajustaram o tom dos discursos depois do encontro anterior, marcado por acusações, provocações e discussões que ocuparam parte significativa do tempo disponível.
Flávio prepara movimentação estratégica e muda o tom das respostas
Flávio Bolsonaro chamou a atenção no debate da Band ao permanecer atrás de Lula enquanto o presidente respondia às perguntas, realizando gestos e expressões de discordância. A movimentação lembrou uma estratégia utilizada pelo presidente americano Donald Trump durante um debate contra Hillary Clinton, em 2016, quando ele circulou pelo palco enquanto a adversária falava. No confronto brasileiro, a atitude provocou reações da campanha petista e passou a ser considerada um dos pontos centrais na preparação para o debate seguinte.
A equipe do senador pretende manter a possibilidade de movimentação, mas precisará respeitar as regras da Globo, que impedem o candidato sem a palavra de circular pelo cenário nos três primeiros blocos. Durante esses momentos, somente o presidenciável que estiver falando poderá se deslocar livremente, enquanto o adversário deverá permanecer junto ao próprio púlpito. No quarto bloco, dedicado a tema livre, cada candidato poderá circular apenas pelo lado do cenário destinado a ele, o que limita a possibilidade de repetir a estratégia utilizada na Band.
Além da preparação física para o cenário, Flávio treinou respostas sobre economia popular, segurança pública, proteção às mulheres, saúde, custo de vida e manutenção de programas sociais. A campanha também procurou reduzir o tom provocativo do senador, orientando-o a responder mais diretamente às perguntas e reservar espaço para a apresentação de propostas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou da preparação, assim como o senador eleito Guilherme Derrite, que contribuiu com questões relacionadas à segurança pública.
Lula tenta evitar provocações e controlar sua posição diante das câmeras
A campanha de Lula também dedicou atenção especial à movimentação no palco depois do debate da Band, quando o presidente apareceu fora do foco principal das câmeras em alguns momentos. A equipe petista pretende que Lula permaneça mais tempo junto ao púlpito e evite se desconcentrar com gestos ou deslocamentos do adversário. A estratégia busca manter o presidente concentrado nas respostas e reduzir a possibilidade de que a movimentação de Flávio volte a ocupar o centro das imagens transmitidas.
O presidente também se preparou para responder às críticas do senador sem transformar o confronto em uma sequência prolongada de acusações pessoais. A campanha pretende destacar medidas do governo, apresentar propostas para um eventual quarto mandato e abordar temas como o programa Prospera MEI, o fim da escala de trabalho 6×1 e o passe livre nos fins de semana. Ao mesmo tempo, Lula deverá questionar o adversário sobre assuntos que ganharam repercussão durante a campanha, incluindo o desafio para abertura de sigilos bancários e telefônicos.
A preparação petista contou com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, além dos senadores Camilo Santana e Rui Costa e do governador do Piauí, Rafael Fonteles. O grupo auxiliou na organização dos argumentos e na preparação para possíveis perguntas sobre ações do governo e temas controversos. A equipe também procurou orientar Lula a manter o foco durante o debate, evitando que provocações ou movimentações do adversário prejudiquem a exposição de suas propostas.
Regras da Globo limitam as manobras durante o confronto
A TV Globo estabeleceu quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais, para organizar o debate entre Lula e Flávio. Nos três primeiros blocos, o candidato com a palavra poderá se movimentar pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer no púlpito até chegar sua vez de falar. A regra impede que um dos participantes fique circulando atrás do outro durante as respostas, como ocorreu no debate anterior.
No quarto bloco, os candidatos terão tema livre e poderão utilizar oito minutos de fala cada um, com liberdade de movimentação limitada ao próprio lado do palco. A configuração busca permitir que os presidenciáveis desenvolvam seus argumentos sem interferir fisicamente na participação do concorrente. A ordem das perguntas será definida por sorteio ao vivo, e os temas dos blocos anteriores incluirão assuntos relacionados às regiões brasileiras e questões de alcance nacional.
A emissora também anunciou a checagem de declarações durante a transmissão, por meio do serviço Fato ou Fake, publicado pelo g1. A verificação será realizada por jornalistas do grupo e ficará disponível na internet, permitindo que o público consulte análises sobre afirmações feitas pelos candidatos. A checagem não será exibida diretamente na tela da televisão, mas poderá ser acompanhada nos canais digitais durante o debate e depois de seu encerramento.
Debate será a última disputa televisionada antes das urnas
O debate está previsto para começar às 21h20, após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli, nos estúdios da Globo, no Rio de Janeiro. A transmissão ocorre a dois dias do segundo turno e concentra os esforços finais das campanhas para alcançar eleitores indecisos e mobilizar apoiadores. Lula e Flávio deverão combinar a apresentação de propostas com respostas às críticas do adversário, dentro das regras definidas pela emissora.
As manobras táticas para a movimentação no palco representam um dos elementos mais observados na preparação dos candidatos, depois da repercussão das imagens do debate da Band. Flávio pretende utilizar o espaço quando tiver a palavra, enquanto Lula buscará permanecer concentrado em suas respostas e evitar que o posicionamento do adversário interfira em sua imagem. Com as novas limitações, ambos terão de adaptar os movimentos às regras da Globo durante o último confronto televisionado antes da votação de 25 de outubro.





