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Primeira-dama criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro durante campanha de Lula

A primeira-dama Janja da Silva afirmou que Jair Bolsonaro deixaria os nordestinos “comendo capim” caso dependesse dele, durante um ato de campanha realizado em Teresina, no Piauí, na quarta-feira (9). A declaração ocorreu ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi feita em meio à disputa eleitoral de 2026, marcada pela polarização entre o grupo petista e a família Bolsonaro. Janja aproveitou o discurso para criticar a atuação política do ex-presidente e de seus familiares.

Segundo Janja, a família Bolsonaro não teria um projeto voltado para o país e estaria concentrada na defesa de interesses próprios. A primeira-dama afirmou que o grupo representa, em sua avaliação, um cenário de retrocesso e um “projeto de medo”, direcionando parte das críticas especificamente para a relação do bolsonarismo com o Nordeste. O discurso foi apresentado como um apelo para que os eleitores mantenham na memória as ações e decisões tomadas durante o governo anterior.

A fala ocorreu durante uma atividade eleitoral de apoio à candidatura de Lula e foi acompanhada por outras declarações de Janja sobre as prioridades que, segundo ela, deveriam orientar o governo federal. A primeira-dama destacou temas relacionados à alimentação, saúde, educação, emprego e atendimento à população mais vulnerável. Nesse contexto, a referência aos nordestinos foi utilizada para reforçar a crítica ao histórico político de Bolsonaro e defender a continuidade do atual governo.

Janja faz críticas à família Bolsonaro

Durante o discurso em Teresina, Janja afirmou que a família Bolsonaro não teria um projeto destinado às famílias brasileiras e também não apresentaria uma proposta específica para o Nordeste. A primeira-dama associou essa avaliação à ideia de que o grupo estaria interessado principalmente em proteger seus próprios integrantes e beneficiar pessoas próximas. A declaração colocou novamente a atuação da família Bolsonaro no centro da estratégia de campanha do grupo ligado a Lula.

Na sequência, Janja afirmou que os brasileiros não deveriam esquecer o período em que Jair Bolsonaro esteve na Presidência da República. Segundo ela, existiria uma tentativa de fazer com que a população deixasse para trás acontecimentos relacionados àquele governo, enquanto o eleitorado deveria manter na memória as decisões tomadas naquele período. A primeira-dama citou especialmente questões envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e afirmou que o governo deve cuidar da população que necessita de atendimento público.

A crítica ganhou peso eleitoral porque foi feita justamente no Nordeste, região na qual Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro em pesquisas recentes. Levantamento do Datafolha divulgado em setembro apontou Lula com 53% das intenções de voto entre os eleitores nordestinos no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia em posição inferior nesse recorte. O resultado ajuda a explicar a importância estratégica da região na disputa presidencial de 2026, embora uma pesquisa isolada não determine o resultado da eleição.

Disputa eleitoral coloca Nordeste no centro

A declaração de Janja ocorreu em uma fase de forte disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, que aparece como principal representante eleitoral da família do ex-presidente na corrida presidencial. Os levantamentos divulgados nos últimos dias mostram um cenário competitivo, com diferenças importantes de acordo com o instituto e com o recorte analisado. Em algumas pesquisas, Lula aparece à frente no primeiro turno, enquanto simulações de segundo turno registram empate técnico ou vantagem estreita de Flávio.

Nesse cenário, o Nordeste passou a ocupar espaço relevante na estratégia dos dois grupos políticos. A região foi decisiva para o desempenho de Lula nas eleições anteriores e continua apresentando índices de intenção de voto favoráveis ao presidente, enquanto o bolsonarismo busca ampliar sua presença entre eleitores de diferentes estados. Por isso, discursos realizados em capitais nordestinas têm sido utilizados para reforçar mensagens diretamente relacionadas às condições econômicas e sociais da população local.

Em Teresina, Janja também procurou associar a candidatura de Lula à defesa de políticas voltadas para a melhoria das condições de vida. A primeira-dama disse que o país deveria ser governado por quem cuida da população e apresentou o atual grupo político como alternativa ao que classificou como retrocesso. Ao mesmo tempo, a presença de Lula no evento reforçou a utilização da agenda presidencial como parte da mobilização eleitoral no Piauí.

Fala de Janja repercute na campanha de 2026

A expressão utilizada por Janja passou a integrar o discurso político da campanha depois que a primeira-dama associou a frase à possibilidade de um governo Bolsonaro e às condições enfrentadas pelos nordestinos. A declaração não foi apresentada como uma previsão econômica específica, mas como uma crítica política ao projeto atribuído por ela à família do ex-presidente. Dessa forma, o episódio acrescenta mais um elemento à disputa de narrativas entre petistas e bolsonaristas.

O discurso também ocorreu em um momento no qual os principais candidatos intensificam suas agendas eleitorais e ampliam os ataques aos adversários. Enquanto Lula busca preservar sua força no Nordeste, Flávio Bolsonaro tenta consolidar o eleitorado identificado com o pai e avançar em outras regiões do país. A fala de Janja, portanto, reforça a estratégia de confrontar diretamente o legado político de Jair Bolsonaro e transformar a avaliação dos governos anteriores em um dos temas da eleição de 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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