O ministro Flávio Dino quer definir o prazo de transição para a implementação do fim da escala 6×1

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou uma audiência de conciliação para discutir os prazos de implementação do fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil, colocando representantes de trabalhadores e empresários frente a frente em uma discussão que pode influenciar o calendário da mudança. A reunião foi agendada para terça-feira, 10 de novembro, às 14h, depois que entidades empresariais questionaram o período estabelecido para a adaptação das empresas à nova jornada de trabalho. A decisão foi tomada no âmbito de uma ação apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que pretende conseguir mais tempo para colocar as novas regras em prática.
A audiência deverá reunir representantes das confederações nacionais empresariais, das centrais sindicais, da Advocacia-Geral da União (AGU), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e das áreas jurídicas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A iniciativa procura abrir espaço para que os diferentes setores apresentem seus argumentos sobre as dificuldades operacionais e os impactos da transição, especialmente nos segmentos que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, serviços e turismo. Entretanto, Dino deixou claro que a validade do fim da escala 6×1 não será colocada em negociação, pois o objetivo da reunião está relacionado exclusivamente às condições e aos prazos necessários para implementar as novas regras.
A decisão foi divulgada pelo UOL em reportagem assinada por Nino Guimarães, de Brasília, e reacendeu o debate sobre uma das principais mudanças recentes nas relações de trabalho brasileiras. A discussão envolve interesses distintos, já que sindicatos defendem a aplicação dos novos direitos dos trabalhadores, enquanto representantes empresariais alegam que o período de adaptação pode ser insuficiente para reorganizar equipes, contratos e escalas de funcionamento. Dessa maneira, a audiência no Supremo poderá ajudar a esclarecer se haverá necessidade de ajustes no cronograma, embora qualquer alteração dependa de uma decisão judicial ou de uma solução institucional juridicamente válida.
Flávio Dino marca audiência sobre fim da escala 6×1 e delimita discussão no STF
Ao determinar a realização do encontro, Flávio Dino ressaltou que a finalidade da mudança aprovada pelo Congresso não está aberta a negociações entre empresários e trabalhadores. O ministro afirmou que a redução da jornada e a ampliação do repouso semanal não estão em discussão, destacando que a Emenda Constitucional 141/2026 é plenamente constitucional em sua finalidade. Segundo a decisão, o que poderá ser examinado são os aspectos práticos da implementação, permitindo que as entidades envolvidas apresentem alternativas para organizar a transição sem comprometer o objetivo central da nova legislação.
A manifestação é importante porque diferencia a discussão sobre os direitos assegurados aos trabalhadores da questão relacionada ao tempo necessário para que as empresas se adaptem às novas exigências. Na prática, o STF não foi chamado apenas para discutir a conveniência econômica da mudança, mas também para avaliar os questionamentos apresentados por entidades que consideram inadequado o calendário estabelecido pelo Congresso. Assim, a audiência poderá permitir uma tentativa de conciliação antes de uma decisão definitiva sobre os pedidos de adiamento, com a participação de representantes dos setores diretamente afetados pela alteração da jornada.
A escala 6×1 é um modelo no qual o empregado trabalha durante seis dias consecutivos e recebe um dia de descanso semanal, formato bastante utilizado em estabelecimentos comerciais, restaurantes, supermercados, hotéis e diferentes atividades de prestação de serviços. Com a mudança constitucional aprovada em outubro de 2026, o objetivo é estabelecer uma jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A transição, entretanto, foi dividida em etapas, justamente para permitir que empresas e trabalhadores reorganizem suas atividades antes da aplicação integral do novo limite de trabalho.
Empresários querem adiar o fim da escala 6×1 e questionam prazo de adaptação
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo apresentou ao Supremo um pedido para modificar o cronograma de implementação, argumentando que o intervalo previsto é insuficiente para que as empresas façam as mudanças necessárias. A entidade sustenta que a primeira etapa da transição coincide com um período de grande movimentação econômica, marcado pelas festas de fim de ano, quando o comércio e o turismo registram aumento da demanda por funcionários. Além disso, as empresas alegam que precisam contratar trabalhadores, oferecer treinamento, reorganizar escalas, renegociar contratos e adaptar seus sistemas de controle de jornada e pagamento.
O pedido da CNC pretende transferir o início da primeira etapa da mudança para 16 de outubro de 2027, adiando também a exigência definitiva da jornada de 40 horas semanais para outubro de 2028. A proposta representa uma alteração significativa em relação ao calendário aprovado pelo Congresso, que prevê o começo da redução da jornada em dezembro de 2026 e a conclusão da transição em dezembro de 2027. Para os representantes empresariais, um prazo maior permitiria organizar as operações com menos riscos de dificuldades administrativas, aumento inesperado dos custos e problemas no atendimento aos consumidores.
Dino reconheceu que os argumentos apresentados pelas empresas merecem ser considerados, especialmente diante da necessidade de preservar a negociação coletiva e permitir que cada setor encontre soluções adequadas às suas características. Entretanto, o ministro também observou que o prazo inicial de adaptação não parece, em uma primeira análise, inviável, uma vez que a primeira redução corresponde a duas horas semanais, passando de 44 para 42 horas. Essa avaliação ainda é preliminar e poderá ser revista depois que os participantes apresentarem informações concretas sobre as dificuldades enfrentadas por suas respectivas atividades econômicas.
Fim da escala 6×1 pode mudar rotina de trabalhadores e empresas no Brasil
Pelo cronograma estabelecido na Emenda Constitucional 141/2026, a primeira etapa da transição começa em 16 de dezembro de 2026, quando o limite semanal de trabalho será reduzido de 44 para 42 horas, com a ampliação do descanso semanal remunerado. Posteriormente, em dezembro de 2027, será aplicada a redução restante, estabelecendo o limite máximo de 40 horas por semana e consolidando o novo modelo de jornada. A mudança representa uma transformação importante para milhões de trabalhadores, especialmente aqueles que atualmente enfrentam jornadas distribuídas em seis dias da semana.
A audiência convocada por Flávio Dino, portanto, será um momento decisivo para esclarecer os argumentos de sindicatos e empresários, mas não significa que o fim da escala 6×1 tenha sido suspenso ou que o calendário já tenha sido alterado. Até que exista uma decisão judicial modificando os prazos, permanece como referência o cronograma aprovado pelo Congresso, enquanto o Supremo examina os questionamentos apresentados pelas entidades empresariais. O resultado dessa discussão poderá influenciar a organização do mercado de trabalho brasileiro e determinar como empresas e empregados deverão se preparar para uma das mudanças mais relevantes da legislação trabalhista dos últimos anos.





