O dólar comercial e as aplicações de renda fixa pós-fixada foram os investimentos que apresentaram os melhores resultados em outubro de 2026, enquanto

O dólar comercial e as aplicações de renda fixa pós-fixada foram os investimentos que apresentaram os melhores resultados em outubro de 2026, enquanto a Bolsa de Valores brasileira terminou o mês com uma das maiores perdas recentes. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário nacional, recuou 9,88% e encerrou o período aos 167.921 pontos, depois de ter ultrapassado pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O levantamento divulgado pelo UOL Economia em 2 de novembro mostrou como as mudanças nas expectativas políticas e econômicas provocaram uma forte alteração no desempenho das aplicações financeiras.
O dólar avançou 5,22% em relação ao real durante outubro e fechou o mês cotado a R$ 5,444, voltando a superar o patamar de R$ 5,40 pela primeira vez desde dezembro de 2025. Mesmo com essa recuperação, a moeda norte-americana ainda acumulava desvalorização de 0,82% em 2026, resultado bastante diferente do observado em maio, quando a queda em relação ao real ultrapassava 10%. Na renda fixa, títulos públicos como Tesouro Selic e CDBs pós-fixados também tiveram desempenho positivo, beneficiados pela manutenção de juros elevados no Brasil.
O cenário mudou principalmente depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando Lula foi reeleito presidente da República. Até a votação, o Ibovespa acumulava valorização de 10,06% no mês e havia superado os 200 mil pontos, enquanto o dólar registrava queda de aproximadamente 3,5% e era negociado abaixo de R$ 5. Depois do resultado eleitoral, as incertezas sobre a política fiscal e a trajetória dos gastos públicos provocaram uma mudança no comportamento dos investidores, que passaram a buscar proteção em aplicações consideradas mais conservadoras.
Bolsa perde quase 10% e dólar volta a superar R$ 5,40
A queda do Ibovespa foi o principal destaque negativo do mercado financeiro brasileiro em outubro, especialmente porque o índice havia alcançado níveis históricos antes da definição presidencial. No fechamento de setembro, a Bolsa estava em 186.350 pontos, mas terminou outubro em 167.921 pontos, representando uma desvalorização mensal de 9,88%. Na última semana do mês, o movimento de baixa se intensificou e o indicador perdeu mais de 18% em relação ao pico registrado durante o período de otimismo anterior ao segundo turno.
A estrategista da Nomad, Rebecca Nossig, relacionou a retração principalmente às incertezas sobre a condução da política fiscal e o comportamento das despesas públicas depois da eleição. A mudança nas expectativas levou parte dos investidores a reduzir posições em ativos brasileiros, aumentando a procura por alternativas que oferecessem maior previsibilidade diante do cenário político. O economista-chefe da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo de Oliveira, avaliou que a Bolsa havia passado por uma correção expressiva e poderia apresentar certa acomodação depois das perdas registradas.
O dólar também refletiu a mudança de percepção dos investidores, mas apresentou resultado positivo para quem mantinha aplicações diretamente vinculadas à moeda norte-americana. A valorização de 5,22% em outubro levou a cotação a R$ 5,444, reduzindo significativamente a perda acumulada desde o início do ano. Esse desempenho, entretanto, não significa que todos os investimentos internacionais tenham apresentado resultados positivos, já que a valorização cambial pode ser compensada por perdas nos ativos adquiridos no exterior.
Ouro, Bitcoin e fundos imobiliários também registram perdas
O ouro terminou outubro com desvalorização de 6,78%, depois de encerrar setembro cotado a US$ 4.157,34 por onça-troy e fechar o mês seguinte em US$ 3.875,55. Considerando a cotação registrada no início de 2026, o metal acumulava queda de aproximadamente 10%, apesar de ter sido procurado por investidores como alternativa de proteção em diferentes momentos do ano. O recuo observado em outubro esteve relacionado principalmente às expectativas de juros mais elevados nos Estados Unidos, que aumentaram a atratividade dos títulos do Tesouro norte-americano.
