Manifestantes gostaram de ver o boneco inflável de Donald Trump segurando Lula

Um boneco inflável gigante de Donald Trump segurando uma representação de Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário chamou atenção durante o ato político convocado por Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo. A manifestação ocorreu na segunda-feira, 7 de setembro, feriado da Independência do Brasil, e reuniu apoiadores do candidato do PL à Presidência da República. A imagem acabou se tornando um dos símbolos mais comentados da mobilização, que teve como principais alvos Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na representação, Lula apareceu com uma roupa associada a presidiários e a inscrição “13-171” foi colocada no uniforme. O número 13 fez referência ao PT, partido do presidente, enquanto o 171 remeteu ao artigo do Código Penal relacionado ao crime de estelionato, segundo a explicação publicada pelo Estado de Minas. Dessa forma, o boneco foi utilizado pelos manifestantes como uma representação política e simbólica de oposição ao governo federal.
A cena foi exibida em meio a uma manifestação marcada pelas cores verde e amarelo, bandeiras dos Estados Unidos e cartazes com mensagens contra Lula e Moraes. Entre os motes apresentados pelos participantes estavam “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”, que sintetizaram o tom adotado durante o protesto. O ato também contou com a presença de políticos aliados de Flávio, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Boneco de Trump virou símbolo do protesto contra Lula
A presença de Trump ganhou destaque porque o ex-presidente americano ocupou posição de destaque entre os símbolos utilizados pelos manifestantes. A figura inflável mostrava o político norte-americano segurando uma caricatura de Lula, criando uma associação visual direta entre Trump e a oposição ao presidente brasileiro. O registro da cena circulou amplamente e passou a representar uma das imagens mais marcantes do ato realizado na Paulista.
Outros elementos também reforçaram a aproximação entre parte do movimento bolsonarista e o político republicano dos Estados Unidos. Bandeiras americanas foram vistas entre os participantes, enquanto alguns manifestantes usaram bonés e peças relacionadas ao movimento político associado a Trump. Essa presença ocorreu em um momento de forte tensão nas relações políticas entre Brasil e Estados Unidos e de intensa disputa eleitoral no país.
O ato, no entanto, não ficou restrito à representação de Trump e Lula, já que outras figuras políticas também foram destacadas pelos participantes. Um boneco representando o ministro André Mendonça, do STF, foi levado para a manifestação, em uma demonstração de apoio ao magistrado em meio ao conflito institucional envolvendo Alexandre de Moraes. Com isso, a mobilização combinou críticas ao governo Lula, ataques a Moraes e defesa de uma mudança na composição e na atuação do Supremo.
Flávio Bolsonaro atacou Lula e Alexandre de Moraes
Durante o discurso na Avenida Paulista, Flávio Bolsonaro direcionou suas críticas principalmente ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. O candidato afirmou que pretendia trabalhar para recuperar a credibilidade do Judiciário e declarou que sua candidatura tinha caráter de protesto contra o cenário político que classificou como caótico. Ele também associou Lula a Moraes e afirmou que os dois estariam ligados politicamente.
Flávio também afirmou que pretendia indicar cinco ministros para o STF caso fosse eleito presidente. Segundo ele, as futuras indicações ocorreriam porque Moraes deixaria a Corte, e os escolhidos deveriam, entre outros critérios citados pelo candidato, respeitar a Constituição e não perseguir adversários políticos. A declaração reforçou uma das principais bandeiras apresentadas pelo senador durante a manifestação, que foi a defesa de mudanças no Supremo.
A manifestação ocorreu em meio ao agravamento da crise envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça, além de informações relacionadas a mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro. O episódio passou a ser explorado politicamente por setores da oposição, que utilizaram o caso para ampliar as críticas ao ministro do STF. Flávio aproveitou o ambiente para concentrar seu discurso na defesa do afastamento de Moraes e na necessidade de mudanças no Judiciário.
Ato de Flávio reuniu milhares na Avenida Paulista
O tamanho da manifestação também foi medido por pesquisadores da USP, do Cebrap e da organização More in Common. Segundo o levantamento, o ato alcançou um pico estimado de 28,5 mil participantes às 16h32, com margem de erro de 12%, número inferior aos registrados em manifestações semelhantes realizadas na Paulista em anos anteriores. Em 2025, a estimativa havia sido de 42,2 mil pessoas, enquanto em 2024 foram contabilizados 45,4 mil participantes.
A mobilização de 7 de Setembro ocorreu a poucas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e teve forte caráter eleitoral. Além de Flávio Bolsonaro, participaram do ato nomes como Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Silas Malafaia, Valdemar Costa Neto e Sergio Moro, que também fizeram críticas ao STF e ao governo federal. O boneco de Trump segurando Lula vestido de presidiário, portanto, acabou sintetizando visualmente o tom de confronto político adotado pela manifestação na Avenida Paulista.





