PT tentará conseguir os votos dos eleitores que não compareceram no 1º turno

O PT pretende adotar uma estratégia de comunicação baseada no chamado “marketing do medo” para tentar reduzir a abstenção no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A iniciativa foi revelada pelo jornalista Daniel Rittner, da CNN Brasil, e deverá ter como foco principalmente as regiões metropolitanas e os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva avalia que aumentar a participação desse grupo poderá ser decisivo na disputa contra Flávio Bolsonaro.
A estratégia deverá ser adaptada de acordo com o perfil de cada público, em uma espécie de comunicação “à la carte”. Em vez de concentrar a mensagem exclusivamente no Bolsa Família, estrategistas petistas pretendem apresentar outros programas e políticas públicas como exemplos do que estaria em risco caso Flávio Bolsonaro seja eleito. A campanha considera que essa abordagem poderá alcançar eleitores de diferentes faixas etárias e grupos sociais que se abstiveram no primeiro turno.
O primeiro turno registrou uma taxa de abstenção de 21,08%, equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores que não votaram. O índice foi considerado elevado e passou a ser tratado pelas campanhas como um dos principais fatores a serem enfrentados antes da votação de 25 de outubro. No caso do PT, a atenção se voltou especialmente para áreas metropolitanas do Sul e do Sudeste, onde a legenda identificou regiões com potencial de votos, mas também com grande número de ausentes.
PT mira eleitores ausentes nas grandes cidades
A campanha de Lula identificou regiões periféricas de grandes cidades como áreas prioritárias para a mobilização no segundo turno. Ministros e outras lideranças deverão percorrer esses locais pessoalmente, levando mensagens específicas para grupos que apresentaram índices elevados de abstenção. A orientação faz parte da tentativa de transformar a ausência registrada no primeiro turno em participação efetiva na segunda votação.
Entre os públicos que deverão receber mensagens específicas estão os idosos, as mães e os trabalhadores ligados à agricultura familiar. Para os idosos, a comunicação deverá abordar o Farmácia Popular e apresentar a manutenção do programa como uma questão associada ao resultado da eleição. Para as mães, o foco será a merenda escolar, enquanto os cooperativistas da agricultura familiar deverão ser abordados sobre a continuidade do Programa de Aquisição de Alimentos, conhecido como PAA.
A escolha desses temas mostra uma tentativa de aproximar a campanha de questões concretas do cotidiano dos eleitores. Segundo a análise publicada pela CNN Brasil, os estrategistas do PT avaliam que uma abordagem baseada apenas no Bolsa Família atualmente teria capacidade limitada de mobilização. Por isso, outros programas sociais e políticas públicas deverão ser apresentados como elementos que poderiam sofrer mudanças em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Estratégia retoma experiência eleitoral de 2014
A ideia de utilizar o receio de perda de benefícios sociais como instrumento eleitoral não é inédita para o PT. A campanha de Dilma Rousseff recorreu a uma estratégia semelhante em 2014, especialmente no segundo turno contra Aécio Neves, quando foram explorados questionamentos sobre a manutenção de programas criados durante os governos petistas. Naquele período, a campanha também havia utilizado mensagens direcionadas a públicos específicos para apresentar a eleição como uma escolha entre diferentes projetos de governo.
Em 2026, entretanto, a estratégia deverá ser aplicada em um cenário diferente, no qual a abstenção passou a representar um contingente de dezenas de milhões de eleitores. O PT pretende alcançar parte dessas pessoas principalmente nas grandes cidades, onde foram identificadas áreas com votação historicamente favorável ao partido, mas que apresentaram elevado número de ausentes. A campanha passou, portanto, a combinar a busca por novos votos com a tentativa de levar às urnas pessoas que já poderiam ter alguma inclinação política, mas não participaram da primeira votação.
A preocupação com a participação eleitoral ocorre paralelamente a uma reorganização mais ampla da campanha de Lula para o segundo turno. O resultado da primeira etapa levou o comando petista a rever estratégias de comunicação, ampliar a atuação nas redes sociais e buscar uma linguagem mais direta para diferentes segmentos da população. Entre as novas iniciativas também está a convocação de lideranças com forte presença digital para ajudar na mobilização de eleitores.
Abstenção se torna alvo central no segundo turno
A disputa pela redução da abstenção ocorre enquanto Lula e Flávio Bolsonaro tentam conquistar os votos que ficaram fora das urnas e também aqueles que foram destinados aos candidatos eliminados no primeiro turno. O número de ausentes, de aproximadamente 33,4 milhões, supera com folga o contingente de votos recebido individualmente por vários concorrentes que participaram da primeira etapa. Dessa forma, a participação desses eleitores passou a ser considerada uma variável importante para as estratégias das duas campanhas.
A campanha petista deverá intensificar a comunicação em regiões metropolitanas, principalmente no Sul e no Sudeste, enquanto mantém esforços em outras áreas consideradas relevantes para sua votação. A mensagem sobre possíveis impactos em programas sociais será apresentada de maneira segmentada, conforme o público que a equipe pretende alcançar em cada local. O objetivo declarado pela estratégia é reduzir a quantidade de eleitores que novamente deixariam de votar e, com isso, ampliar a participação na decisão presidencial.