O Bitcoin também apresentou um resultado negativo, com queda de 8,11% durante outubro, sendo negociado a US$ 76.829,56 às 18h do dia 30. No início do mês, a criptomoeda estava cotada a US$ 83.612,20, enquanto em janeiro seu preço era de US$ 87.612,70, o que representava uma desvalorização acumulada de 12,31% em 2026. Segundo a análise apresentada pelo UOL, tanto a queda do ouro quanto a do Bitcoin não tiveram relação direta com a eleição brasileira, mas foram influenciadas pelas expectativas de uma possível nova alta dos juros nos Estados Unidos em dezembro.
Os fundos imobiliários também fecharam outubro no campo negativo, com o IFIX, índice que acompanha esses ativos negociados na B3, recuando 2,89%. O indicador passou de 3.755 pontos no encerramento de setembro para 3.646 pontos no fim de outubro, ampliando as perdas acumuladas durante o ano. Até setembro, o IFIX registrava desvalorização de 0,53% em 2026, resultado que piorou com a queda observada no mês seguinte.
Renda fixa apresenta resultados diferentes conforme o tipo de título
Entre as aplicações de renda fixa, o Tesouro Selic e os CDBs pós-fixados tiveram desempenho positivo, com rentabilidade próxima de 1% em outubro. O Tesouro Selic funcionou como uma alternativa de maior estabilidade em um período de forte oscilação nos mercados, já que acompanha a taxa básica de juros da economia brasileira. O pequeno aumento do ágio pago pelo governo nos títulos também foi registrado durante o mês, passando de 0,023% para 0,031%.
Os títulos públicos prefixados e aqueles atrelados à inflação apresentaram um comportamento mais complexo, porque seus preços variam conforme as taxas exigidas pelo mercado. No caso do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032, a taxa começou outubro em 7,66% ao ano além da inflação, caiu para 6,68% no dia 9 e terminou o mês em 7,89%. Quem comprou o papel quando os juros estavam menores poderia ter registrado valorização expressiva naquele momento, mas a elevação posterior das taxas provocou uma queda no preço de negociação do título.
O Tesouro Prefixado com vencimento em 2032 também passou por uma mudança significativa, com a taxa oferecida subindo de 14,19% no primeiro dia de outubro para 15,31% no dia 30. Quem comprou o título no dia 9, quando a taxa estava em 12,49%, passou a enfrentar uma desvalorização na marcação a mercado, caso consultasse o saldo antes do vencimento. Entretanto, o investidor que mantiver o papel até a data final receberá a remuneração contratada originalmente, desde que respeitadas as condições do título.
O que esperar dos investimentos em novembro
Para novembro, especialistas ouvidos pelo UOL recomendaram cautela diante das oscilações recentes e das incertezas sobre o comportamento dos mercados. Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimento, defendeu a prioridade para aplicações pós-fixadas e a manutenção de uma parcela significativa do patrimônio em ativos vinculados ao CDI. A orientação considera que, mesmo depois das quedas da Bolsa, ainda existe risco de novas desvalorizações caso as dúvidas sobre a política econômica brasileira continuem influenciando as decisões dos investidores.
Outra recomendação apresentada foi dividir os recursos entre investimentos no Brasil e aplicações vinculadas ao dólar, de maneira a reduzir a exposição a um único mercado. A estratégia pode funcionar como proteção em períodos de instabilidade doméstica, embora a valorização da moeda norte-americana não elimine os riscos de perdas em ações e outros ativos internacionais. Felipe Sant’Anna, da Axia Investing, também recomendou cautela com mudanças precipitadas na carteira, destacando a importância de preservar aplicações já realizadas e avaliar os objetivos de cada investimento.
Para quem pretende fazer novos aportes, especialistas indicaram a manutenção de uma reserva de emergência em aplicações com liquidez, como o Tesouro Selic, e a utilização de recursos destinados ao longo prazo em títulos atrelados à inflação. Julio Carelli, cofundador e CSO da Formadores de Mercado, sugeriu dividir os investimentos ao longo do tempo, evitando concentrar todas as compras em uma única taxa de juros. O desempenho de outubro mostrou que dólar e renda fixa pós-fixada foram os destaques positivos, enquanto Bolsa, ouro, Bitcoin e fundos imobiliários enfrentaram perdas, cenário que reforçou a importância de avaliar riscos e prazos antes de escolher onde aplicar o dinheiro.





