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O deputado federal Gleidson Azevedo já está planejando o futuro do filho na política

O deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos) revelou que pretende lançar o próprio filho, Arthur Azevedo, como candidato à Prefeitura de Divinópolis, em Minas Gerais, nas eleições municipais de 2028. A intenção foi apresentada durante uma entrevista ao portal Se Liga, de Divinópolis, na qual o político também reconheceu que a candidatura poderá enfrentar impedimentos previstos na Constituição Federal. A declaração chamou a atenção porque envolve a continuidade da família Azevedo na política municipal, especialmente depois da eleição de Gleidson para a Câmara dos Deputados e da vitória de seu irmão gêmeo, Cleitinho Azevedo, na disputa pelo governo de Minas Gerais.

Ao falar sobre o assunto, Gleidson deixou claro que gostaria de ver o filho disputando o comando da administração municipal, mas admitiu que ainda precisa verificar as condições legais para viabilizar o projeto. “Eu queria que ele fosse candidato a prefeito. Eu só vou analisar a questão da legislatura, da legalidade, se pode, por questão de idade e a questão de eu ter sido prefeito”, afirmou o parlamentar. A fala demonstra que a intenção política já existe, embora a possibilidade de transformar Arthur em candidato dependa de uma análise jurídica sobre as regras eleitorais aplicáveis à situação familiar e à trajetória do ex-prefeito.

O plano também coloca em evidência a influência política construída pelos Azevedo em Divinópolis e em outras regiões de Minas Gerais. Gleidson administrou a cidade antes de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Cleitinho ampliou a presença da família na política estadual ao vencer a eleição para governador. Nesse contexto, a possibilidade de Arthur disputar a prefeitura representa uma tentativa de manter o grupo familiar no centro das decisões políticas do município, mas também abre espaço para questionamentos sobre a concentração de candidaturas entre parentes e os limites estabelecidos pela legislação eleitoral brasileira.

Gleidson quer lançar o filho e cita impedimento na Constituição

A principal dificuldade mencionada pelo deputado está no artigo 14, parágrafo 7º, da Constituição Federal, que estabelece restrições à candidatura de parentes de determinados ocupantes de cargos do Poder Executivo na mesma circunscrição eleitoral. A regra alcança cônjuges e parentes consanguíneos ou por afinidade até o segundo grau, incluindo filhos, pais e irmãos, além de outras situações previstas no texto constitucional. O objetivo é impedir que a estrutura de poder de uma administração seja utilizada para favorecer a continuidade de familiares no comando do Executivo, preservando a alternância política e a igualdade de condições entre os concorrentes.

No caso de Divinópolis, a situação de Gleidson exige atenção porque ele exerceu dois mandatos consecutivos como prefeito antes de deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A legislação eleitoral estabelece que a renúncia não afasta automaticamente a restrição constitucional quando se trata de um terceiro mandato consecutivo ocupado por familiar, conforme a interpretação consolidada das regras de inelegibilidade. Portanto, não basta que Gleidson tenha deixado a prefeitura para concorrer a deputado federal, pois a análise precisa considerar o histórico de mandatos, a relação de parentesco e a circunscrição eleitoral envolvida.

Diante desse cenário, Gleidson afirmou que pretende buscar uma solução pela via judicial caso a candidatura do filho seja considerada impedida. O deputado eleito reconheceu que a questão ainda precisa ser esclarecida e que não pretende apresentar o projeto como algo juridicamente garantido antes de obter uma avaliação definitiva. Dessa maneira, uma eventual candidatura de Arthur dependerá do entendimento da Justiça Eleitoral sobre a aplicação da Constituição ao caso concreto, não sendo suficiente apenas a vontade política manifestada pelo pai.

Clã Azevedo na política: Gleidson defende candidatura de Arthur

Durante a entrevista, Gleidson também respondeu às possíveis críticas sobre a entrada de mais um integrante da família na política de Divinópolis. Em uma declaração que reforçou sua disposição de ampliar a presença dos Azevedo nos cargos públicos, afirmou: “Para quem começar a falar: ‘mais um?’. É, mais um. Mais um que é luz, que vai trabalhar, que é honesto e que vai servir a população”. Em seguida, acrescentou: “E quanto mais do clã Azevedo tiver, mais nós temos que lançar”, deixando explícito que considera positiva a participação de outros familiares nas disputas eleitorais.

O parlamentar também fez referência ao irmão Matheus, que morreu, ao comentar que ele igualmente teria participado da política caso estivesse vivo. “Infelizmente, o Matheus não está entre nós. Se ele tivesse, ele estaria também”, declarou Gleidson. A manifestação reforça o vínculo familiar que o deputado estabelece com o projeto político do grupo, embora a escolha de candidatos e a aprovação popular continuem sendo fatores fundamentais para qualquer disputa eleitoral.

Candidatura de Arthur pode interferir na sucessão política de Divinópolis

Outro ponto abordado na entrevista foi a relação entre uma eventual candidatura de Arthur Azevedo e a atual prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), que anteriormente ocupou o cargo de vice-prefeita de Gleidson. Questionado se o lançamento do filho seria feito com o apoio da atual administração ou se poderia representar uma candidatura concorrente, o deputado respondeu: “Você tem que perguntar a ela (Janete). Mas, igual eu te falei, se pudesse lançar, porque eu não sei a legalidade, se pode, o meu candidato seria o Arthur”. A declaração indica que, independentemente da posição de Janete, Gleidson já tem uma preferência definida para a sucessão municipal de 2028.

A disputa pela Prefeitura de Divinópolis ainda está distante, mas a manifestação antecipa possíveis movimentações e articulações políticas no município. Caso a candidatura de Arthur seja considerada juridicamente possível, o projeto poderá provocar mudanças nas alianças locais e abrir uma discussão sobre a continuidade do grupo Azevedo no poder, enquanto eventual impedimento constitucional obrigará Gleidson a rever seus planos. Até lá, a questão central será a interpretação da legislação eleitoral e a capacidade do grupo familiar de transformar sua influência política em apoio popular nas urnas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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