PL resiste a acordo com Alcolumbre e prepara candidatura de Marinho

A sucessão na presidência do Senado Federal ganha forma nas próximas semanas. Na quarta-feira, 4 de novembro, o Partido Liberal (PL) deve confirmar oficialmente o nome do senador Rogério Marinho (RN) como candidato à presidência da Casa na eleição que ocorre em fevereiro de 2027. A confirmação acontece enquanto o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), trabalha intensamente para consolidar uma base diversificada que permita sua permanência no comando, inclusive atraindo apoios de legendas da própria oposição.
Maior bancada não significa consenso interno
Com os novos mandatos que começam em 2027, o PL passará a ocupar a maior bancada da Casa, com 28 senadores. Esse peso numérico, porém, não se traduziu em consenso automático sobre a estratégia eleitoral. Nos bastidores, lideranças do partido avaliam que lançar um candidato próprio sem antes explorar caminhos de entendimento pode representar um risco político. Muitos lembram da eleição de 2023, quando Marinho também foi o candidato da legenda e acabou não sendo eleito. Para essa ala interna, seria mais prudente buscar acordos que garantissem espaço nas comissões importantes, em vez de assumir um confronto que poderia resultar em isolamento. A defesa de um entendimento com Alcolumbre vem acompanhada do alerta contra posições que possam aprofundar divisões dentro da própria Casa Legislativa.
Maioria segue em defesa de candidatura própria
A despeito dessas ponderações, a direção majoritária do PL segue confiante na estratégia de apresentar um nome próprio para a disputa. A oficialização da candidatura de Rogério Marinho está marcada para a próxima semana, e a campanha deve ganhar ritmo imediatamente após o anúncio. A eleição exigirá maioria absoluta — pelo menos 41 dos 80 senadores em exercício. Alcolumbre já trabalha com a projeção de que teria, neste momento, os votos necessários para garantir sua reeleição, e segue dialogando com diferentes legendas, incluindo PP, Republicanos e até parlamentares do próprio PL.
Anistia entra como peça central nas negociações
Um dos temas que surgiu como elemento de articulação é a possibilidade de colocar em pauta um projeto sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. As conversas foram intensificadas na última semana e envolvem também a avaliação de que uma iniciativa dessa natureza poderia contribuir para reduzir pressões por processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Dados do Supremo, atualizados em abril, indicavam que 190 pessoas seguiam presas em decorrência dos episódios, sendo 70 em regime domiciliar. O Congresso já aprovou diretrizes que permitem a revisão de penas, cuja aplicação caberá ao STF analisar caso a caso. A questão é complexa e divide opiniões: enquanto lideranças governistas como o senador Otto Alencar (PSD-BA) veem com simpatia o debate, partidos como o MDB já manifestaram reservas públicas sobre o tema.
Carta de Flávio Bolsonaro gera debate interno
Outro ponto que impactou as avaliações dentro da oposição foi a publicação da carta pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual inicialmente se declarou “presidente eleito” e depois ajustou a redação. Entre senadores, a repercussão não foi positiva. Parte dos parlamentares entende que o episódio enfraquece a candidatura de Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio. Surgiram questionamentos sobre a autonomia que o senador potiguar teria no comando da Casa, caso eleito. Essas dúvidas reforçam a percepção de que a disputa não se resume apenas a números, mas também à credibilidade e independência política que cada nome representa para os demais parlamentares.
Tereza Cristina segue na disputa e amplia dinâmica eleitoral
A oficialização de Marinho não encerrou as demais pretensões. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém publicamente sua candidatura à presidência, contando inclusive com o apoio da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF). A presença de um terceiro nome torna o cenário ainda mais dinâmico e demonstra que a base oposicionista não está inteiramente alinhada em torno de uma única candidatura. Alcolumbre, por sua vez, ainda espera conversar com Michelle Bolsonaro nas próximas semanas, numa tentativa de ampliar pontes com setores que hoje se posicionam fora de sua base de apoio.
Cenário segue em movimento até a eleição de fevereiro
O presidente em exercício afirmou já ter conversado com diversos grupos, embora ainda não tenha estabelecido contato com a ala mais fiel ao bolsonarismo — entre os nomes desse grupo estão os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Carol de Toni (PL-SC). A eleição só acontece em fevereiro de 2027, e até lá muitas peças ainda podem se movimentar. O que se observa agora é um tabuleiro em construção, onde articulação política, pautas legislativas e relações pessoais entre os senadores continuarão moldando o resultado final nos próximos meses.





